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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pensando com Laerte


No filme “The Cement Garden”, de 1993, a personagem de Charlotte Gainsbourg é flagrada vestindo um menininho com roupas femininas. Ao ser questionada pelo irmão mais velho dele, ela diz: “Garotas podem usar jeans, usar camisetas e botas, pois é aceito ser um menino. Mas para uma menino, ser uma menina é degradante. Pois você acha que ser menina é degradante. Mas, secretamente, você adoraria saber, não adoraria? Como é que se sente uma garota?”.

Tem bem pouco tempo que Laerte, um dos maiores e melhores cartunistas do Brasil, resolveu fazer algo muito corajoso: revelar para todo mundo que curtia uma onda crossdresser – que é quando uma pessoa começa a usar algumas peças de roupa ou certos acessórios que são, geralmente, atribuídos ao sexo oposto. A declaração foi dada à revista Bravo!, em sua versão impressa e também em uma pequena entrevista em vídeo, aqui.

“Na verdade, a minha convicção é que todas as pessoas gostariam de experimentar muito mais do que aquilo que os códigos sociais permitem, recomendam e limitam. Em se tratando de roupas, acho que as pessoas gostariam de frequentar outros parâmetros e outras áreas também. A vontade de vestir roupas femininas é muito mais frequente do que se imagina. As pessoas sofrem muito por não fazer isso, por achar que é uma vergonha ou algum tipo de diminuição.”, diz ele de forma natural e lúcida. “Vestir uma roupa feminina é constestar um parâmetro de gênero que vigora na sociedade. No limite, é uma coisa política. No fundo, é uma contestação de proposta de mudança. Mas é um prazer meu também”.

Fico feliz em ver gente que enxerga como uma babaquice esses mitos. Dividir a humanidade em gênero é uma coisa que nasceu com as religiões, com a ideia de que a divisão deveria vir das metades necessárias para conceber uma nova vida e com as antigas crenças da vida em matrimônio.

Voltando ao Laerte: “Eu não estou imitando uma mulher, não quero passar por mulher. Eu estou confabulando com um modo de ser que vem sido atribuído às mulheres. Assim como as mulheres – enquanto gênero – frequentam hoje modos, vestimentas e comportamentos que eram exclusivamente masculinos, acho que os homens deviam fazer essa passagem também”. Acho que ele tem razão.

Hoje, uma mulher tem a liberdade de usar calça, sapatos sem salto, não precisa de espartilho, pode falar alto, grosso e beber cerveja. Enquanto isso, nenhum homem pode usar blusa rosa, beber um drink de frutas, comer arroz integral ou ler poesias. A gente – eu, você, nossos pais, nossos tataravôs – chegou aqui há pouco tempo e se engana achando que o mundo sempre foi assim. As coisas foram evoluindo de uma maneira que, por sua lentidão, parecem naturais, mas não são. Em outras culturas, em outras épocas, matar um animal para comer era pecado; era impossível mudar de classe social; bebês usarem roupas amarelas atraía dinheiro; homens só faziam sexo com mulheres para procriarem, pois o prazer mesmo vinha da relação com outros homens.

As gerações mais recentes são daquelas que obrigam o menino a enfrentar precocemente situações para as quais ele talvez não esteja preparado, mas tem de ir em frente porque é homem. Não pode ter medo, não pode chorar, não pode dançar, não pode gostar de arte. O resultado é um bando de gente despreparada para lidar com o desconforto, com o sagrado, com o feminino - e um monte de mulheres insatisfeitas com seus próprios homens, claro.

A chamada "cultura ao redor" não pode ser mais forte do que nossa vontade de mudar e nossa inclinação a pensar diferente, a pensar sobre nossos hábitos e sobre os nossos próprios pensamentos. Não há quem resista a tanta pressão e angústia, presentes dos dois lados da moeda. Passou da hora de todo mundo aprender a cuidar da sua vida. No seguinte sentido: se a coisa que faz bem para você não faz mal para ninguém, significa que a coisa faz bem a todos. Liberdade é isso.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Julie, Julia, Meryl, Amy e Nora!

Senhoras e senhores, estou encantado com “Julie & Julia”, filme que acabo de ver, estrelando Meryl Streep e Amy Adams, até-então-moça-de-um-papel-só. Mas preciso, antes de falar dele, apresentar-lhes sua diretora.

Nora Ephron pode ser alguém que você nunca ouviu falar antes, mas ela está por trás das melhores comédias românticas já feitas. Nenhuma delas é estrelada por uma Julia Roberts esperando que um homem rico a salve. Um traço de Nora é exatamente ter heroínas independentes como protagonistas e também dar um pouco mais de voz ao homem – coisa que raramente acontecia no gênero.

Por isso ela brilhou absurdamente em longas como “Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro”, de 1989, “Mensagem Para Você”, de 1999, e como roteirista de “Linhas Cruzadas”, de 2000. Apesar desses méritos – que até lhe valeram três indicações ao Oscar –, ela também é a culpada pelo fracassado “Bilhete Premiado”, de 2000 e pela absurda adaptação de “A Feiticeira”, de 2005 – o que foi essa ideia e como assim um filme sem Larry Tate?

Enfim, esses deslizes valeram um suspiro dos profundos e eu acabei esnobando “Julie & Julia” um tempo. Mas, convenhamos, sabia que não era uma comédia romântica, que era baseada em fatos reais e, ora, se tem Meryl Streep no elenco então a gente precisa ver! E se tem Meryl Streep e não tem o James Bond cantando Abba, melhor ainda.

O longa traça um paralelo entre a vida de Julia Child, famosa autora de livros de culinária e apresentadora de TV, e a de Julie Powell, que quer cozinhar todas as 524 receitas do livro “Mastering the Art of French Cooking” no período de um ano enquanto posta na web sua experiência. O filme é, portanto, baseado em livros, cartas e em um blog.

É curioso se surpreender com Meryl Streep. De fato uma das melhores e mais versáteis atrizes de Hollywood, ela tem como hábito surpreender as pessoas. Surpresas são inesperadas e, se forem rotineiras, deixam de ser surpresa. Esse antagonismo é que me deixa intrigado com o talento dela. Como ela consegue? Já sobre Amy Adams, lembro que assisti “Encantada” e pensei “essa menina vai viver para sempre sendo lembrada por esse papel”. Ledo engano. Julie não é a persona mais complicada de interpretar, mas a imagem de princesinha da Disney não chega perto desse longa. Stanley Tucci também está adorável como marido de Julia.

Esse é um desses filmes que fazem todo mundo sair da sala de projeção com algum plano na cabeça, com uma vontade de mudar algo. Uma reorganizada no armário que seja. Alguns vegetarianos não vão gostar de algumas cenas, mas faça como eu e coma algo antes de entrar no cinema. A tentação nem chega perto daquelas cenas quase pornográficas do filme “Chocolate”, por exemplo, mas existem alguns momentos onde você ouve um coro de “hummm” por entre as poltronas.

Apesar de todo mundo se deliciar no desenrolar da história, senti que faltou um desfecho. É como se o filme acabasse no meio, o que me levaria a chamar sua existência de sem propósito se eu já não tivesse aprendido a lição mais sagrada da sétima arte: não deixar que sua opinião sobre o final apague o prazer que você teve ao longo do filme.

Para quem ficou interessado na história, eis o link do blog de Julia Powell aqui! Bon appetit!

Para ouvir depois de ler:
Simple Kind of Life - No Doubt

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Xuxa, colabora

Lembro muito bem que, no ano passado, uma chamada do Programa Amaury Jr. que entrevistou a Xuxa dizia: “De férias na Disney com a filha Sasha, ela concedeu uma entrevista corajosa onde acusa a televisão brasileira de não dar atenção para as crianças. E, quando dá, pensa primeiro em retorno financeiro e em índices de audiência, jamais na educação.”

Fiquei perplexo com afirmação. Não que não seja verdade, mas de sair da boca da suposta rainha dos baixinhos. Algo me cheirou a busca por redenção. Depois que teve uma filha, Xuxa entendeu bem melhor seu papel e sua influência na TV brasileira.

Ela passou a apresentar seus programas vestida e não fez concessões - mesmo quando sua nova fórmula educativa amargou pouca audiência – e, imagino, desfez o tal pacto com o capeta. O estrago com as meninas que engravidaram na adolescência e com as que sofreram por se acharem fora do padrão loira-magra-branca das Paquitas já estava feito, mas isso não vem ao caso.

Conectada ao Twitter, Xuxa sofreu um pouquinho nos últimos dias, mostrando absoluta falta de intimidade com a ferramenta online. Além de escrever todos os textos em letra maiúscula e dos inúmeros erros de português, foi a vez de sua filha, Sasha, escrever uma palavra errada. As correções vieram dos internautas e deixaram a apresentadora puta da vida, a ponto de postar:



Ah, ok. Uma menina de 11 anos, brasileira, filha de brasileiros e que mora no Brasil, foi alfabetizada em inglês?

Os últimos acontecimentos só mostraram o que todos suspeitavam: o sucesso é perigoso. Como observou o jornalista Mauricio Styver (aqui), o Twitter apenas tornou possível uma coisa há tempos sonhada: xingar a TV e ser ouvido. E Xuxa, endeusada e isolada em seu castelo, não estava preparada para enfrentar a realidade. E o vídeo ridículo do tal fã Davis Reimberg só mostra como o povo brasileiro, alienado que só ele, precisa desesperadamente de novos ídolos.

Agora, rolou o boato de que a apresentadora ia dar uma de Daniela Cicarelli com YouTube e ameaçou processar e censurar o Twitter. Faz-me rir. Xuxa, colabora com a gente e volta pra sua vidinha intocável, por favor? Cercada de puxa-sacos você faz um bem para o resto do mundo que, por consequência, fica bem longe de você.

sábado, 15 de agosto de 2009

“Brüno”: genial ou homofóbico?

Acabei de assistir “Brüno”, nova comédia de Sasha Baron Cohen, ator também por trás de “Borat”, produção de 2006 indicada ao Oscar de melhor roteiro original.

O primeiro filme conta a jornada de um repórter do Cazaquistão aos Estados Unidos, mostrando as supostas diferenças culturais entre os dois lugares. Toda a produção tem um ar de “câmera escondida”, apenas registrando a reação das pessoas aos atos malucos do tal cazaque.

Novamente, o personagem principal dá título ao filme, mas Brüno é um repórter gay pra lá de caricato, especialista em moda. Austríaco, ele sai de seu país em busca de fama e se mete em inúmeras roubadas.

O que acontece é que ele não é famoso ainda e não pode sair ileso de excentricidades como falar mal de pessoas que não conhece, adotar africanos e ter a pretensão de acabar com a guerra no mundo. Ao encarnar um personagem como Brüno – que é superficial, afetado e incrivelmente burro – todos os alicerces da cultura norte-americana tem potencial para ser alvo de algum tipo de sátira, mesmo que não explicitamente.

O novo filme é muito mais incorreto que "Borat" e também muito mais ousado. Hilário ver Paula Abdul, por exemplo, falando que fazer trabalhos humanitários e ajudar outras pessoas “é como respirar o ar que respiro” ao mesmo tempo que usa um mexicano de quatro como poltrona. Impossível enumerar as cenas que mais ri, são muitas. Mas tenha uma atenção especial à viagem dele ao Oriente Médio, seus dias acampando e à música no final.

O principal erro é que, como em “Borat”, Cohen entra em um grupo – no caso, os gays – para provocar as pessoas ao redor, mas acaba satirizando o próprio grupo que se apropriou. Interromper uma passeata contra os direitos homossexuais vestido com roupas de sadomasoquismo é engraçado, mas de forma alguma contribui para qualquer tipo de tolerância, certo? O tiro sairia pela culatra se o objetivo fosse melhorar a aceitação dos gays na sociedade. Como não é o caso, o longa segue bem. Mas tem seus méritos no assunto quando, por exemplo, mostra quão ridícula é a fala de um pastor que, supostamente, “cura” gays.

Comédias desse tipo são especialmente engraçadas para mim, pois as pessoas ao redor acham que estão sendo acariciadas com risos, mas estão levando belas bofetadas na cara. A crítica aos costumes está lá e, no fim, você acha que a sociedade não tem solução mesmo. A intolerância e a ignorância estão enraizadas de uma forma muito profunda e você percebe que riu para não chorar. Mas pelo menos riu bastante.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Who the fuck is Lady GaGa?

É inevitável comentar, mas pouca gente ousou fazer apostas. Então, aí vai a minha: Lady GaGa, o mais recente fenômeno da música pop, não quer só seus 15 minutos de fama. Essa moça ainda vai dar mais o que falar.

Um tempo atrás, Kanye West disse que ela era a nova Madonna. A moça não teve a infância complicada da atual cinquentona, frequentou a escola particular de um convento, aprendeu a tocar piano com 17 anos e estudou música na Universidade de Artes de Nova York.

Ok, mas o que faz Lady GaGa especial? Como muitos, ela apareceu do nada com um hit chiclete, mas a diferença é que a loira não parece ter cafetões. Podem dizer que ela é só mais um produto da mídia, mas não sei se é bem por aí. E tem mais: as referências dela, que vão de David Bowie a Queen. Do cantor ela pegou o visual e o dom de fazer canções com a sonoridade que eu chamo de diferente/familiar, e da banda seu nome artístico – uma citação à canção “Radio GaGa”, de 1983.

A loira acaba de lançar clipe para a música “Paparazzi”, que mistura uma letra de amor com referências a groupies, stalkers e fotógrafos. A canção faz parte de seu álbum de estréia, “The Fame”. O vídeo tem uma historinha com direito a Lady GaGa andando de cadeira de rodas, notas de dinheiro com a cara dela e coreografias tão malucas quanto os figurinos.

E foi ele que me motivou a escrever esse texto. O clipe tem 7 minutos. Alguém tem que concordar que isso é um feito. Principalmente em tempos onde podemos baixar toda a discografia dos Beatles de graça e em minutos, e que a maioria das pessoas só assiste clipes em uma telinha de YouTube.

Dividindo a cena com GaGa está o ator sueco Alexander Skarsgård, da série “True Blood”. A direção ficou com Jonas Äkerlund, que já dirigiu clipes de Moby, Prodigy, Metallica e Cristina Aguilera. Será que vamos voltar à era dos vídeos que são mega produções, como bem fazia Michael Jackson?

Claro que não é nada espetacularmente bom. As letras não são profundas, nem nada assim. Mas essa não é a idéia e, dentro da proposta que ela quer, ela vai bem e faz tudo muito certo. Só sei que diziam que Britney Spears seria a nova Madonna e não deu. Acho que GaGa pode ocupar o posto. Mas é segredo esse palpite. Apesar de tudo, ainda é muito cedo para falar. O que não pode de jeito nenhum é começar a ser repetitiva. Gagueira não tem graça.

Para ouvir depois de ler: Paparazzi - Lady GaGa

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Esse texto não é sobre Madonna e Guy Ritchie

Onde há fumaça há fogo, dizem. E os boatos de que Madonna e Guy Ritchie iam se separam estavam aí há muito tempo. A adoção de David Banda, órfão do paupérrimo país africano Malauí, foi interessante e bonita e tudo, mas não parecia uma versão pós-menopausa do famoso golpe da barriga pra segurar o casamento? Enfim, ontem, a porta-voz da cantora confirmou as fofocas da separação.

Analisando o casamento deles, dá pra sacar como era tenso. Além de cada um ser de um país diferente – alguém teve que ceder e se mudar – haviam filhos em casa e fotógrafos nas janelas. Mas eu realmente acho que a gota d’água foi a carreira. Imagine como é ser casado com Madonna.

Sem desmerecer Guy Ritchie, poxa. “Snatch” é um dos filmes mais legais que já vi. Mas nos últimos sete anos – tempo que eles foram casados – cada um foi para um lado. Com sua recente turnê, por exemplo, Madonna não para de ser mencionada e exaltada e sair de cada país varrendo milhões de dólares, enquanto Ritchie reeditou “Revolver”, um bom filme feito em 2005, pra ver se consegue algum trocado nas bilheterias britânicas – pois o fracasso nos Estados Unidos foi inacreditável.

Não há amor e Cabala no mundo capaz de abstrair isso. Por mais legal que fosse estar junto, devia ser humilhante pro machão do Ritchie viver às custas da esposa. Vão dizer que essa situação dava poder à Madonna, pode ser, mas se ela realmente amava o cara, nada mais nobre do que não se importar com o dinheiro que ele trazia para casa – principalmente pois já tem muito dinheiro no banco, né?

O namorado de uma amiga disse que o amor dele era “eterno enquanto durasse”. Expliquei pra ela que isso não quer dizer que é limitado. Pelo contrário. Enquanto existir, será eterno. Pois esse “eterno” é infinito. Tamanho, não duração. Que dure um mês, dois, um ano, sete. Todo esse texto foi pra dizer que acho que jogar todas as suas fichas em um relacionamento já é , por si só, a maior prova de amor que existe.

Para ouvir depois de ler: Miles Away - Madonna

domingo, 5 de outubro de 2008

Antropologia com Richard Gere

Já vou adiantar três coisas: a) esse texto contém spoilers do novo filme de Richard Gere; b) esse post não é sobre o filme de Richard Gere, c) alguém que lê esse blog se importa com Richard Gere?

Como uma boa mulher divorciada, minha mãe é fã de Richard Gere. E ela me convenceu a ver o novo filme do cara, “Noites de Tormenta”, sob a proposta de pagar meu ingresso e me levar pra comer no Subway depois. Aceitei, claro.

É um programa divertido para ela, afinal seu segundo maior ídolo vai estar em uma tela de três metros – o ídolo número um é George Clooney. Apesar de ir ao cinema sozinho ser muito chato, não quis sentir que estava fazendo um favor ao acompanhá-la. Decidi que eu ia me divertir e me deixar gostar do filme. O filme tem uma trilha sonora legal, cheia de jazz, mas é uma bomba. Mentira, nem é tão ruim. Mas tem uma história de amor cretininha, vários clichês e uma choradeira sem fim – principalmente pois não tem um final feliz. O número de gente chorando ao meu redor não está escrito.

Isso me fez reparar as outras pessoas no cinema. Interessante. Éramos o único “mãe e filho”. O restante era casal de namorados e grupo de amigas. Trata-se de um filme sobre dois divorciados que se isolam do mundo no mesmo lugar. De certa forma, um filme sobre esperança, sobre futuro. E não é isso que todo mundo nas poltronas estava querendo? Os casais querem ser felizes juntos e as solteiras de meia-idade querem ouvir que é possível recomeçar.

De fato. Nunca é tarde pra amar de novo nem cedo demais para acreditar no pra sempre. Fiquei tocado com isso. Quem diria, ein, Richard Gere?

Para ouvir depois de ler: All is Full of Love - Björk

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

The one and only

Este ano Madonna completa 25 anos de carreira e, amanhã, cinquentinha de idade. A importância dela é inegável. Todo mundo conhece uma música e, se acha que não foi influenciado por ela, com certeza foi por alguém que foi influenciado. Madonna inventou caminhos diferentes para a música pop e apertou botões na sociedade.

Madonna, vestida de noiva, mostrava a calcinha na MTV enquanto Michael Jackson levava a nomoradinha pra ver um filme de terror; ela é sinônimo de música pop com atitude. Um álbum com mais, outro com menos, o convite a reflexão está lá. Além disso, ela revolucionou a história do videoclipe e da maneira de montar shows ao vivo. Já falei sobre isso em um post que escrevi no aniversário do ano passado. Não vou falar que ela é gostosa e está toda em cima, não é sobre isso essa data, certo? Em sua discografia oficial, de “Madonna” (1983) a “Hard Candy” (2008), tem de tudo. Pop, rock, electro, acústico, rap, jazz, blues, house, musicais, baladas, midtempo. Não há cafetão por trás de Madonna, ela está no controle e, em seus discos e shows, entende de tudo – mixagem, sistemas de som, iluminação.

Se não for pra admirar a sua música, que seja seu dom para os negócios ou sua persona. Mesmo quem não curte Madonna precisa saber como ela é a voz de uma geração, um espelho transparente – as pessoas mudam com ela e ela muda com o mundo. Ela prova com graça e sem pretensões que é possível ser tudo ao mesmo tempo: sexy, casada, espiritualizada, ambiciosa, bonita, mãe, engraçada, perfeccionista. E essa capacidade de unir coisas distintas com harmonia me faz admirá-la. Eu tento ser assim, pois ela prova que é possível. Sem falar que gosto bastante das músicas também. Estamos todos de parabéns.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Um brinde a Amy Winehouse

Imagine uma moça magrinha que é a mistura da Janice, de “Friends”, com a Fran Fine, da série “The Nanny”. Agora cubra esta pessoa com tatuagens pin-ups e naivy e lhe dê o alcance vocal de Aretha Franklin, mas com a rouquidão sexy de Etta James. Pronto, você acabou de criar Amy Winehouse.

Nascida e criada numa família judia no subúrbio de Londres, Amy ganhou sua primeira guitarra quando era ainda uma garotinha. Ela e o irmão, Alex, até tentaram formar um grupo de rap. Seu pai era taxista e sua mãe farmacêutica, mas eles tinham um histórico de músicos de jazz na árvore genealógica. Ela já canta e toca há muito tempo, mas foi só depois de “Rehab”, uma bem-humorada e biográfica canção sobre overdose e reabilitação, que a moça apareceu nas paradas e conseguiu divulgar todo o seu trabalho - os álbuns “Frank” (2003) e “Back to Black” (2006).

Mas o negócio é o seguinte: Amy Winehouse, independente dessas coisas, é uma ótima artista. Tem uma ótima voz, boas letras e um super bom-humor – mesmo sóbria. E ela está lançando como aposta de vendas pro Natal seu primeiro DVD ao vivo, com as melhores canções dos dois álbuns. Novamente, ela não larga a birita durante o show todo, mas ela está uma delícia e cada segundo vale à pena de ver, rever e cantar junto. Chears!

Texto completo aqui.

PS: O DVD chama “I Told You I Was Troube: Amy Winehouse Live in London”, vem com 20 – sim, eu disse vinte – músicas e ta custando em média 40r$. Tô super aceitando, ok?

sábado, 1 de dezembro de 2007

Da arte de ver TV nas férias

Gente, já é dezembro. Que coisa, não? Será que ouso escrever que passou rápido? Passou, mas é muito clichê falar isso, né? Esquece então. O negócio é que o mês doze sempre vem acompanhado de algumas coisas muito boas. A comilança natalina, as promoções de celulares por 10 reais e as férias. Ah, as férias.

Eu geralmente não viajo e nesse dezembro-janeiro-fevereiro não será diferente, mas adoro e até prefiro – pois, afinal, que opção de viagem eu tenho nesse Brasil se eu odeio praia, sol, cachoeira, sítio, fazenda e samba? Adoro ficar em Belo Horizonte nas férias. Posso beber cerveja todo pôr-do-sol. Posso ir ao cinema nas terças-feiras! Posso acordar tarde. Em casa lendo. Em casa vendo TV.

O-ou! A TV. Eu não me responsabilizo se, em duas semanas de férias, eu já souber de cor todas as histórias daqueles programas imbecis que passam nos canais abertos de tarde. Por que é assim: eu vejo cerca de quatro horas de TV por semana (sim, apenas isso!). Todas elas usadas na TV por assinatura. Mas uma vez que você passa o dia inteiro em frente àquela caixa você perde o interesse.

Os senhores Hanna e Barbera fizeram pra lá de 150 desenhos espetaculares, mas o Boomerang passa 18 horas seguidas de "Dom Pixote". Todos os episódios de "Detetives Médicos", do Discovery, sempre começam com a frase "era um dia como outro qualquer na pacata cidade de...". O History Channel só fala sobre a Segunda Guerra Mundial, o People & Arts passa sempre o mesmo episódio de "Feira de Antiguidades" (ainda que o programa tenha 21 anos de acervo). A HBO exibe um monte de programinhas de bastidores antes de começar um filme e, quando ele começa, nunca é o filme do qual tratava o programinha. Já reparou nisso?

Então o lema dessas férias é: “Mexeu comigo? Mexeu com a Márcia!”.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Ela está de parabéns

“O nome dela está entre artistas como Beatles, Elvis e Frank Sinatra. Assim como nós, Madonna é a voz de uma geração. Só tenho que me curvar e aplaudir” – Paul McCartney



Madonna nasceu há 49 anos, às 7h08 da manhã, na cidade de Bay City. Madonna passou a sua infância em Pontiac e mais tarde em Rochester Hills (outro subúrbio de Detroit). Em Dezembro de 1963, quando Madonna tinha cinco anos, a sua mãe morre de câncer da mama, aos trinta anos de idade. O pai casa com Joan Gostafson, a governanta da família, que é sua esposa até hoje.

Frequentou a Rochester Adams High School, onde se distinguiu como boa aluna (QI 140) e, contra a vontade do pai, Madonna começa a ter aulas de dança aos catorze anos. Concluiu o ensino secundário e entra na Universidade do Michigan no curso de dança, mas aabandona o curso e com apenas 35 dólares muda-se para Nova York com o objetivo de seguir uma carreira de bailarina.

Passou por dificuldades econômicas e muda de planos: ao integrar a turnê do cantor disco Patrick Hernandez (conhecido por seu único sucesso, "Born To Be Alive"), conhece Dan Gilroy em Paris, que seria seu namorado e junto com o qual fundaria a banda "Breakfast Club", onde Madonna muda de atuação algumas vezes (foi baterista, guitarrista e vocalista). Depois do fim da banda, Madonna criou outra, a “Emanon” (‘No name’, ‘sem nome’, ao contrário) carinhosamente chamada de "Emmy", com um antigo namorado, Stephen Bray. Os dois brevemente decidem afastar-se da banda e começam a trabalhar só os dois em canções.

Assim, uma fita cassete com as canções que Madonna criou com Bray chegou às mãos do produtor e DJ Mark Kamins que a entregou à editora discográfica Sire Records, que contratou Madonna em 1982.

Música à música, as canções da fita são lançadas como singles compactos no mercado (nenhum com fotos dela, para o público achar que se tratava de uma cantora negra (!)) e fazem um bom sucesso. Então é encomendado o primeiro álbum, que é um estouro.

O resto é história.

Para ouvir depois de ler: How High - Madonna

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Últimas Considerações sobre Paris


Qualquer um que já foi ao Pátio Savassi comigo sabe que lá é um lugar deprimente pra mim. Eu tenho a sensação de que todos são mais bonitos e ricos que eu. Sensação, pois sei que não são - bom, nem todos. O que acontece muitas vezes é que a moça feia é rica, portanto, bem cuidada. Você vê que o cabelo dela está impecável, que a roupa é fina etc. E isso explica em parte o motivo de alguém no planeta achar aquela bunda azeda da Paris Hilton bonita. Eita, a mulher é o capeta oxigenado.

“Simple Life” é um dos programas de televisão mais engraçados do planeta. Mas não acho interessante transformar Paris Hilton em musa ou exemplo pra ninguém. Eu admito que ela é muita coisa que eu queria ser: rica, inconseqüente e superficial. Mas eu não sou nenhuma dessas três coisas. E acho realmente triste admirar os dois últimos itens como qualidades.

Famosa porque é popular e popular porque é famosa. Quando ela esteve no Brasil li uma adolescente de uns 15 anos dizer que se Paris morresse amanhã, ela se matava, pois era tudo na vida dela. Talvez a loira seja a personagem símbolo de um movimento válvula de escape dos novos ricos. Talvez ela seja o sonho da classe média alta. Mas desde quando irresponsabilidade é algo pra ser admirado?
E acho que ela parece um traveco - o que explicaria essa paixão vazia que 90% dos gays têm por ela. Mas eu já cansei de falar sobre isso. Cada vez deixo passar mais o assunto. Eis o juramento de nunca mais falar dessa moça-que-só-deu-certo-porque-deu-errado. Ela merece os fãs que tem? Não sei. Mas do inverso tenho certeza.
Para ouvir depois de ler: Meeting Paris Hilton - CSS