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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Mudei

Eu tinha um blog muito cheio de coisas, muito pré-adolescente, cujo link não coloco aqui de jeito nenhum. Aí mudei pra esse daqui, com essa pegada Huxley no nome. Mas foi indo e indo e acabou do mesmo jeito: colorido e desorganizado demais. Somado a isso, o Blogger mudou a plataforma de postagem (interface, sei lá o nome) e ficou bem agoniante de mexer. Então resolvi levar todos os posts antigos e os eventuais novos para um outro endereço. Ei-lo.


Nos lemos lá.

sábado, 24 de março de 2012

Vivendo sua vida w/ 689 others


Numa conversa essa semana, descobri que uma amiga tirou nada menos que 4 mil fotos do Vaticano quando esteve lá. Quatro mil! Precisava? É pra decorar cada detalhe do lugar ou é pra voltar pro Brasil e mostrar cada detalhe pros que não foram. A experiência tem que ser validada pelos outros?

Acho que qualquer resposta merece atenção: se em uma viagem você para a cada segundo para uma foto, deixa de experimentar aquele lugar de verdade. E abastecer seu Facebook com todas as fotos mostra que você ou é muito narcisista ou que quer que sua vida online represente com fidelidade a sua vida real. E isso não precisa acontecer.

O caso das fotos no Vaticano parece exagerado (e é mesmo), mas todo mundo faz isso o dia todo: porque raios as pessoas compartilham nas redes sociais o restaurante onde estão, a comida que cozinham, quantos quilômetros correram? Porque existem tantos sites para você marcar os filmes e seriados que viu, os livros que leu, shows que foi, músicas que ouviu? Acho que um dos motivos é falta de assunto mesmo: a agonia de ver todo mundo “postando alguma coisa” e a pessoa sem nada pra dizer. Outro motivo, ao meu ver, é porque a experiência se perdeu. Para muitas pessoas hoje, fazer algo só por fazer e só para elas mesmas não é suficiente; elas precisam divulgar, todo mundo precisa saber o que ela gosta de fazer. Como se espalhar por aí que você está se divertindo garantisse que você está se divertindo mais...

Ao mesmo tempo que eu compreendo (divulgar que você viu e gostou de certo filme te coloca dentro de um grupo), acho isso bem triste. A espontaneidade está ficando igual - algo que é contra o próprio conceito de espontaneidade. E acompanhar a vida online de alguém ainda está bem longe de conhecê-la de verdade – mesmo que seja de alguém que tente muito colocar sua rotina inteira dentro da web.

Resultado: fica tudo no meio da caminho. Por exemplo: você vai no aniversário de um amigo, metade das pessoas você conhece, a outra metade nunca te deu um “oi”, mas já tem uma opinião sobre você (aliás, o que as pessoas mais têm nos dias de hoje é opinião formada sem conhecimento). O ponto de partida da relação já está todo bagunçado; não existem surpresas nos assuntos primários, que deviam despertar interesse, e não há interesse nos assuntos surpresas.

Outros exemplos: perceber um erro de português absurdo vindo de uma pessoa que fala o tempo inteiro dos milhões de livros que leu. Ou encontrar pessoalmente com alguém que twitta todos os dias que vai à academia e ver que a pessoa não emagreceu nada. O oversharing das redes coloca esse tipo de lupa julgadora nas pessoas – e o pior é que são elas que colocam essa lupa na própria cabeça.

Já falei disso em um texto anterior: à medida que a tecnologia se torna mais onipresente, nossa relação com ela se torna mais íntima, conferindo-lhe poder de influenciar decisões, humores e emoções. Mas é só se a gente deixar! Suas redes sociais não precisam ser um reflexo fiel da sua vida real o tempo todo, listando o que você faz ou onde está e com quem. Meu celular tem tecnologia pra entrar na internet e eu me conecto quando quero, sabe? Mas não sincronizo meu Twitter, meu Facebook nem meu e-mail com ele. Nenhuma janelinha vai pular dele enquanto eu estiver almoçando, no cinema ou dormindo. Eu escolhi que eu é que vou lá ver o que está acontecendo quando eu quiser – afinal, o celular está lá para me servir, não o contrário. Perceber isso faz muita diferença.

Um bom exercício em qualquer situação é aquele joguinho infantil dos “porquês”. Cheguei num restaurante com um amigo, mal tinha me sentado e ele pegou o celular dizendo “Já vou dar check-in!”. Eu perguntei porque, ele respondeu e perguntei mais umas vezes. No final das contas, ele não tinha motivo algum pra dar check-in ali. Não queria convidar ninguém ir pra lá também, não ia escrever uma crítica sobre o restaurante (esse é o propósito do Foursquare, não é?), nem queria se mostrar fodão (o lugar não era chique, nem caro, nem nada). Ele pareceu meio perdido, percebeu que fazia parte de um “rebanho socio-tecnológico” dos que fazem algo pois os outros também fazem, sem refletir sobre aquilo. O mesmo jogo serve pra ser feito antes de cada upload de foto, cada status novo. Que objetivo você quer alcançar tornando pública aquela informação pessoal sua?

Passou da hora de muita gente por aí amadurecer nesse sentido, saber separar as coisas. É uma campanha que pode parecer antiquada, mas poxa. Você está vivendo sua vida para você ou para os outros?


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os personagens urbanos que eu mais amo odiar


6 – O maluco do elevador
Só tem ele e você no elevador. Vocês dois descendo, indo pro térreo. Quando o elevador passa perto do quarto ou terceiro andar, ele sai de onde estiver e vai pra frente da porta. Mas, assim, frente mesmo; ele encosta a ponta do nariz na porta fechada! Mas o melhor é que depois que a porta abre ele não sai correndo, ele não estava com pressa alguma; ele quase comeu a porta do elevador pra sair rápido, mas você saiu depois e ultrapassou o cara em 2 passos. Oi?

5 – A amiga da empada
Perto do seu trabalho tem uma empada, uma padaria ou sei lá o quê. E lá é bom, então todo mundo vai todo dia. Super normal. Tão normal que quando tem uma pessoa a menos com a turma, a moça até pergunta cadê a tal pessoa. Super legal e educado. Mas começa a ficar meio estranho quando ela se intromete na sua conversa pra opinar sobre o caso que você contou pros seus amigos e quando ela começa a contar da vida dela e pedir sua opinião. Minha senhora, eu nunca vi a casa e não conheço seu ex-marido, como eu vou saber se o valor que ele vendeu o imóvel foi justo?

4 – A mãe entorpecida
A única coisa que me incomoda mais do que criança é mãe otária que acha que todo mundo têm que gostar do filho dela. Olha, quando uma criança vem na minha mesa, enfia a mão no meu prato e pega um pedaço do meu pão de queijo, eu espero que a mãe me peça desculpas pela falta de educação do muleque, xingue o menino e me ofereça outro salgado (e eu recusaria com um sorriso); certamente eu não espero que ela ignore o fato ou, pior, vire pro menino com voz de bebê e fale: “Que delícia esse seu pãozinho de queijo, heim”. Acorda! Seu filho só a pessoa mais importante do mundo pra você. Aceite o fato quando estiverem em público pelo menos. Tem coisa mais chata do que uma criança esguelando de chorar e a mãe do lado lendo um livro? Ele chora em casa o dia todo e você se acostumou, mas as pessoas ao redor não precisam (e nem devem) se acostumar. Tomem vergonha na cara; criança tosca pega mal pros pais também.

3 – Os playboys que gritam
Alguém me explica? Dá significado à sua vida colocar a cabeça pra fora da janela do carro e chamar um cara de viado? O que esse povo espera que vai acontecer no mundo depois disso? Aliás, o que achama que vai acontecer depois de buzinarem pra uma mulher gostosa na rua? Ela vai vir correndo pro carro? Ah, você acha que ela não sabia que ela era gostosa antes de você buzinar? Ou você acha que ela, mesmo não sabendo quem você é, tinha que saber sua opinião sobre a bunda dela? Parabéns. Freud tem notícias para vocês.

2 – As estátuas
Elas têm o resto do planeta mas param para fumar, conversar e apreciar a vista na única entrada do ambiente, no começo do corredor e no finalzinho da escada rolante.

1 – A tia do ônibus
Ela é a melhor/pior pois é a que tem mais variações. É a tia que, mesmo com o ônibus lotado, insiste em conversar (e alto) com a amiga que sentou no banco atrás do dela ou do outro lado do corredor! É a tia que não calcula bem o tamanho da mochila Company que carrega na barriga e sai empurrando todo mundo. Mas o melhor tipo de tia do ônibus é aquela ansiosa do asfalto, que não deixa ninguém entrar no ônibus antes dela e se garante com os braços abertos, como se tivesse na dança da cadeira em festa infantil. Aí, depois do corre corre todo e até de ter passado por cima dos velhinhos e deficientes que não conseguiram descer antes dela entrar, o que ela faz?? Para na roleta, abre a bolsa e começa a contar as moedinhas – deixando as outras 300 pessoas (com cartão e dinheiro já contado) esperando atrás. Amo!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Do pão de queijo ao leite condensado de hoje


Minha bisavó tinha uma receita de pão de queijo que era puro amor. A massa era gostosa e fofa e o salgado era sempre grande. Uma fornada saía sempre que eu passava meu dia por lá. Ele sempre era servido com café nessas xícaras cor de mel. Nunca gostei da bebida, nem das xícaras, mas esse cheiro ainda me lembra dessa época. Sigo um fã de pão de queijo, mas igual aquele nunca mais provei.

Outra diversão gastronômica que só tinha lá era Toddy. Sim, Toddy tinha em todo lugar – inclusive na minha casa -, mas era só com leite, óbvio. Mas com uns 5 anos de idade desenvolvi uma fascinação estranha por querer provar o pó nas colheradas. Gostava da sensação seca na boca e do esforço estranho para engolir aquela meleca sabor chocolate que era formada. Pelo nível de bizarrice da coisa, não me deixavam fazer isso em casa. Mas lá podia; casa de bisavó pode tudo. Lembro da textura do sofá onde eu sentava para ver desenho animado com um potinho de Toddy puro. Depois eu ia pro quintal catar tatu-bolinha.

Na casa da minha avó era outra história. Lá tinha Danette e flans, os doces mais chiques do supermercado. Atacava todos, assim como atacava os Yakults. Aqueles potinhos de leite fermentado, por algum motivo muito estranho, só entravam na minha casa se tivesse alguém doente por ali. Agora que cresci e não frequento mais a casa dos meus avós como antes, percebi que os doces ainda estão por lá. Na verdade, eles são os lanchinhos de madrugada no meu avô, que sofre de insônia. Mas ele nunca reclamou de me ver roubando as delícias.

Sorvete também era uma coisa rara de se ver em casa. Potes de 2 litros eram muito caros – na verdade, eu ainda acho que são. A raridade dava um gosto diferente à sobremesa e culpo esses episódios por hoje eu ser um tarado com o doce e não poder pisar em um self-service - minha taça vira sempre um grande nada gelado e super doce.

Tinha também o sorvete de um cara que vendia na porta do meu colégio – o Instituo Lídia Angélica, no Itapoã. Era R$ 1,50 o cascão (com cobertura!) e tinha só um sabor indecifrável. Acho que era abacaxi, mas o negócio era metade amarelo e metade rosa. O “creme holandês” da São Domingos tem o mesmo gosto. Acho aquele lugar uma chacota – pois é caro demais pra qualidade baixa de seus sorvetes -, mas quando passo lá, pego um pote sabor infância.

Vocês lembram que a Coca-Cola tamanho família tinha 1 litro? Cada um da casa tinha um copo durante a refeição do sábado e acabou, meu amigo. Hoje, 1 litro é o que eu levo pra dentro do cinema. Na verdade, acho que o hype todo da minha geração ao redor de produtos como Kit Kat, Nutella e Pringles é isso; é a vontade de só comer tudo aquilo que não podíamos.

Parece que estou reclamando da minha infância, mas não estou. E minha mãe me entenderia: minha avó sempre fazia doces bem legais, mas era dessas que raspava a lata até ao alumínio começar a sair. Por isso, com seu primeiro salário, minha mãe comprou um leite condensado só pra ela. Toda vez que me vejo abrindo mão de um arroz pra comprar umas caixas de bis e alugar uns filmes, digo uma frase que virou o mantra do mercado: “esse é o meu leite condensado de hoje. E eu mereço!”

Boa sexta.

domingo, 26 de junho de 2011

Ini-amigos

Um dia desses eu fiquei pensando em alguns amigos do passado, em como cada um de nós foi para um lado diferente da vida. Nessa categoria de amigos, existem variações menores: aqueles que eu nunca mais nem ouvi falar, aqueles que eu encontro de vez em quando, aqueles que só “vejo no Facebook” e aqueles com quem eu ainda saio e bebo e converso.

Pelo menos um de cada categoria pode ser considerado um ini-amigo. Pessoas que já foram muito próximas e que, por nunca lhe terem feito nada de ruim, você não pode simplesmente dispensar da sua vida. Mesmo que vocês conversem pouco, ninguém tem culpa de vocês conversarem pouco. Ok, soa redundante e babaca, mas eu sei que todo mundo tem alguém assim na sua vida.

O que me fez refletir sobre esse assunto? Bom, várias coisas. Uma dessas pessoas abandonou tudo que tinha aqui (o que não era muito, adiciono) para tentar a sorte em outro país, em outro continente. Admirável, corajoso e muito invejável.

Especialmente por mim, que não tenho peito suficiente para uma investida dessa. Os exemplos são vários e vários. Conhecidos que moram fora mas também os que estão casados com aquela pessoa que foi o seu primeiro amor, ou aqueles que arranjaram o emprego dos sonhos deles antes que eu encontrasse o meu. Etc, etc.

Por isso gosto do termo “ini-amigos”. É que há uma compreensão e um companheirismo em torno da pessoa mas, mesmo assim, há também um pingo de inveja dela ou pelo menos algum nível de competição entre a gente.

Sei que no cinema e na música posso buscar outros milhares de exemplos, então sei que não estou louco. Isso realmente existe na vida de todo mundo, certo?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Esteja aqui


Na última semana eu estava cercado de pessoas muito agradáveis. Metade dessas pessoas era formada por amigos de longa data, outra metade por novos conhecidos com quem me dei muito bem. Tínhamos bebido, estávamos dançando e cercados de pessoas animadas, fazendo a mesma coisa. No primeiro silêncio de falta de assunto, o rosto de todos eles brilharam. Mas não estou sendo metafórico.

Era o reflexo da tela do celular de todos eles. Verificando suas contas e citações no Twitter, Facebook e outras redes sociais. "O momento presente deixou de ser divertido, vou me atualizar sobre o momento presente dos outros". Parecia que a ação coletiva era essa. Eu não tenho esse hábito móvel. Eu trabalho no computador e online, e sempre dou uma olhada nesses sites mas, quando desligo o PC, me desligo deles. Por isso essas coisas me irritam, acho. Dá vontade de tacar os aparelhos alheios na parede, gritar “vida real!” e sair correndo pelado na rua. Mas eu me controlo.

Como disse Seinfeld, é como se a pessoa pegasse o telefone e comparasse aquele conteúdo com o que você está dizendo e decidisse o que é mais interessante. Como se ninguém conseguisse ficar focado numa coisa só por mais de alguns minutinhos. Como se essa grosseria não fosse equivalente à de abrir uma revista na sua cara enquanto você está falando e começar a ler suas páginas.



Isso tem um nome, sabia? É FOMO, sigla de “fear of missing out”, ou seja, “medo de perder alguma coisa”.

Jeena Wortham, do New York Times, escreveu um texto muito bom sobre isso, algo que todos nós já fomos testemunhas (ou somos participantes) sem entender direito mas sabendo, quase instintivamente, que algo nisso está errado.

O que as pessoas fazem, na verdade, é comparar o que estão fazendo e onde estão com o que os outros estão fazendo e onde eles estão. É como se houvesse um medo de que, estando aqui, você está desperdiçando sua oportunidade de estar naquela festa cuja foto alguém acabou de colocar no Facebook.

Parece rídiculo, é compreensível, mas não é nada mais que verdade. Se você está aqui, você não está em outro lugar. É muito simples. A vida toda, desde o começo, foi assim. Se você está com essa roupa, não está com aquela outra; se casou com fulano não casou com beltrano. Mas é que antes você não sabia em tempo real o que está acontecendo no resto do mundo em paralelo, né?

Tem um personagem no filme “Mensagem Para Você” (recomendo muito!) que faz uma observação interessante nesse sentido. Ele conceitua o vídeo cassete como um aparelho que serve para gravar a programação da televisão quando você sai de casa. Mas conclui que parte do objetivo de sair de casa, muitas vezes, é exatamente o de não ver TV. Certo?

De volta à matéria, a jornalista conta sobre uma amiga que se sentia de bem com a vida até abrir o Facebook e ver o status de alguém falando, por exemplo, que teve um filho, enquanto ela tem 28 anos e três colegas de quarto. Nessas ocasiões, ela disse, sua reação instintiva é, com frequência, postar um relato de uma coisa legal que fez ou uma foto divertida do seu fim de semana. Isso a faz se sentir melhor, veja bem. E, claro, deve provocar FOMO em outra pessoa.

Sherry Turkle, uma professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, diz que à medida que a tecnologia se torna mais onipresente, nossa relação com ela se torna mais íntima, conferindo-lhe o poder de influenciar decisões, humores e emoções. Mas é só se a gente deixar, claro. Suas redes sociais não precisam ser um reflexo fiel da sua vida real - listando o que você faz ou onde está e com quem - o tempo todo.

Tanto, que a jornalista perguntou a Turkle o que as pessoas poderiam fazer para lidar com esse dilema estressante do FOMO. Ela simplesmente disse para deixar o celular de lado um pouco.

E aí, você consegue?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O que eu aprendi com o Linux

Ou "Anedotas do Windows"

Já reparou que no Brasil até nome de coisa tecnológica é terceiro mundista? A galera no Maranhão tem projetos espaciais super legais, mas nada pode chamar Apollo, Starsix, Cybertud; tem que chamar Arara Azul, Saci Perêre, Aimoré. É assim que me sentia no Linux, no fim do mundo.

Confesso que quando a empresa resolveu trocar o sistema operacional de todos os computadores, tremi. Fui enrolando, trocando de lugar para ser o último da fila mas não teve jeito. Foram lá, me tiraram o Windows e instalaram uma coisa muita da maluca chamada Linux. Tudo é diferente no Linux. Não é Word, é BR Office, por exemplo. Sempre tenho preconceito com nomes assim.

É código aberto, é copyleft, é coisa e tal. Tudo bem, seus nerds, eu sei. Mas e daí? A barra de ferramentas está no lugar errado, tudo parece pesado e é laranja e que porra de pássaro esquisito é esse no papel de parede? Com o tempo, fui mudando o que podia ser mudado e me adaptando com o que não podia. Superei os nomes estranhos, os programas genéricos e ia me adaptando bem a eles.

Alguns dias atrás, veio a notícia:

- Gabriel, você deve deixar o Linux para trás. Ele não mais faz parte do seu trabalho. Eu sou seu pai.

Ok, tirando a parte da paternidade, a frase está certa. Voltaríamos ao Windows. Deixaria o Linux para trás, depois de tantos protestos abafados há mais de um ano. Por fora, ora comemorava, ora me fazia de desinteressado mas, por dentro, não queria voltar.

Não fui eu quem se adaptou ao Linux. O sistema operacional, outrora chamado de genérico, é que se adaptou às minhas necessidades. Mas voltar para o Windows, tudo bem, não seria o fim do mundo. Passada uma hora, enquanto eu recolocava pastas e favoritos no lugar, o Windows travou. Seria o primeiro – do já esquecido de tão inútil – control + alt + delete em anos. Algumas horas depois, vi que um documento importante havia sumido; culpa do Windows. Fiquei puto, mas o incidente gerou algumas piadas ao redor; risos dos não-afetados pelo problema.

Então elaborei uma teoria e, digamos, aprendi a lição. O Linux é o competente modelo. Não faz mais do que a obrigação de funcionar bem. Por isso mesmo, é pouco lembrado e pouco valorizado por aqueles que nunca interagiram com ele. Já o Windows, que dá erro pra caramba, é super conhecido, o piadista folgado, que faz o mesmo trabalho. Mas faz com um layout mais bonitinho e moderninho, de uma maneira menos estressada, chamando atenção e ganhando notoriedade.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Escorpianos


- ...Muita gente faz aniversário em novembro.
- É. Os filhos do Carnaval.
- Oi?
- Filhos do Carnaval, nunca ouviu isso? Que quem nasceu em novembro foi concebido em fevereiro. Carnaval.
- Que idiota.
- Idiota nada, faz as contas.
- As contas estão certas, a piada é que é idiota.
- Não é piada.
- Ah, então em fevereiro as pessoas só fazem sexo durante a semana do carnaval?
- Não, mas é que...
- O que? Você tá insinuando que eu fui um acidente, ou que minha mãe casou grávida, ou que nenhum casal casado faz sexo em fevereiro, só solteiros em micaretas?
- Meu Deus, não é isso, é que...
- É que o Carnaval cai em fevereiro todos os anos? E que, então, todo mundo que nasceu em agosto foi concebido no Natal?
- Não, aí não. Por que quem foi concebido no Natal nasceu em setembro. A não ser que a pessoa tenha sido prematura.
- Puta merda...

domingo, 7 de novembro de 2010

Hábitos alimentares são culturais, sabia?

O DJ e produtor musical Moby esteve no Brasil para participar do Festival UMF, que rolou no sábado passado, e aproveitou para falar de seu novo livro, “Gristle”, lançado em outubro e que trata do tema vegetarianismo.

“Gristle” é para qualquer pessoa que esteja repensando seus hábitos alimentares e as consequências da indústria que cria animais para alimentação. O músico se juntou ao ativista Miyun Park e reunu vários nomes para discutir o assunto – um grupo eclético que contém fazendeiros, atletas profissionais, cientistas, executivos de indústrias alimentícias e outros -, mostrando porque a indústria de abate animal desnecessariamente faz mal aos trabalhadores, às comunidades, ao meio-ambiente, à nossa saúde, aos nossos bolsos e, claro, aos animais.


Não comer carne é, para mim, uma opção mais saudável para melhorar meu estilo de vida já tão desregrado. Esse lado ético veio depois. Li que Paul McCartney parou de comer bicho depois de sair para pescar com os amigos. "Vi o peixe se debatendo dentro do barco, querendo se soltar do anzol. Percebi que a vida dele era tão importante para ele quanto a minha vida é importante para mim". Como alguém que passou mais da metade da vida cantando hinos de amor e comunhão poderia olhar para seu almoço e fingir que aquilo ali não era um animalzinho antes?

É engraçado. Quando você para de comer carne você começa a se sentir aquele personagem do filme de terror que tem certeza que viu os fantasmas, mas ninguém acredita. "Será que só eu vejo que o discurso que se usa para justificar a exploração dos animais é o mesmo que, no passado, usamos para defender a escravidão e a desigualdade de direitos entre homens e mulheres? Será que as pessoas não percebem que hábitos alimentares são questões culturais e de costume? Será que não compreendem que, como seres desenvolvidos e pensantes, não precisamos repetir o que nos foi ensinado como certo, que podemos questionar as coisas?"

Por essas coisas, não comer carne virou um pequeno protesto. É a minha maneira de boicotar uma indústria que destrói o meio ambiente e explora, tortura e mata animais. O que gastam com cereais e água para engordar o bicho que será morto teria sido muito melhor utilizado alimentando humanos que estão passando fome. E não precisa ser nenhum gênio para calcular isso. Claro que não há interesse comercial em parar de alimentar os bichos e simplesmente dar para os pobres, mas é mais um grupo que não quero fazer parte - junto ao grupo dos que enxergam as coisas da natureza meramente como matérias primas.

Eu adoraria estar cercado de pessoas que pensassem assim, não me sinto desconfortável com que não o faz, mas eu também não quero entrar em discussões com quem não está interessado em ouvir. Trata-se de uma escolha pessoal que não diz respeito à opinião alheia. Quer dizer, vegetarianos têm tanta certeza que estão certos que alguns acabam ficando chatos. Mas antes de atacá-los ou de sair por aí declarando seu amor por bacon, pelo menos reflita antes sobre o que vocês está abrindo mão versus o bem que você faz para mundo e para você.

Para ouvir depois de ler: The Smiths - Meat is Murder

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Prodepressivo


Nas últimas décadas, a indústria e a ciência desenvolveram remédios muito eficientes e com menos efeitos desagradáveis para tratar ansiedade, depressão e déficit de atenção, entre outras manifestações psíquicas. Isso é muito bom: tratamento mais seguro e eficiente para quem precisa. Para quem precisa. Mas estou achando que todo mundo se vê nessa lista.

É meio estranho como é moda falar que está estressado e deprimido. A doença do momento, por exemplo, é a bipolaridade. Mas se você tem variações de humor, você é normal. Bipolar é um transtorno psicológico grave. Sim, transtorno. E muito complicado de ser diagnosticado mesmo por profissionais. Piadinhas não deviam entrar nisso.

Tristezas, inseguranças, ansiedade e inquietações são normais na vida de qualquer um, mas passaram a ser facilmente medicados, tirando um pouco nossa responsabilidade de lidar e de resolver conflitos. A mãe vê o filho chorando e leva ele para a farmácia ao invés de sentar e conversar. Vivemos numa época onde as pessoas acreditam que é possível viver sem sentir nenhum tipo de dor física ou psíquica. Basta uma fincadinha na cabeça ou um mero ar nostálgico e já corremos para tomar uma aspirina ou um antidepressivo?

Se tem uma coisa que aprendi – e que já foi explorado aqui nesse blog – é que felicidade eterna não é algo alcançável. Felicidade é uma coisa mutável e, por baixo de suas oscilações, deve haver sim é uma paz de espírito.

Isso tudo sem contar que um remédio como Ritalina é um derivado da anfetamina, por assim dizer, e pode causar dependência. Ele deve ser usado por quem precisa e não por quem está atravessando uma fase de mais inquietação. E, do jeito que andamos, nem percebemos nosso vício. E eles estão começando cada vez mais cedo.

Que tal checar como andam seus pensamentos, valores e sua rotina antes de ingerir alguma nova pílula? Uma das suas missões – ou obrigações - é exatamente essa, aprender a lidar com emoções desagradáveis. A vida é sobre isso e obstáculos só existem para que sejam superados.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Algo que pensei nos últimos dias

Foi Santo Agostinho, no terceiro século da idade média, quem percebeu pela primeira vez a conexão da inveja com a constituição primeira do ser humano. Ele elaborou uma frase sobre seu significado: “Video, sed non invideo”, ou seja, “vejo, mas não in-vejo”. Quer dizer, então se vejo, posso invejar. O erro – não dele e sim nosso – é atribuir inveja ao desejo pelos objetos dos outros apenas. É possível ter inveja em vários níveis, inveja da aparência e dos valores de terceiros até.

Exemplo? Que tal um estudo da Universidade Estadual de Washington sobre egoísmo? Ele demonstrou que certos atos de altruísmo, ao invés de melhorar a nossa reputação, podem fazer com que os outros não gostem da gente.

Em uma série de testes, os pesquisadores dividiram os voluntários em grupos de cinco e deram a eles “pontos”, que poderiam ser guardados ou usados para “comprar” vales-refeição. E disseram que abrir mão dos pontos aumentaria as chances do grupo de receber uma recompensa em dinheiro. Na verdade, enquanto a maioria fazia trocas justas de um ponto por um vale, alguns dos membros dos grupos eram atores e agiam, propositalmente, de forma egoísta, segurando todos os pontos para si, ou altruísta, abrindo mão de vários pontos em troca de menos vales, para que o grupo todo recebesse a recompensa final.

O que aconteceu foi que, ao final, a maioria dos voluntários de verdade disse que não gostaria de trabalhar com os egoístas de novo, obviamente. Mas a surpresa foi que grande parte deles também declarou o mesmo sobre os bonzinhos.

Pois é, até a pesquisa diz, bonzinho só se fode. Esse ressentimento está associado à inveja, acho. Pois vem muito mais de uma vontade de “ser como aquela pessoa” do que “não quero que aquela pessoa seja assim”. Tanto, que era a caridade dos colegas desprendidos que fazia os outros se sentirem mal – é que, no meio dos diferentes, se você acha que eles têm razão, você se sente pressionado a agir da mesma forma.

Na mesma linha de raciocínio estão todos esses que têm preguiça de discutir sustentabilidade, vegetarianismo, reciclagem de lixo, autoconhecimento, consumo consciente. Eles sabem que são ideias e conceitos mais corretos do que aqueles que levam em sua vida pessoal, mas a falta de força de vontade para mudar traz uma culpa por ter essa preguiça de fazê-lo – e é ela que alimenta essa inveja travestida de raiva travestida de indiferença. Admitir que se fez algo errado é bom, mas não torna o erro melhor.

Não estou propondo muitas discussões aqui. É só algo que pensei nos último dias.

Para ouvir depois de ler: Oh No! - Marina and the Diamonds


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Passou, passou

Estava fazendo uma seleção de músicas que seriam interessantes de tocar em uma festa sobre a década de 1990. Havia muita coisa boa, muita coisa ruim e muita coisa boa-ruim na caixa de som. Nenhuma festa em que o setlist é restrito a algum período de tempo só pode ter música boa. Quando as músicas ruins de um certo tempo tocam, não são para serem apreciadas como composições. São para te trasportarem para um outro tempo, para você ouvir e ter a sensação de estar de novo em algum outro lugar, ouvindo aquela música e fazendo uma outra coisa - beijando alguém que já passou, por exemplo.

Mas o mais curioso foi que minha irmã, agora com 16 anos, passou perto e, sem saber o que eu estava fazendo, disse:

- Por que vocês está ouvindo isso? Essa música é tão velha!

Eu fiquei em silêncio, me perguntando como uma canção de 1999 pode ser considerada velha por ela, que ouve Marvin Gaye e que, recentemente, descobriu os hits oitentistas de Madonna e os sucessos de David Bowie?

Então me ocorreu. Ela ainda não é madura o suficiente para entender, de fato, uma festa de flashback. Mas já sabe, quase instintivamente, que músicas ruins passam e que só as realmente boas merecem ser ouvidas depois de seu tempo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Viu essa bagunça da "Men's Health"?


A edição de dezembro da revista de boa forma "Men’s Health" traz nada menos que seis chamadas de capa exatamente iguais às publicadas há dois anos, em outubro de 2007. Pelo visto, metade dos destaques da revista atual contém o mesmo texto da edição lançada há dois anos, incluindo as exatas 1.293 dicas para comer melhor.

Na capa atual, o ator sensação Taylor Lautner, do longa-metragem "Lua Nova", já na antiga, o fodão do Jason Stathem, de filmes como "Carga Explosiva", "Revólver" e "Snatch".

O diretor de redação, David Zinczenko, disse (aqui) que a repetição das chamadas faz parte de uma estratégia da marca: "Foi proposital, trata-se de uma ação conjunta dos nossos títulos", e, logo depois, afirmou que os assinantes receberam a publicação com uma capa diferente.

Bom, proposital a gente já sabia, pois ninguém consegue fazer isso aí sem querer, né? O Gawkor, blog onde eu li a declaração do cara, não caiu na balela e termina o texto pedindo novas explicações do editor e ainda zombando: "Faremos uma nova matéria e uma nova manchete para elas".

Casos como o do "KLB é homenageado pela ONU" (lembra disso?) são corriqueiros na era da internet. Uma revista copiar outra, a gente sempre vê. Não que esse pessoal esteja certo - aliás, pelo contrário - mas é bem comum. Agora, você confiaria em uma revista que republica matérias dela mesma? Essa é a pergunta rondando a ação da "Men's Health".

Vamos lá: são textos sobre saúde, muitos são frios, nada deve ter mudado. Por isso, acho bem válido republicar matérias ocasionalmente. Mas colocar mais de uma republicação num único número, todas da mesma edição antiga, e ainda com as chamadas idênticas e no mesmo lugar da capa já é desaforo demais, não? Sem contar a falta de respeito com o leitor.

Não foi a toa que a imprensa americana não engoliu a desculpa do editor e classificou a duplicação como nada mais que preguiça e descuido. É o famoso caso do "ah, ninguém vai perceber". Mas se tem uma coisa que a web mostrou pra gente foi exatamente isso. Sempre tem alguém que percebe.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O que esse povo pensa do futuro?

A chamada geração Y, que nasceu nos anos 1980, chegou ao mercado de trabalho. Mais do que esperado, isso gera um enorme choque. De um lado, empresas tradicionais e absolutamente hierárquicas, de outro, recém formados com planos de carreira almejando uma chefia até, no máximo, seus 27 anos. A crise mudou um pouco essa visão dos jovens, mas as empresas estão falhando na adaptação. É equivocado generalizar? Talvez. Mas vamos ignorar isso e seguir e você vai ver onde eu quero chegar.

O que acontece, e aposto que gente como Marcelo Tas me apoiaria nisso, é que os empregadores ainda tratam seu estagiário e trainee como o jovem perdido no mundo que está, por quase um favor, recebendo uma chance de aprender. Em 2009 essa é a maior balela do mundo. Afinal, quem está chegando agora no mercado de trabalho soma mais conhecimento do que era possível antes. Sim, pouca experiência profissional, mas no nível teórico, todos os profissionais de uma empresa estão nivelados quando o assunto é bacharelado, curso de inglês e palestras, sem contar que o jovem de hoje acumula experiências de vida muito diferentes das que seus chefes tinham quando começaram. Portanto, chega desse discurso.

A grande característica da minha geração é que ela foi criada à base do prazer. Meus pais tiravam boas notas pois era a obrigação deles. Eu tirava pois, passando de ano, ganhava um presente. Percebem a diferença? O grande coringa do jovem no mercado de trabalho é esse. Ele trabalhará horas à fio se for em algo que ele goste. Mas, ei, todo mundo sabe que nem todo mundo vai trabalhar em algo que gosta. E aí está outra característica desse pessoal que veio ao mundo na mesma época que eu. Nascidos e encastelados desde então, sucumbem na primeira crítica e não admitem estar errados, o que é um mega ponto contra eles no mercado de trabalho verdadeiro.

Nem todos, inclusive, estão a fim de se darem bem por conta própria. Como Millôr Fernandes disse, ninguém fala mais entusiasticamente de livre-empresa, de leis de mercado e "que vença o melhor" do que a pessoa que herdou tudo do pai. Minha geração não lidou de verdade com política ou guerras e se sente informada lendo sites superficiais. Isso é de um antagonismo gigantesco. Como vários dos de ontem, os jovens hoje falam sobre distribuição de renda, ecologia e sustentabilidade, mas tudo de dentro da casa dos pais, sem ter tido contato real com nenhum desses tópicos e planejando manter essa distância.

Qualidade de vida é isso pra essa galera, é garantir o seu. Não é necessariamente sair da casa dos pais e começar uma revolução na sua vida não. Esse povo quer deixar sua marca no mundo, fazer diferença, chamar atenção, mas com tudo garantido pelos pais antes. O carro, as viagens, o computador, a cerveja e as roupas de grife.

Todas essas características tendem a ficar mais agudas daqui pra frente, nas gerações a seguir, e isso me causa um certo medo. Já agora eu me vejo cercado de indivíduos hedonistas e egocêntricos, tratando tudo ao redor como descartável. No mercado talvez isso seja bom. Afinal, quem é qualificado e não recebe o aumento prometido diz “adeus” e começa em outra empresa logo demais. Mas sei lá...

Me preocupam – e também me fascinam, confesso – esses que não escolhem aprender e/ou se qualificar e os que vivem de freelancer, por exemplo. Eu estou pensando de forma limitada só aceitando empregos de carteira assinada, em já querer um mínimo de segurança para o futuro? É muito fácil se jogar no mundo sabendo que, se der uma merda, a casa dos pais estará seca, sã e salva para você no caminho de volta. Mas será assim pra sempre? O que esse pessoal pensa do futuro?

Quem descansa agora, trabalha muito mais amanhã. Só tô dizendo...

Para ouvir depois de ler: Smells Like Teen Spirit - Nirvana

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Entrevista com o fotógrafo Guillermo Riveros


Nascido em Bogotá, o fotógrafo Guillermo Riveros tem feito cada vez mais sucesso agora que mora em Nova York. Ele é o objeto de todo o seu trabalho, encarnando vários personagens. Gay assumido desde os 15 anos, ele acha o máximo que as pessoas se sintam inspiradas por suas imagens tanto para escrever poesias quanto para masturbação. Eu o entrevistei pro blog Oi Tudo em Cima. Lá está tudo traduzidinho, editado e cheio de links. Aqui está a versão original da conversa, perdoe qualquer deslize meu na língua inglesa.

When you decided to leave Colombia and go to New York?
I moved to New York in the summer of 2007.

And how did New York changed you and your work?
New York has been a great influence for me; on one hand its rhythm has definitely changed my creative process. This city is also extremely vibrant and filled with millions of different people that are very inspiring when creating characters. The availability of material has also influenced the way I work and the possibilities for creation. In Colombia things are harder to find and its complicated to go out on the street and shoot anywhere. Here in New York there are very few limits.


What others photographers you admire?
There are many artists I admire. Some photographers I can think of right now are Juergen Teller, Anthony Goicolea, Cindy Sherman, John Bidgood,Slava Mogutin, Nikki S. Lee and Claude Cahun. I love Bruce LaBruce's punk attitude, and his sense of humour, I think he is a unique mind, and the success of his images and movies come from being a very verbal and funny person. A sort of rebellious intellectual. He has influenced a lot of my ideas about pornography and art; he started a queer punk zine, called “J.D’s” in the late 80’s, that between queer music reviews and top hit lists, the lesbian Tom-of-Finland-inspired drawings of G.B Jones, LaBruce's stories, wanted to antagonize both the gay subcultures and the punk movement. He is one of the most significant and prolific queer artists of the past decades, he has been a huge influence for me since I started working with pornography and queer culture. I’ve been thinking lately about him and the motivations behind pornographic art and how this reflects in queer identities in the age of the internet. From home made porn to facebook profile pictures, flickr, myspace and other world wide web concessionaire/open diary type platforms, where a lot of queer identities are produced and reproduced constantly: the notions of self production, representation and - why not? - self "pornographication" become instantly noticeable and open up the arena for the discussion of bodies that are exposed and observed, in a virtual world where the boundaries of private and public are pretty much invisible.



And what about movies or books? What influences your work?
This is always a hard question. Above all I have to say that one of my favorite movies and books is "The Exorcist". Aside from that one, Its easier for me to think of directors I love, Pedro Almodovar, David Lynch and John Waters have been huge influences for me. Books, many, authors like Michel Foucault and Judith Butler. I'm currently reading Georges Bataille's “Visions of Excess” and Julia Kristeva's “The Powers of Horror”.

You're working on promoting new sets of smaller prints for more affordable prices, is that correct?
Yeah, thinking about the economic situation I want to make some smaller prints at affordable prices to make my work actually more approachable. I'm currently working all the specifics, if anybody is interested in getting more information join my mailing list by emailing mailinglist@guillermoriveros.com and check my website for updates soon!

Can't you say anything more than that?
Its Images from the series "Sigh Oh Nara!", a couple of them are alternative versions to the images you have seen on my website (just to spice it up a notch!) This will be editioned and signed packs of 5 4"x6" prints packed in handmade custom packaging...

Have you ever been to Brazil? What's your impressions of us?
I have never been to Brazil, but I'm dying to go there. There are so many Brazilian things I love: my friends, the music (I've been listening to the likes of Marisa Monte and Fernanda Abreu since I was a kid), off course the language (the music has always made me to want to learn Portuguese, which shouldn't be so hard considering how close it is to Spanish). I also love Brazilian food, I could eat muqueca and brigadeiro everyday!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quero ser amigo do Mika

Não sei vocês, mas eu gosto bastante das músicas do Mika. Quando ele surgiu eu torci o nariz e nem procurei saber do que se tratava. Mas resolvi – não faz mais que um mês – dar uma chance e baixei o primeiro álbum dele, “Life In Cartoon Motion”, e me surpreendi bastante. A voz feminina dele combina muito bem com as letras alegres que ele escreve.

Ele acaba de lançar seu novo single, “We Are Golden”, e eu estou doido para o CD novo dele sair logo. E ele também está. Afinal, desembolsar 25 mil libras em um bar não é uma coisa que a gente faz todo dia!

Mas, calma. Ele não bebeu tudo sozinho. Ele fez um convite a seus fãs pelo Twitter. “Festa hoje à noite no bar Ground Floor, na Portobello Road, 186. Bebidas são por minha conta. Vejo vocês lá. É sério, não estou brincando”. Eu iria e, claro, a galera foi! Mais de 300 pessoas atenderam ao convite e todo mundo ganhou um pint, que é aquele copo padrão de cerveja, com 570 ml, do cantor.

Achei fofo!

sábado, 5 de setembro de 2009

O protocolo de preocupação

Quando um amigo não está bem de saúde o que você faz? Pede pra ele te ligar caso precise de alguma coisa e só? Só. Eu não sabia muito bem o que esperar, mas foi isso que aconteceu comigo.

É uma interessante observação de um protocolo de comportamento comum entre as pessoas. Conto nos dedos – de uma mão – quem realmente ficou preocupado com minhas incríveis dores recentes. Existem níveis de gravidade, claro, o grau de preocupação evolui junto com ele, e não é como se eu estivesse com câncer ou coisa nem parecida. Mas pedras nos rins – mesmo quatro – são dignas de preocupação, não?

Sei lá. Nunca tive um amigo que teve isso e não sei como medir – apesar de que, agora que tive, entendo a dor e imagino que serei bem compreensível. Mas o que achei curioso é a repetição exata das coisas. Ninguém pôde oferecer mais do que isso e aí está a cilada da regra. Em que planeta uma pessoa passando mal vai ter a habilidade e perspicácia de ligar para um amigo ajudar caso esteja precisando de qualquer coisa? E que coisas entram nessa lista de “qualquer coisa”? Pois não é possível que a lista seja a mesma para seus amigos, pais e irmãos. É?

Enfim, eis o protocolo: no primeiro sinal de dor ela é só sua, você se vira. No segundo, quando você já foi examinado e aquilo que você teve já tem, também, um nome, o problema continua sendo seu. Mas todos vem perguntar se você melhorou. Se sim, fim. Se não, irão perguntar quando você vai melhorar – afinal, eles tem outras coisas para se preocupar e não podem ter um amigo doente nessa lista. Ele não é prioridade e ainda atrapalha a consciência leve das pessoas. Se a previsão de melhora é a longo prazo, de vez em quando eles perguntam como você está indo. E você responde “bem”. Mas não pense em dar continuidade a isso e se estender demais em explicações sobre sua patologia. Irão te interromper para falar sobre uma comida deliciosa de ontem e a festa sensacional que você perdeu, assuntos bem mais divertidos, convenhamos.

Não acho um absurdo e tampouco fico triste ou revoltado. Eu pago uma pessoa para me ouvir reclamar da vida quatro vezes por mês, não é essa a função desse blog.

E eu não me retiro do cenário também, pois criei uma resposta padrão para quem seguia o protocolo de preocupação. No final, eu praticamente nem falava nada e já mudava de assunto. Pra quê me estender em algo se, no final, enquanto eu falo, o interlocutor vai estar apenas pensando no que vai proferir a seguir?

Mas eis meu momento reclamação: não bastava meu pai, que tem cálculo renal praticamente todo ano, me passar esses genes de merda. Ele não fez questão nem de guardar a data da intervenção cirúrgica e me ligou um dia antes para saber se estava tudo bem. Posso?

É como diz o ditado: “O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso...”



Para ouvir depois de ler: Where You Lead - Carole King

domingo, 9 de agosto de 2009

Uma questão de controle remoto

Tudo que acontece na minha vida me lembra um filme que vi ou um livro que li. Não devia ser o contrário? Meus pais diriam que sim, meus amigos que não.

Diga: como você soube mostrar à primeira pessoa que amou que a amava? Inventou uma maneira ou se inspirou em algo que viu numa série de televisão? Tudo é uma versão de uma outra coisa? Que atire a primeira pedra quem nunca precisou copiar uma frase de um filme por aí.

Toda vez que aparece alguma medida contra a abordagem de alguns temas em certos horários na TV, vem uma galera falar que é censura. Mas a influência dos meios de comunicação é ilimitada. Não no sentido de que podem colocar o que quiserem na sua cabeça, mas é que aquela caixa no meio da sua sala não apenas te informa do que está acontecendo no mundo.

Quando os pais saem e os filhos estão ali, não há formação de opinião sobre política, há um noticiário de como anda a sociedade. Apresentadoras de desenhos animados com roupinhas curtas, rappers pegando no saco. Anúncios com modelos de 16 anos fazendo pose sexual e revistas pornográficas com mulheres vestidas de criança. Você acha mesmo que nada disso fica registrado de alguma forma na mente da molecada? Na minha ficou e aposto que minha analista concordaria.

Mas, ei, não estou dizendo que isso é ruim. Só é preciso ter cuidado para uma coisa não passar por cima da outra, principalmente na dicotomia corpo e mente. Eu tenho uma irmã de 15 anos e sei como as coisas podem fugir do controle.

Vão discordar de mim os mais conservadores, os mesmos que dizem que brincar na rua é mais saudável que vídeo game. Dirão que o melhor é trocar experiências com pessoas por perto. Bobagem. Não há como medir pior/melhor, são experiências diferentes e praticamente tudo que lemos e assistimos tem a experiência real de alguém como base - sem contar que uma coisa não exclui a outra. Na verdade, estamos compartilhando histórias que vem de gente do outro lado do mundo, coisa que era impossível tempos atrás.

Tudo no mundo tem um lado bom e um ruim.

Para ouvir depois de ler: The Machine – Regina Spektor

domingo, 26 de julho de 2009

Cantinho do leitor

No meio de mais uma semana confusa e, no meu caso, doente, recebi um desses e-mails inesperados que iluminam seu dia. Eis um trecho:

"Então, é assim. Você não me conhece nem nada, é só que eu queria te agradecer. Eu sempre leio seus blogs e já me senti confortada/amparada/chame do que quiser por muitas coisas escritas lá. E eu queria te agradecer por preencher a minha vidinha com as suas palavras, que, por incrível que pareça, já me inspiraram muito.”

Não vou bancar o inocente, sei que as coisas escritas por aqui podem ter algum tipo de impacto sobre os leitores. Meus blogs são terapêuticos, são textos escritos para tirar da minha mente algumas das minhas divagações e indagações. Nunca pensei em receber um e-mail desse, uma resposta desse tamanho, com esse peso. É complicado colocar em palavras como eu me sinto feliz lendo isso - especialmente vindo de alguém que não conheço pessoalmente.

Se alguém consegue tirar algo de bom pra sua vida das coisas que escrevo, eu posso morrer um homem feliz.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os gays mais ricos do mundo

Nessa mania maravilhosa de listar as pessoas mais ricas do mundo, a revista americana Forbes trouxe uma categoria que era novidade pelo menos para mim: os gays.

Você faz idéia quem são os gays mais ricos do mundo? Nem vou citar Elton John ou Valentino, né? Eles todo mundo conhece. Vamos à lista?

Lembrando que a revista só considera os assumidos, claro, e que o valorzinho ali é referente apenas à fortuna acumulada em 2008.

James Hormel, 76 anos: U$ 450 milhões
Herdeiro da maior empresa de carne processada do mundo. Depois de dez anos casado com uma mulher (e cinco filhos e treze netos) saiu do armário e começou a lutar pela causa gay. Tornou-se o primeiro embaixador gay dos EUA, nomeado por Bill Clinton.

Tim Gill, 55 anos: U$ 450 milhões
Criador do programa QuarkXpress. Vive com seu parceiro, o consultor financeiro Scott Miller, desde 2002 e preside duas fundações LGBT no Colorado.

Pierre Bergé, 78 anos: U$ 500 milhões
Viúvo/herdeiro de Yves Saint Laurent e dono da revista Têtu. Além de amiguinho de Carla Bruni.

Bruce Wayne, 61 anos: U$ 1,1 bilhão
Sim, gente. O Batman é gay mesmo! Tá, piadinhas à parte, ele é o inventor do Word Perfect, o processador de textos mais popular do mundo até a explosão do Windows. Espertinho, ele vendeu a budega antes e faturou 700 milhões de doletas.

Peter Thiel, 41 anos: U$ 1,3 bilhão
Um dos idealizadores do YouTube, maior acionista do Facebook e criador do Paypal. Tá bom?

Jon Stryker, 48 anos: U$ 1,8 bilhão
Além de ativista e arquiteto, ele é, com as irmãs, dono da maior fabricante de equipamentos hospitalares e cirúrgicos dos Estados Unidos.

Giorgio Armani, 75 anos: U$ 4,1 bilhões
Precisa falar? Simplesmente o designer de moda mais bem sucedido do mundo. E pensar que ele queria largar tudo quando seu companheiro morreu de AIDS em 85, hein? Ficou triste, mas Armani é workaholic!

David Geffen (foto), 66 anos: U$ 4,5 bilhões
Dono da Geffen Records, selo de artistas como Nirvana, Cher e John Lennon. Além de ser sócio da Dreamworks, produtora de Steven Spielberg responsável por “Shrek”, “Beleza Americana” e “Dreamgirls”. Dizem que teve um rolo com Keanu Reeves, mas vai saber.

Para ouvir depois de ler: Rich Girl - Gwen Stefani