quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quer ser meu amigo?


“Diga-me com quem andas e te direi quem és” é um ditado exagerado – ter amigos diferentes de você faz parte da graça deles. Mas é fato que ter amigos já sinaliza algo. Amizade, para mim, vem antes de outros tipos de relacionamentos, como os amorosos ou paternos, pois trata-se do primeiro objetivo moral da vida de qualquer ser humano de cultura. Ter amigos é ser alguém.

Um amigo que te traiu pode voltar a ser seu amigo? Uma malvadeza, digamos assim, torna tudo inválido? E quando a situação é a de um amigo que traiu um outro amigo seu, como fica? Do lado de qual amigo você fica, como medir qual é mais amigo? Um coração partido por uma amizade cicatriza mais rápido?

Para Aristóteles, saber ser amigo equivale a ser ético e é aí que entra essa questão, ao meu ver. Para ser amigo, basta alguém que sabe o que é o mal, mas deseja o bem. Penso assim e, por isso, vejo certa exclusividade na amizade. Reparou que quem leva a sério amizade costuma dizer que tem poucos amigos? Acho que é por aí. Não dá para considerar qualquer chapa de boteco seu brother e confessor particular. O que não quer dizer que não se possa ser agradável e sorridente a muitos – mas é que um amigo verdadeiro merece mais que isso.

Não há amizade que se sustente por interesses – e cabem nessa categoria mais coisas do que podemos imaginar. O amigo, como pessoa, não pode ser um meio para um fim, como status, dinheiro ou qualquer tipo de vingança, e esses interesses às vezes vem em forma de armadilhas tão bem planejadas que a mais perspicaz das pessoas é capaz de não enxergá-las.

Como em todos os relacionamentos, são as coisas relevantes do começo que se tornam insuportáveis no final. Saber analisar isso é a chave. Só me basta dizer, nessa minha reflexão existencial boba de hoje, que a amizade deve ter fim nela mesma e que cada um deve saber de si.

4 comentários:

Então, te conheço? Prazer, sou Renata Zacaroni! disse...

Renata Zacaroni curtiu isso.

Luiz Hick disse...

Adorei esta postagem é uma reflexão comum que tenho sobre amizade e tenho pouquissimos amigos e não abro espaço facilmente para que possa surgir com alguém que conheço recentemente e com idéias diferentes da minha, pois nos abrir particulamente é necessário ter palavras de volta que nos compreendam e compartilhe uma conversa agradável e com conselhos respeitadores.

eric disse...

tenho uma amiga que anda com um amigo que me traiu feio. é ridículo proibir ou querer que um amigo seu pare de andar com fulano, mas a amizade deixa de ser a mesma. principalmente porque é dificil confiar em quem anda direto com uma pessoa que te traiu. e amigo que é amigo mesmo, abre mao de colegas por uma amizade. experiência própria: aprendi que é melhor se afastar(ou nem se aproximar) de gente que não presta, antes que façam besteira com voce também.

Paula disse...

Acho trair uma amizade pior do que trair um casamento. No casamento assina-se um contrato, na amizade não. Não existem regras a serem seguidas, talvez por isso seja tão bom. Por isso, como pisa-se na bola uma única vez, pode até continuar a existir um relacionamento, mas ele nunca mais será como foi.

Beijo =)