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segunda-feira, 14 de março de 2011

Top 5 motivos para assistir "Mary Tyler Moore"

Do OTEC: Talvez você nunca tenha ouvido falar, mas “The Mary Tyler Moore Show” merece muito a sua atenção. O seriado contava a vida de Mary Richards, uma mulher de 30 anos, solteira, que trabalhava como produtora de TV em Minesota, Mineápolis. O seriado, que ganhou 6 Emmys e 3 Globos de Ouro, significou muito na época e ecoa em várias produções até os dias de hoje.

No Brasil, chegou a ser exibido pela Globo na época e teve reprises no Multishow vários anos depois, mas até hoje não há uma edição nacional dessa pérola em DVD. Uma pena, pois é dessas que o humor sempre parece fresco. Então resolvi fazer essa lista. Eis os motivos que você tem para procurar mais sobre essa série!

5 – Você estuda ou é formado em comunicação social
Mary Richards trabalha na redação de um jornal diário. Acha complicado imaginar alguém fazendo jornalismo numa época sem celular, xerox, computador e muito menos internet? Bom, te digo que era possível fazer, era bem feito e a série representava isso sem ser piegas. A redação não é o destaque no contexto de “Mary Tyler Moore”, mas é bem interessante ver os bastidores de um jornal dos anos 70 com personagens tão ricos quanto esses. Sério, me dá muita vontade de trabalhar com eles.

4 – Você gosta de coisas retrô
E a moda é cíclica, vocês sabem. O seriado foi exibida de 1970 até 1977 e revê-lo é um passeio profundo na moda da época. E com moda eu quero dizer roupas, acessórios, sapatos, decoração e cabelos. Tanto dos homens quanto das mulheres. É muito bom assistir e se pegar com todo tipo de pensamento, desde “que roupa baranga é essa?” até “vi um vestido desse no shopping ontem”. Só aquela abertura, com “Love is All Around”, já vale a viagem!

3 – Oprah aprendeu com ela
Oprah Winfrey já falou milhões de vezes que foi com essa série que ela aprendeu a se colocar em primeiro lugar, a se valorizar, e hoje ela ultrapassou a fase de ser a apresentador mais bem paga do mundo e inaugurou seu próprio canal de TV. Hum, então deu certo. No cenário do show, Mary tinha uma letra M colocada em uma parede e a apresentadora confessou que, assim que alugou seu próprio apartamento, mandou fazer uma letra O para pendurar por lá. Em 1997, ela chegou até a refilmar a abertura da série.

2 – Você tem alguma opinião sobre “Sex and the City”
Não importa qual. Se você acha as garotas super modernas por serem solteiras ou se acha todas bobocas por terminarem a série casadas, precisa ver as de “Mary Tyler Moore”, que eram muito mais convictas de sua solteirice e muito mais felizes assim. Sem contar que os anos 70 foram o ápice da conquista de direitos femininos e a série reflete isso muito bem, tendo apenas mulheres independentes, poderosas e bem humoradas no elenco. Pegue a personagem Sue Ann, por exemplo. Apresentadora de um programa para donas de casa, sobre tarefas de limpeza e receitas culinárias, nos bastidores era a mulher mais ninfomaníaca que a TV já tinha visto (e podia ver) na época. Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha ficariam chocadas.

1 – Você gosta de “Friends”
David Crane e Marta Kauffman, criadores da série sobre os amigos, amam o seriado antigo e chegaram a dizer que Monica é baseada em Mary e Rachel em Rhoda, a melhor amiga dela na história setentista – ou seja, as letras iniciais não são coincidências. Basta uma amostra de poucos episódios para ver que algumas histórias foram chupadas daqui – Joey é igual Ted e Chandler é quase um outro Murray. Isso tira o mérito de “Friends”? De jeito nenhum. Fazer coisas completamente inéditas vai ficando cada vez mais complicado com o tempo. A arte hoje é se inspirar e levar a coisa para um outro nível de relevância. E “Friends” fez isso muito, muito bem. Mas é sempre bom ir à fonte, certo?

domingo, 16 de maio de 2010

Futebol é muito chato

Eu não quero ser do contra e reclamar por reclamar. Só quero dizer como eu detesto futebol. Não o esporte categoricamente, mas viver no país onde ele está acima de coisas muito mais importantes.

Se o seu personagem favorito da série “Friends” é a Monica e o meu é o Chandler, a gente explica por que, cita uns episódios, morre de rir e a conversa acaba. No futebol, as pessoas ficam em uma competição sem fim sobre como seus times são melhores que o outro, sendo que – apesar de todos serem muito parecidos – uns estão ganhando ou perdendo partidas, torneios e campeonatos. Ou seja, são fatos. E contra fatos não existem argumentos. Não interessa se pelo menos o fulano fez o passe certo ou errado, interessa que seu time perdeu, então fim da discussão. Seu time é ruim.

Mas a coisa mais irritante é como o esporte é um fator social. As pessoas te perguntam seu nome, idade e time pra qual torce, como se isso definisse seu lugar no mundo, seu caráter ou algo. Mais sentido faria perguntar seu livro favorito, uma pergunta que identificaria hábitos de leitura, gosto e nível de desenvolvimento mental e emocional. Perguntar seu time só esclarece para o interlocutor de que lado do estádio você senta e de que cor é a camisa/outdoor ridícula que você usa pela rua nos dias que seu time ganha ou que o time rival perde.

Outra coisa absurda do futebol aqui na terra dele é que todos os fanáticos usam xingamento extremamente rudes, preconceituosos e ofensivos até para quem não tem nada a ver com a história. A tradição manda os ganhadores chamarem os perdedores de “bicha”, “viado” e coisas assim. Nunca entendi muito bem isso. Só sei que é por isso que estamos tão atrasados nesse país em relação a direito dos homossexuais. Pois vivemos numa vala de homofóbicos considerados “machões” e “espertos”, amantes do futebol e com vergonha de defender o que eles consideram diferente, feminino, delicado ou errado.

E se a final do campeonato tal é na quarta-feira, o jogo termina muito tarde. As pessoas bebem em grupo, de frente para a TV e dormem no sofá. No dia seguinte, duas horas de atraso são aceitas no emprego. Uma falta é aceita se for um time ou um título muito importante. Isso é inacreditável, porque se eu perdi um episódio de “Big Bang Theory” fazendo hora extra no trabalho e quiser ver a reprise que passa uma da manhã, o problema é meu pra acordar amanhã. Chefe nenhum vai deixar de me descontar o atraso. Se eu for discotecar numa festa na quinta-feira, saio de lá às 4h e trabalho às 9h. O Oscar termina às 2h de uma segunda-feira e eu tenho que me virar. Mas ai de mim de precisar que me enviem um texto urgente em dia de jogo do Brasil.

Outra coisa péssima em futebol é que esportistas – principalmente os de esportes em grupo – geralmente são feios, não têm carisma e são todos muito parecidos. Você folheia um álbum da Copa completo e não vê a menor diferença entre as páginas com exceção da cor de pele e dos uniformes. Aliás, uniformes de time são uma puta de uma coisa imbecil. No campo, eles identificam de que lado cada um está. Aí, na sua vida, ele não tem papel nenhum. Mentira, tem sim.

Sabe carnaval de micareta? Eu acho aquilo a coisa mais imbecil do mundo. É um ritual primitivo absurdo colocar todo mundo num mesmo lugar, ouvindo a mesma merda, dançando exatamente do mesmo jeito e ainda por cima usando a mesma roupa. Usar uniforme de futebol – quando não se é jogador – tem essa função. Você faz parte de um grupo maior, de um coletivo. Que pobreza de espírito, não?

Enfim, falei mais do que planejava. Não é pra criar polêmica, é só para que as pessoas pensem no assunto e no conceito de “prioridade”. Quando o futebol está na TV, não foi o mundo que parou pra assistir, foi apenas você que perdeu qualquer perspectiva de realidade. Especialmente a da diversão, que é o que todo esporte devia causar no não-praticante. Afinal, esporte faz bem pra saúde e se você já não está praticando, e sim apenas assistindo, que ele te cause prazer, pelo menos. E não guerra, discussões, brigas e piadas de péssimo gosto.

Para ouvir depois de ler: Human Behaviour - Björk

domingo, 18 de outubro de 2009

Motivos para eu não ver TV

* Eu não tenho tempo. Rotina de trabalho de 8h as 18h mais aula das 19h as 22h torna meio complicado ver televisão. Especialmente no último semestre de faculdade. Me sobra o final de semana, que é reservado para coisas mais importantes que TV - uma lista deveras longa.

* Há muito lixo na TV. quando coincide de eu estar a toa em casa, melhor alugar um filme ou ver algum seriado que tenho em DVD. Faustão? "Fantástico"? Otávio Mesquita? Matérias tendenciosamente mal apuradas da Record? Não, obrigado.

* Eu não acho a vida de médicos legistas tão fascinante assim. Aliás, de médico algum - e isso exclui da minha rotina pelo menos 15 seriados de TV. Está aí, inclusive, um profissional dos mais chatos, terroristas e prepotentes do universo.

* "Big Bang Theory" e "Skins", por exemplo, tem seu valor. Mas não tem "Gossip Girl" ou "The O.C." capazes de superar os risos que dei e as lições que aprendi com "Friends", "Seinfeld", "I Love Lucy", "Gilmore Girls", "Mary Tyler Moore" e "Sex and the City". Por que eu perderia meu tempo tentando? Assistir algo só pois todos estão assistindo é algo que não faço desde os 10 anos de idade.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Xuxa, colabora

Lembro muito bem que, no ano passado, uma chamada do Programa Amaury Jr. que entrevistou a Xuxa dizia: “De férias na Disney com a filha Sasha, ela concedeu uma entrevista corajosa onde acusa a televisão brasileira de não dar atenção para as crianças. E, quando dá, pensa primeiro em retorno financeiro e em índices de audiência, jamais na educação.”

Fiquei perplexo com afirmação. Não que não seja verdade, mas de sair da boca da suposta rainha dos baixinhos. Algo me cheirou a busca por redenção. Depois que teve uma filha, Xuxa entendeu bem melhor seu papel e sua influência na TV brasileira.

Ela passou a apresentar seus programas vestida e não fez concessões - mesmo quando sua nova fórmula educativa amargou pouca audiência – e, imagino, desfez o tal pacto com o capeta. O estrago com as meninas que engravidaram na adolescência e com as que sofreram por se acharem fora do padrão loira-magra-branca das Paquitas já estava feito, mas isso não vem ao caso.

Conectada ao Twitter, Xuxa sofreu um pouquinho nos últimos dias, mostrando absoluta falta de intimidade com a ferramenta online. Além de escrever todos os textos em letra maiúscula e dos inúmeros erros de português, foi a vez de sua filha, Sasha, escrever uma palavra errada. As correções vieram dos internautas e deixaram a apresentadora puta da vida, a ponto de postar:



Ah, ok. Uma menina de 11 anos, brasileira, filha de brasileiros e que mora no Brasil, foi alfabetizada em inglês?

Os últimos acontecimentos só mostraram o que todos suspeitavam: o sucesso é perigoso. Como observou o jornalista Mauricio Styver (aqui), o Twitter apenas tornou possível uma coisa há tempos sonhada: xingar a TV e ser ouvido. E Xuxa, endeusada e isolada em seu castelo, não estava preparada para enfrentar a realidade. E o vídeo ridículo do tal fã Davis Reimberg só mostra como o povo brasileiro, alienado que só ele, precisa desesperadamente de novos ídolos.

Agora, rolou o boato de que a apresentadora ia dar uma de Daniela Cicarelli com YouTube e ameaçou processar e censurar o Twitter. Faz-me rir. Xuxa, colabora com a gente e volta pra sua vidinha intocável, por favor? Cercada de puxa-sacos você faz um bem para o resto do mundo que, por consequência, fica bem longe de você.

domingo, 9 de agosto de 2009

Uma questão de controle remoto

Tudo que acontece na minha vida me lembra um filme que vi ou um livro que li. Não devia ser o contrário? Meus pais diriam que sim, meus amigos que não.

Diga: como você soube mostrar à primeira pessoa que amou que a amava? Inventou uma maneira ou se inspirou em algo que viu numa série de televisão? Tudo é uma versão de uma outra coisa? Que atire a primeira pedra quem nunca precisou copiar uma frase de um filme por aí.

Toda vez que aparece alguma medida contra a abordagem de alguns temas em certos horários na TV, vem uma galera falar que é censura. Mas a influência dos meios de comunicação é ilimitada. Não no sentido de que podem colocar o que quiserem na sua cabeça, mas é que aquela caixa no meio da sua sala não apenas te informa do que está acontecendo no mundo.

Quando os pais saem e os filhos estão ali, não há formação de opinião sobre política, há um noticiário de como anda a sociedade. Apresentadoras de desenhos animados com roupinhas curtas, rappers pegando no saco. Anúncios com modelos de 16 anos fazendo pose sexual e revistas pornográficas com mulheres vestidas de criança. Você acha mesmo que nada disso fica registrado de alguma forma na mente da molecada? Na minha ficou e aposto que minha analista concordaria.

Mas, ei, não estou dizendo que isso é ruim. Só é preciso ter cuidado para uma coisa não passar por cima da outra, principalmente na dicotomia corpo e mente. Eu tenho uma irmã de 15 anos e sei como as coisas podem fugir do controle.

Vão discordar de mim os mais conservadores, os mesmos que dizem que brincar na rua é mais saudável que vídeo game. Dirão que o melhor é trocar experiências com pessoas por perto. Bobagem. Não há como medir pior/melhor, são experiências diferentes e praticamente tudo que lemos e assistimos tem a experiência real de alguém como base - sem contar que uma coisa não exclui a outra. Na verdade, estamos compartilhando histórias que vem de gente do outro lado do mundo, coisa que era impossível tempos atrás.

Tudo no mundo tem um lado bom e um ruim.

Para ouvir depois de ler: The Machine – Regina Spektor

sábado, 20 de junho de 2009

- Sua garota é adorável, Hubbell



Talvez algumas pessoas não possam ser domadas. Talvez elas tenham que correr livres até que achem alguém tão selvagem quantos elas para correr junto.

Para ver depois de ler: Monster Box Sex and the City

terça-feira, 2 de junho de 2009

Guerra Fria

Faltam 10 dias para o dia dos namorados e eu estou solteiro. Quer hora mais cruel para começar a assistir um box com todos os episódios de todas as temporadas de “Sex and the City”?

“Mas essa não é uma série sobre quatro amigas solteiras e independentes que só trepam sem parar e mostram que não precisam de homens?”, você me pergunta. Bom, não. Loucurinhas à parte, no final das contas, o bom mesmo é ter alguém do seu lado. Mas são fases. Todo mundo tem um momento na vida que quer ficar quieto e outro que quer sair catando geral.

Logo nos primeiros episódios me vi diante de uma questão que sempre presenciei, mas não tinha estudado direito: a guerra fria entre solteiros e casados. Em um momento vocês são amigas, mas basta uma começar a namorar que, diante do parceiro, você é uma concorrente em potencial. O que fazer? Bye bye, amiga. Afinal, amigas te ajudam a escolher bolsas, mas não tem uma barba por fazer para roçar no seu cangote.

Mas não me entendam errado. Esse tipo de fenômeno não acontece com freqüência – ou pelo menos não é descarado. Afinal, por que meus amigos teriam ciúmes de mim? Eu não represento ameaça nenhuma para eles – e na melhor das hipóteses, eu seria um bom padrinho de casamento.

Acontece que essa guerra é particularmente intensa no mundo gay. Por cima, diria que setenta por cento dos caras que se encontram em um relacionamento não tem vergonha de admitir - pelo menos a si mesmos - que aquele compromisso só é sério se ninguém mais interessante aparecer. É como uma vaga de emprego. Se vão te pagar melhor, por que não mudar? E mesmo se o salário for igual: se for algo mais prazeroso, eles estarão de saída.

Então a guerra fria rola em duas versões por aqui: solteiros versus casais e casais versus outros casais. Ninguém deixa de ser um trapaceador em potencial. É triste ou excitante? Pode escolher. Tudo que posso dizer nesse ponto é que é exaustivo. Cansa muito viver num mundo onde “ter alguém” quer dizer “não ter outra pessoa”. Perde-se tanto com isso! No final das contas, você teve todos – mas não tem ninguém.

Eu sei que estar “sozinho” é diferente de estar “solitário”, mas esse é um desses assuntos que não dá para desenvolver com basicamente ninguém – pois não quero contar aqui minha psicóloga nem minha cadela. Certos aspectos do meu estilo de vida não podem ser discutidos com quem está fora dele e, ironicamente, nem com quem está dentro.

Todos são muito diferentes e eu preciso categorizar as pessoas ao meu redor. Com um falo só sobre algumas coisas, com outros eu falo sobre outras. Funciona bem durante o dia, mas, de noite, não consigo sentir que estou sendo cem por cento eu diante de absolutamente ninguém – pois novamente não vou contar a psicóloga nem a cachorrinha.

Para ouvir depois de ler: Sick & Tired – The Cardigans

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Nova Alguma Coisa

Não é segredo que Gilmore Girls está entre as minhas séries favoritas, cheia de boas piadas sobre a sociedade. Lembrei hoje de um episódio que se passa em um chá de bebê. As personagens principais, Lorelai e Rory, ficam surpresas ao perceberem que estão cercadas de objetos, roupas e presentes da cor verde. Afinal, o bebê é uma menina. Uma delas então comenta: “achei que rosa era cor de menina”.

- Ah, não. Rosa não. Você não leu a Vogue desse mês? Verde é o novo rosa.

Ok, pára tudo. Por que diabos as revistas femininas insistem tanto em nos ensinar que "o novo aquilo" é "aquilo outro"?

As blogueiras Juliana Sampaio e Laura Guimarães reuniram exemplos (reais) desse novo tipo de abordagem: “O novo champanhe rosé é o coquetel”, “O novo florido é o manchado”, e o pior de todos, “A nova fulana de tal é a beltrana”. Maldade isso, não? E a fulana de tal faz o quê? Se mata?

Claro que não. Basta esperar até a abordagem jornalística do próximo mês. Se fulana não tiver uma volta triunfal, poderá ser a “nova” alguma outra pessoa. Mas não vamos colocar toda a culpa nas revistas femininas pois a modinha está em todo lugar, já assimilada na cabeça de muitos. Nunca reparou? O novo “meu filho é um capeta” é o “meu filho tem TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade)”, por exemplo.

Mas acho que nada disso me atinge (quiçá os leitores deste blog). Na minha vida está mais que comprovado que “viver como eu quero” é o novo “seguir as tendências”.

Para ouvir depois de ler: Incomplete - Alanis Morissette

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vontade de ver filme de terror

Eu sempre tive uma queda por filmes de terror. Mas é estranho reparar como minha fascinação pelo gênero passou. Não sou grande fã de “Jogos Mortais”, por exemplo. Mas “A Profecia”, “Brinquedo Assassino” e “A Noite dos Mortos-Vivos” são filmes que eu sempre quero assistir se estiver passando.

Quando eu era criança eu precisava implorar pra meus pais me deixarem ver algum deles. Quando finalmente consegui permissão para alugar “O Exorcista”, lembro de ter pedido ao balconista da locadora: “Se eu não tiver coragem de colocar no vídeo-cassete, deixa eu devolver sem pagar?”. A resposta foi negativa, claro.

As noites do SBT eram cheias de zumbis comendo miolos e seqüestradores de crianças que usavam máscaras de palhaços. E “A Hora do Pesadelo”? Um molestador de crianças é queimado vivo por um grupo de vizinhos e volta para assustar as crianças em seus sonos? Genial. Isso que é argumento de filme!

E “Sexta-Feira 13”? Outro clássico toda hora lembrado. Fui pesquisar e foram feitos nada menos que 10 fucking filmes com o psicopata Jason. O cara é fera: com seu macacão, máscara de hockey, facas ou serras, ele sai matando tudo que vê pela frente. Os roteiristas bem tentam inventar uma historinha, mas tanto faz. A gente quer mesmo susto e sangue.

Tudo recomeçou com a trilogia “Pânico”. Eu era um pré-adolescente e achava o máximo aquelas histórias de serial-killer, máscaras e longas explicações no final – sem contar as várias referências que eram feitas a outros filmes. Depois veio “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado”, “Lenda Urbana” e vários outros dos quais meu favorito deve ser “A Bruxa de Blair”. Rodado em VHS e apresentado como uma história real.

Me deu uma vontade louca de rever todos esses clássicos de terror hoje...

Para ouvir depois de ler:
Thriller - Michael Jackson

domingo, 7 de setembro de 2008

Invasão nerd

Há um bom tempo eu percebo isso. Óculos de aro grosso, coletes xadrezes ou listrados, cabelos bagunçados. Vestir-se como nerd está na moda. Mas não é camisa pólo toda abotoada, com jaleco, canetas no bolso e gravata borboleta. Afinal, ninguém é assim de verdade, só no filme “A Revolução dos Nerds”. Bom, era isso que eu pensava. Mas larguem seus bonequinhos de “Star Wars”. Estreou ontem a segunda temporada do reality-show “The Beauty and the Geek”, meu novo programa de TV favorito.

É assim: uns nerds muito dos sem noção fazem dupla com perfeitas bimbo-girls, aquelas gostosonas pra lá de burras. A intenção é que elas fiquem mais inteligentes e eles mais sociáveis. A dupla que fizer isso melhor, no final, sai com a bolada de 250 mil dólares.

Trata-se, portanto, de um experimento social! E, vou te contar, dá medo. Tem um cara que resolve um cubo mágico, sem olhar, em 12 segundos! Tem uma moça que disse que acha que seu QI é 3,5. Outro me chega e tenta impressionar seis loiras peitudas dizendo “Eu sou presidente do Clube de Xadrez”. Meu favorito é Josh Herman (foto). Formado em psicologia e cinema, ele mal consegue ficar perto de uma mulher. Gagueja e começa a suar. Hilário. De tão nervoso, não conseguiu dormir no mesmo quarto que sua dupla e foi dormir no chão, dentro do armário.

A intenção parece ser mostrar que ninguém é melhor que ninguém ali – o que causa situações muito engraçadas. Na primeira tarefa do game, um simples jogo de perguntas e respostas, elas não sabiam que existe mais de um tipo de parafuso ou quem é John Kerry. E eles não sabiam coisas como quem é o pai dos filhos de Britney Spears ou quem venceu o primeiro American Idol.

A série é produzida por ninguém menos que Ashton Kutcher e parece que está indo bem. Lá fora está em seu quinto ano já. Independente de quem ganhar, o legal é ir acompanhando as mudanças, vou tentar. Recomendo.

Para ouvir depois de ler: Charmless Man - Blur

domingo, 17 de agosto de 2008

Sobre almas gêmeas

Um episódio do seriado “Sex and the City” me intrigou. Questionada se John era sua alma gêmea, Carrie começou a pensar, antes, no conceito de alma gêmea. Afinal, tem gente que acredita e tem gente que não. E isso já dá margem pra discussão.

Diz-se que todo mundo vem ao mundo destinado a uma pessoa, que vai lhe completar e viver feliz para sempre com você. Portanto, a ironicamente fácil tarefa que nos resta é achar tal pessoa. Mas começam as dúvidas logo aí. Se você não encontrar, significa que não será feliz com mais ninguém? E se você acha que encontrou e não dá certo? E como assim destinado a uma pessoa? A alma gêmea da moça precisa ser um homem, então. Funciona assim? Lésbicas não têm alma gêmea? E, se tanto faz o sexo, o que acontece se a alma gêmea de um cara hetero for outro cara? E se sua alma gêmea vir a falecer?

Eu acredito em amor à primeira vista, mas não em almas gêmeas. Aliás, acredito em amor de alma gêmea. Por que não importa se você é apaixonado pelo fulano desde o colegial ou desde ontem, pra relação dar certo é preciso esforço. E se todos se esforçarem o suficiente, vai dar tudo certo. E serão almas gêmeas. Não tem dessa de metade que completa o outro. Todo mundo já está completo e deve ter maturidade para se fazer pronto para compartilhar o que acumulou e se sentir bem ao receber a sabedoria alheia também.

É aquele caso de amar por amar. Depois de um tempo, as coisas físicas saem de cena. Você deixa de amar o bom-humor, o visual, o fogo na cama. Tudo está lá, faz parte, é agradável, mas não são mais essas coisas o combustível da relação. Amor em nível de alma é isso, beira o incondicional. Almas gêmeas não se acham, são construídas.

Para ouvir depois de ler: Incomplete – Alanis Morissette

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Panelinha Sessão da Tarde

E não estou falando da panelinha de brigadeiro ou de pipoca que você fazia pra acompanhar o filme não.

Qual é o critério pra um filme passar na Sessão da Tarde? Bom, um deles é ter sido lançado há, no mínimo, 10 anos. Vira mexe e vemos grupos de crianças – que agora são adultas ou já morreram – buscando tesouros; aquele grandalhão cuidando de um jardim de infância; aquele loirinho sozinho em casa ou Brooke Shields com 15 anos de idade na “Lagoa Azul”.

Você não tem a impressão de que são sempre as mesmas pessoas? Eu imagino o Steve Martin lendo um contrato que traz uma cláusula pequena, parágrafo único, sobre Sessão da Tarde. Porque eles devem ganhar dinheiro com isso, né? Pode-se dizer que, se cai um centavo na conta bancária do ator cada vez que ele apronta confusões na tarde da Globo, boa parte da fortuna de Eddie Murphy veio daqui.

Me emprestaram o DVD de “Os Goonies” e ouvi reclamações dele não ter uma versão dublada. Taí outro requisito da Sessão da Tarde: filme dublado. Afinal, sempre são comédias, romances, infantis ou tudo junto. Impressionante como “Esqueceram de Mim” fica diferente no idioma original. E a voz dublada do Bruce Willis, que ótima? E a da Whoopi Goldberg!?

Por falar em “Goonies”, o roteiro é de Chris Columbus. Ele é o diretor de “Esqueceram de Mim” e do primeiro filme da série do bruxo Harry Potter. Os sensacionais “Uma Babá Quase Perfeita” e “Gremlins” também são dele. “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, aliás, faz dez anos em 2009. Em breve está passando depois do Vídeo Show e o ciclo se fecha. Essa era a panelinha que eu queria apontar. Chris Columbus domina a Sessão da Tarde! Tá, mentira. Temos que levar em conta “Meu Primeiro Amor”, “Edward Mãos de Tesoura” e “Indiana Jones” também. Mas seja na produção ou no elenco, parece que é sempre o mesmo povo. Vou pesquisar isso...

domingo, 3 de agosto de 2008

Sábado com Fernanda Takai

Sabe o programa “Tira Onda”, do canal de TV por assinatura Multishow? O conceito é simples: com câmeras escondidas ao seu redor, uma personalidade se disfarça de pessoa comum, por assim dizer. Juliana Paes tirou onda como balconista de livraria, Daniele Suzuki como caixa de supermercado. É a primeira vez que o programa vem a Minas Gerais e a gravação será com Fernanda Takai. Saio correndo atrasado e paro no Mercado Central, aqui em Belo Horizonte. Acho o pessoal e ouço as instruções. Vou ser assistente de produção do programa.

Fernanda Takai chega, sempre simpática e sorridente. Diz “obrigada” a todos que passam e gritam elogios e depois conversa com as produtoras do programa. No total somos cerca de 16 pessoas, sendo que mais da metade veio do Rio de Janeiro. Fernanda vai se passar por uma atendente de uma loja que vende ervas e raízes.

Primeiro foi preciso, com muito custo, esvaziar um corredor para Fernanda gravar uma passagem – a abertura do programa onde ela se apresenta e diz onde está. Essa não é uma tarefa fácil levando em conta que o Mercado Central é um dos lugares que mais passa gente nessa cidade. E era uma da tarde de sábado! Mas ainda não era essa a parte mais difícil.

Vimos onde estavam as câmeras e, sem interferir no fluxo natural dos clientes da loja, precisaríamos pegar a autorização do uso de imagem de todas as pessoas que passassem na frente delas! E forem bem lá umas mil pessoas, no mínimo. Algumas simpáticas, outras super grossas, fomos tentando recolher permissões durante toda a gravação, que durou cerca de duas horas.

Todo mundo super cansado, mas feliz com o término da gravação. Deu tudo certo no final – sempre dá – e agora é hora de todos almoçarem juntos (às quatro da tarde). Não foi fácil pegar uma mesa pra vinte pessoas no Casa Cheia – o restaurante do Mercado Central que ganhou o concurso Comida Di Buteco desse ano. Sentados, pedimos o prato vencedor: almôndegas de carne de sol com molho de abóbora e queijo, arroz com brócolis e alho e batatas fritas.

Abraços e beijos e “prazer em conhecer” pra todo mundo. Levanto, vou pra casa e minhas pernas doem. Mas foi um sábado muito interessante. Bem diferente e, na maior parte dos momentos, divertido.

Para ouvir depois de ler: Diz Que Fui Por Aí - Fernanda Takai

domingo, 18 de maio de 2008

Mate o entrevistado

Além de só comer miojo de galinha caipira ou tomate, ser leitor assíduo da revista “Caras”, e só me sentir confortável naquelas meias baratinhas das Lojas Americanas, tenho uma face pouco conhecida. Eu fui produtor de TV.

Ok, eu tenho 20 anos, não trabalhei na Globo. Mas ter passado sete meses fazendo matérias e produzindo um programa semanal de entrevistas foi pra lá de punk rock – nos sentidos bom e ruim da coisa. A vontade de assassinar uma boa dúzia de convidados não tá escrito. Aqueles que, por mais que a TV já tenha completado 57 anos, ainda não entenderam o procedimento de aparecer nela. Pensando nisso, me ocorreu de fazer uma lista com as duas regras óbvias. Foram instituídas lá em mil novecentos e Hebe-Camargo-Menina, mas alguns insistem em esquecer:

Fique na cadeira!
Nada de cadeiras que giram, pois o telespectador fica mareado com aquele balanço. Mete lá um sofá ou um banquinho de madeira. O fio do microfone passa por trás e deixa tudo certinho pro convidado sentado. O problema é que, depois de uma hora de entrevista, o sujeito esquece que tá na TV, fica confortável, e esquece que o apresentador despediu de você de mentirinha. Você ainda precisa ficar ali sentado pra gente fazer cenas de corte e te desconectar do microfone. Mas eles ouvem o “obrigado pela participação” e se levantam! Grrrr!

Não bote a mão no microfone!
A haste do microfone devia dar choques de 220 volts em quem encostasse ali sem ser repórter. Porque ô mania que essa gente tem de querer afagar o instrumento de trabalho do jornalista ou tomá-lo da mão dele. Quando é microfone de lapela (aqueles que ficam na gola) convidados são mestres em dar umas boas expirações altas ou encostar a mão toda hora nele, causando o famoso xugstaramrram no áudio.

Ai, ai. TV só é bom do lado de fora. E olhe lá!

sábado, 1 de dezembro de 2007

Da arte de ver TV nas férias

Gente, já é dezembro. Que coisa, não? Será que ouso escrever que passou rápido? Passou, mas é muito clichê falar isso, né? Esquece então. O negócio é que o mês doze sempre vem acompanhado de algumas coisas muito boas. A comilança natalina, as promoções de celulares por 10 reais e as férias. Ah, as férias.

Eu geralmente não viajo e nesse dezembro-janeiro-fevereiro não será diferente, mas adoro e até prefiro – pois, afinal, que opção de viagem eu tenho nesse Brasil se eu odeio praia, sol, cachoeira, sítio, fazenda e samba? Adoro ficar em Belo Horizonte nas férias. Posso beber cerveja todo pôr-do-sol. Posso ir ao cinema nas terças-feiras! Posso acordar tarde. Em casa lendo. Em casa vendo TV.

O-ou! A TV. Eu não me responsabilizo se, em duas semanas de férias, eu já souber de cor todas as histórias daqueles programas imbecis que passam nos canais abertos de tarde. Por que é assim: eu vejo cerca de quatro horas de TV por semana (sim, apenas isso!). Todas elas usadas na TV por assinatura. Mas uma vez que você passa o dia inteiro em frente àquela caixa você perde o interesse.

Os senhores Hanna e Barbera fizeram pra lá de 150 desenhos espetaculares, mas o Boomerang passa 18 horas seguidas de "Dom Pixote". Todos os episódios de "Detetives Médicos", do Discovery, sempre começam com a frase "era um dia como outro qualquer na pacata cidade de...". O History Channel só fala sobre a Segunda Guerra Mundial, o People & Arts passa sempre o mesmo episódio de "Feira de Antiguidades" (ainda que o programa tenha 21 anos de acervo). A HBO exibe um monte de programinhas de bastidores antes de começar um filme e, quando ele começa, nunca é o filme do qual tratava o programinha. Já reparou nisso?

Então o lema dessas férias é: “Mexeu comigo? Mexeu com a Márcia!”.