quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Retrospectiva

Então (tô adorando começar minhas frases assim, com “então”, como fazem os paulistas), o que falar de 2008? Bom, foi um ano com muitas expectativas. Algumas frustradas e outras superadas. Mas acho que sempre é assim. Só posso dizer que conheci muita gente legal, gente de fora de BH. Viajei sozinho pela primeira vez, fiz tatuagens novas, fui 30 vezes ao cinema. Li menos livros que queria, comecei a trabalhar em período integral e tomei pau em uma matéria na faculdade (Economia). Mas é a vida. Tirando as coisas ruins, tá tudo excelente.

Filme de terror do ano: REC
Caramba, nunca pulei tanto de susto no cinema. Sem contar que é um feito eu ver filme espanhol no cinema (pronto, admito).

Ação do ano: Batman – O Cavaleiro das Trevas
Precisa falar? Esse filme chuta bundas. Detalhes aqui.

Filme de mulherzinha do ano: Juno
Antes que condenem, “Juno” é filme de mulherzinha sim. Afinal, que outro você já viu que fala de achar sua alma gêmea aos 16 anos? Enfim, o que importa é que o filme é super divertido e tem uma trilha sonora ótima.

Musical do ano: Sweeney Todd
Odeio musicais, mas impossível deixar de ver um do Tim Burton com Johnny Depp no elenco. Uma história de terror, cheia de piadas e músicas bem legais. Vi no cinema várias vezes, baixei a trilha, comprei o DVD. Ô fase.

Animação do ano: Wall-E
Simplesmente uma das coisas mais bonitas que eu vi no ano. Daqueles filmes que colocam todo o planeta numa perspectiva diferente. A Pixar se supera mesmo a cada filme (com exceção de “Carros”, que me funciona como um sonífero).

Comediante do ano: Sarah Silverman
She’s fucking Matt Damon e outros motivos muito bons. Eu ri.

Show do ano: Madonna
Olha, esse foi um desses anos que fui a poucos shows. Teve Fernanda Takai em março e Overstate em junho. Mas nada que se compare com Madonna no Morumbi. Primeiro show dela que eu vou, primeira viagem sozinho a São Paulo. Foi genial. Detalhes aqui.

Gadget que não preciso do ano: iPhone
Parece que tem gente que não se acha alguém na vida se não tiver um. Coisa de cabeça pequena. Ele não faz nada que um Blackberry bom não faça. Sem contar que é deveras grande.

domingo, 28 de dezembro de 2008

É imbecil fazer uma lista de coisas que queremos conquistar no ano que vai começar?

Eu quero beber menos. Gastar menos dinheiro em coisas fúteis. Quero comer melhor e voltar para a academia. Voltar a fazer yoga também seria bom. Tirar mais fotos. Sorrir mais. Ler mais livros. Ter mais compaixão com as outras pessoas, julgar menos. Usar melhor meus talentos. Ver mais shows. Quero tirar minha carteira de motorista. Ouvir mais meu sexto sentido, guardar menos segredos, menos rancor. Há também a vontade de voltar a falar com pessoas que cortei da minha vida e outra de cortar pessoas ainda presentes. Quero ser contratado na empresa que agora faço estágio. Quero sair de casa. Quero dormir melhor e me importar menos com coisas pequenas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Eu vi a Madonna

Como praticamente todos ao meu redor, você deve saber que passei o último final de semana em São Paulo e que fui para assistir ao show de Madonna. Rapaz, foi genial.



Não é um show, é um espetáculo. A música, as roupas, as danças e as projeções no telão se casam muito bem e fazem que cada música tenha uma vibração totalmente única. Sem contar que Madonna é um ícone e ver qualquer ícone de perto causa um nervosismo incrível. E, desculpem os invejosos, mas ela está no mesmo patamar que Elvis, Frank Sinatra e Beatles quando o assunto é ser a porta voz de uma geração.

Os preços não permitiam, mas se você colocasse alguém que não curte Madonna na platéia, a pessoa ia curtir. Não há como não curtir a apresentação. Não é uma banda de rock, onde o show pode ter improvisos e os integrantes podem subir ao palco chapados. Aqui, há muito ensaio e praticamente nada foge do script. Mas, ao invés de deixar a apresentação ruim, isso faz dela perfeita. É quase uma instalação de arte.

Quase não acredito que posso cortar Madonna daquela lista mental secreta de shows que precisamos assistir antes de morrer. E nem creio que em 2009 vai ter Alanis Morissette aqui em Belo Horizonte. Terminei o ano com uma chave de ouro e começo o próximo com outra.

Quer muitos detalhes do show? Clique aqui!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Dicas para deixar sua vida melhor e o mundo menos horroroso

Não Acredite no Hype: Seja lá o que for, você será só mais um palhaço achando linda uma coisa que, até ontem, você achava cafona. E ser um palhaço não remunerado não tem graça. Se pagarem é outra conversa. Mas ó: se não te serve, não é confortável ou não combina com você, não se sinta mal por não ter, não usar ou não ouvir.

Gentileza Não Mata: Gentileza é uma palavra em desuso numa época em que os ídolos são caras com a mão no saco ou garotas que parecem ter saído de péssimos pornôs. Inventaram que ser grosso é cool. Não caia nessa. Uma pessoa simpática sempre é mais valorizada, mas também não saia distribuindo sorrisos pra todos, fica falso.

Como Coelhos: O mito da pessoa perfeita tem arruinado a vida sexual de muita gente. O melhor é – tomadas as devidas precauções – transar sem idealizações românticas. Sexo é bom até quando é ruim. A pessoa certa pra você existe, mas trate de se divertir um pouco enquanto espera ela chegar.

Baseado na tirinha de Allan Sieber. Folha de S. Paulo, 15/12/2008.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Os gays, as crianças e os adultos

Acabei de assistir “Madagascar 2” com minha irmã mais nova. E foi ela mesma quem reparou e me disse depois da sessão: “Quanta piada de gay, né?”.

De fato. A nova comédia animada da DreamWorks tem tiradas fantásticas e um genial humor visual (não vou dizer “físico” pois não são atores reais). Entre os trocadilhos e piadas infames, muitas têm referencias gays. Não são explícitas nem de mau gosto, mas não é paranóia, elas estão lá.

Quer um exemplo? O filme começa contando a infância do leão Alex. No flashback, vemos que o nome completo dele é Alicay e que ele não era aceito pelo pai, pois preferia ficar brincando com borboletas e dançando ao invés de lutar com outros leões.

Em outro momento, um marsupial que chega dançando usando um biquíni de duas peças, provoca os outros perguntando quem se sentiu atraído por ele antes de sua verdadeira identidade ter sido revelada.

Bizarro? Na verdade não.

A população gay está crescendo e buscando seus direitos. Apesar de ainda existir muito preconceito e desinformação (caso não sejam sinônimos), muitas coisas estão sendo esclarecidas e, em busca de seus direitos, casais homossexuais estão sendo mais bem aceitos. Dessa forma, casar e ter filhos tem sido uma opção. Na verdade, legalmente ou não, isso tem acontecido desde sempre.

“Madagascar 2” está longe de ser uma tentativa de esclarecer qualquer aspecto em relação ao tratamento dado aos gays, mas o filme atinge muita gente (no Brasil, ele já contabilizou 220 mil espectadores no final de semana da pré-estréia) e isso é uma mudança interessante na hora de fazer humor para crianças.

Afinal, quem nunca suspeitou de Scar, o tio do Simba em “O Rei Leão”, Piu-Piu, He-Man, Velma, Snarf dos Thundercats, Robin ou Shun, o Cavaleiro dos Zodíacos de armadura rosinha?

Quando alguém fala sobre filhos de casais homossexuais todo mundo já pensa em adoção, inseminação artificial, barriga de aluguel. Mas nem sempre é assim. Pais e mães ao redor do mundo se divorciam e encontram a felicidade ao lado de alguém do mesmo sexo todos os dias. Como as crianças vêem isso? Legal ver gente preocupada com o tema.

Falando nisso, viram que a Proposta 8 passou? Ela torna o casamento entre gays novamente ilegal na Califórnia, um retrocesso inacreditável. Campanhas contra sua aprovação (que contaram com apoio de gente como Cynthia Nixon, Steven Spielberg, Brad Pitt e Angelina Jolie) não foram suficientes. Uma pena.

Como disse a cantora Melissa Etheridge no programa da Oprah, não é que todo gay queira casar, é que eles tem que ter a opção. “Nosso país tem uma linha muito tênue entre igreja e estado. Um país que oferece liberdade religiosa é maravilhoso. Se você acredita que vou para o inferno pelas coisas que faço, okay. Você tem o direito de acreditar nisso e tem seus direitos civis”. Ou seja, quem não acredita não tem? Que maluquice é essa?

Para ouvir depois de ler: Why It's So Hard? - Madonna

domingo, 7 de dezembro de 2008

Quando ninguém rouba a cena



Algumas pessoas vão dizer que é exagero meu, mas “Queime Depois de Ler” deve ser uma das melhores comédias que vi em 2008. Nele, os diretores Joel e Ethan Coen satirizam os filmes de espionagem, gênero que nunca fez minha cabeça.

É assim: Um agente da CIA, Osbourne Cox (John Malkovich), pede demissão quando a agência lhe ofereceu um posto burocrático. Ele começa a escrever um livro de memórias e sua esposa (Tilda Swinton) faz uma cópia dele para anexar ao seu processo de divórcio e poder, enfim, viver com seu amante, Harry (George Clooney), um ex-segurança do governo.

Até aí, tá entendido? Então, o rascunho desse livro do Cox cai nas mãos de Linda (Frances McDormand) e Chad (Brad Pitt), dois palermas que querem lucrar alguma coisa com o material – mesmo sem saber exatamente do que se trata.

E isso tudo é só o começo.

A sátira à espionagem é sensacional. Além de câmeras que simulam telescópios, helicópteros e agentes com escutas no ouvido, a rede de segredos, chantagens e mentiras entre os personagens é tão extensa que, no fim, nem eles mesmos sabem o que estão fazendo. E pra não correr o risco dos telespectadores sentirem a mesma coisa, os Coen fazem alguns “recapitulando”, na forma de dois agentes da CIA que buscam algum sentido nos acontecimentos.

O genial é que um processo de divórcio, acontecimento insignificante em escala global, acaba se transformando em uma bagunça que envolve mais gente do podíamos imaginar. Como na vida real, o filme mostra que ninguém é 100% bom, ou ruim, ou inteligente, ou burro.

Mas nem o próprio filme se leva muito a sério, é tudo uma grande piada. As vezes você acha que tem alguma mensagem, alguma lição em alguma coisa. Mas não tem. As tiradas são rápidas e mórbidas, não dão o tempo de você pensar – ou seja, se não entender alguma, esqueça. Até você refletir no que foi a piada, já passaram mais duas na tela – e provavelmente uma é do Brad Pitt, especialmente engraçado neste filme. Aliás, eu quase falaria que ele rouba a cena, mas todo o elenco é hilário.

Deve ter sido um roteiro complexo de escrever e eu realmente não sei quanto tempo eles levaram escrevendo e filmando, nem quanto foi gasto na produção, mas “Queime Depois de Ler” valeu cada centavo dos cofres da Paramount e do meu bolso.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Com inteligência picante, Woody Allen prova que amadureceu com saúde

Meu trabalho final da matéria Jornalismo Cultural foi sobre o filme “Vicky Cristina Barcelona”. A quem interessar possa, segue a versão resumida. :)



Ansioso, Woody Allen trata de explicar bem rápido ao expectador sobre o que é seu filme. Em “Vicky Cristina Barcelona” não é diferente. Por meio de um narrador, o cineasta nos apresenta duas jovens americanas - a conservadora Vicky (Rebecca Hall) e a aventureira Cristina (Scarlett Johansson). As amigas, que tem opiniões totalmente diferentes sobre o amor, viajam para Barcelona. A fim, simplesmente, de passar as férias de verão por lá, elas acabam se envolvendo em confusões amorosas com um pintor libertário, sedutor e extravagante (Javier Bardem) e sua insana e igualmente libertária ex-esposa (Penélope Cruz).

Com exceção da novata Rebecca Hall, seu elenco é muito conhecido e premiado mundo afora e Barcelona é um cenário colorido e caliente que ainda não havia sido explorado por Allen. O diretor tem em suas mãos armas pesadas, mas acerta o público alvo.

O elenco, em especial as mulheres, tem muito a oferecer. Entretanto, não há espaço para improviso. O que é bom. O texto de Woody Allen é recheado de piadas inteligentes e frases de efeito intrigantes e que fazem pensar.

Todas as dúvidas sobre o que é o amor e como ele é relativo estão no filme. E são apresentadas logo nos créditos, pela música “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini, que, com violões despretensiosos, nos pergunta "Por que tanto se perde e tanto se busca sem se encontrar?". E você vai sair do cinema cantarolando esses versos sem perceber.

Também é bom ver que a atual favorita do diretor cresceu e apareceu ainda mais. Em “Scoop”, de 2006 e também de Woody Allen, Scarlett Johansson não convencia. O papel pedia uma pessoa mais jovem e ela passou por momentos meio embaraçosos, nem ela parecia acreditar no que estava falando. Já em “Vicky Cristina Barcelona” o papel foi feito para a moça, que se sente à vontade e, portanto, dá um show de atuação. Precisa, detalhando os pensamentos de sua personagem, mas sem exageros.

E o humor cínico não aparece apenas nas falas. A história intensa mostra muito da arquitetura de Barcelona, mas não deixa tempo de criticar a cidade. Woody Allen limita-se a alguns pontos turísticos, mas insere críticas boas e ruins, como a exaltação ao clima das rodas de violão e o fato de que ninguém se preocupa muito em trabalhar.

“Vicky Cristina Barcelona” já é o recorde de bilheteria do diretor por aqui. Além de ter um belo elenco de estrelas, é um filme de verão charmoso. Todo mundo sai do cinema comentando algo, inegável. Não é um filme sobre sexo com libertinagem solta e explícita, tampouco uma cópia de Pedro Almodóvar – a belíssima fotografia quente e colorida de Javier Aguirresabore dá mesmo essa impressão. Mas também não é um romance tão simplista como o de “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), que, com humor, reduzia as absurdas neuroses dos relacionamentos amorosos a piadas – excelentes, mas piadas. Há humor, claro. Mas ele é mais comedido, adulto e, muitas vezes, provocador. “Vicky Cristina Barcelona” prova que até Woody Allen pode amadurecer ainda mais. E com saúde.

Para ouvir depois de ler: Barcelona - Giulia y Los Tellarini

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Geração anos 90

Fiz aniversário há um tempo e tenho refletido sobre o peso da idade. E, confesso, ainda está leve. Sabe, 21 anos é muito e é tão pouco.

Nasci em 1987. Ano que o Nirvana foi fundado. Vi Collor na TV, sem entender direito quem ele era. Comprei vinil da "TV Colosso" e nunca me derem nenhuma mesada antes do Real. Cresci em silêncio, roubando os discos dos Beatles da minha mãe, indo pra escola de all stars, penteando o cabelo de lado e lendo Mark Twain no ônibus. Só bebia refrigerante às vezes. E a garrafa tamanho família tinha só 1 litro!

Ensinei minha mãe a jogar "Prince of Persia" em um computador de tela preto e branca. Passava sábados inteiros jogando "Mario World". Eu tinha um canivete do MacGyver. Aprendi a falar inglês sozinho, vendo filmes legendados desde quando aprendi a ler. Vi "Titanic" e os primeiros filmes da Pixar no cinema. Fazia amigo oculto no Natal com a família. Tinha bonecos dos Power Rangers que viravam a cabeça.

Nunca vou esquecer a primeira vez que comi uma pipoca de microondas, a primeira vez que andei de avião, o primeiro CD que comprei, a primeira vez que tive coragem de levar meu discman para a escola. Das vezes que matei aula simplesmente para andar, que ri até minha barriga doer com certos amigos, das vezes que fui parar na diretoria (foram poucas, mas foram punks).

Pensa bem. Se deu pra me divertir tanto até agora, imagine no resto da minha vida! Quando as coisas ficaram tão complicadas?

Para ouvir depois de ler: Say You'll Be There - Spice Girls

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Manual de Conduta e Ética do Twitter

O Twitter ficou popular no Brasil. Não tanto quanto Orkut, mas ficou sim. Acho que o grande motivo é ele não ser bloqueado em lugar nenhum. Daí todo mundo pode fazer, ter, ler e atualizar no escritório. Problema é que Twitter não é rede social nem bate-papo. É micloblogging. E metade dos meus contatos não entende isso. Então, com minha boa alma, resolvi organizar o manual de conduta e ética que se segue.

“Quem é você”? Não responda. Twitter te dá poucas linhas para isso, então não seja bobo de colocar “mineiro, 27 anos, super fã de rock”. Coloca uma frase de Clarice Lispector ou um slogan engraçado. Pague de cool. Lembre também que a foto fica bem pequena, então, se não tiver um avatar bonitinho, coloque uma foto abstrata ou um close na sua cara, ok? E o papel de parede é muito importante e deve estar perfeito pois ele será visto o tempo todo por você, mas provavelmente uma vez só pelos outros quando eles começarem a te seguir. Bricolagens de ídolos pop ou fotos em preto e branco, bem cleans, são indicadas.

Na hora de escrever, não use muitas exclamações e evite erros de português. Algumas pessoas usam maiúsculas, outras escrevem tudo com minúsculas. Escolha um estilo e não misture. Pois, afinal, é PROIBIDO escrever TUDO com maiúsculas. No mundo virtual, elas são sinônimo de gritar, então não é elegante. Se for necessário, use em poucas palavras. Ou se realmente estiver “gritando”.

Escreva coisas que você vai fazer ou que está pensando. O que comeu, vai comer, onde vai ser a balada, a nota daquela prova, comente acontecimentos. Uma coisa muito legal é a possibilidade de postar e ser lido muito rapidamente. Então rola de comentar até algo que você está vendo na TV. Você também pode colocar um link para outros sites bacanas ou um novo post do seu blog. Mas ó, sem exageros!

Como eu disse, Twitter é microblogging, não bate-papo. Ocasionalmente, você responde à alguém, parabeniza algo, comenta um link. Mas, em geral, o Twitter é um canal de monólogos. Respeite isso. Não tem nada mais chato do que entrar e ver que duas ou três pessoas passaram os últimos 20 minutos conversando coisas que não te dizem respeito e ocupando toda a sua página principal.

Também não dê RT demais. Além de dar a impressão que você está a toa e que não tem nada a dizer, você acaba pentelhando gente que não tem nada a ver com o assunto. E o resto da humanidade implora para você desmarcar todas as sincronias com o seu Twitter. Eu não quero um twitt seu cada vez que você favoritar um vídeo, subir uma foto, postar no seu blog, adicionar uma pessoa e blá blá blá. Escolha um desses só, no máximo.

Tente não ultrapassar 15 updates diários e dê um espaço entre eles. Dependendo do que tiver a dizer, rola. Mas, do contrário, pega até mal. Ninguém merece chegar e ver cinqüenta atualizações seguidas da mesma pessoa. Vão pensar que você não tem mais o que fazer. E gente descolada é mega ocupada. Dá licença, aliás.

Para ouvir depois de ler: Daft Punk - Tecnologic

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Nova Alguma Coisa

Não é segredo que Gilmore Girls está entre as minhas séries favoritas, cheia de boas piadas sobre a sociedade. Lembrei hoje de um episódio que se passa em um chá de bebê. As personagens principais, Lorelai e Rory, ficam surpresas ao perceberem que estão cercadas de objetos, roupas e presentes da cor verde. Afinal, o bebê é uma menina. Uma delas então comenta: “achei que rosa era cor de menina”.

- Ah, não. Rosa não. Você não leu a Vogue desse mês? Verde é o novo rosa.

Ok, pára tudo. Por que diabos as revistas femininas insistem tanto em nos ensinar que "o novo aquilo" é "aquilo outro"?

As blogueiras Juliana Sampaio e Laura Guimarães reuniram exemplos (reais) desse novo tipo de abordagem: “O novo champanhe rosé é o coquetel”, “O novo florido é o manchado”, e o pior de todos, “A nova fulana de tal é a beltrana”. Maldade isso, não? E a fulana de tal faz o quê? Se mata?

Claro que não. Basta esperar até a abordagem jornalística do próximo mês. Se fulana não tiver uma volta triunfal, poderá ser a “nova” alguma outra pessoa. Mas não vamos colocar toda a culpa nas revistas femininas pois a modinha está em todo lugar, já assimilada na cabeça de muitos. Nunca reparou? O novo “meu filho é um capeta” é o “meu filho tem TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade)”, por exemplo.

Mas acho que nada disso me atinge (quiçá os leitores deste blog). Na minha vida está mais que comprovado que “viver como eu quero” é o novo “seguir as tendências”.

Para ouvir depois de ler: Incomplete - Alanis Morissette

domingo, 2 de novembro de 2008

Agora que já passou a eleição...

Foram dias de muita campanha, houve muita falação e brigas. A última eleição para a prefeitura aqui de Belo Horizonte apresentou dois candidatos despreparados, ambos com o rabo preso em algo e trocando ofensas entre si. As pessoas ao meu redor diziam que ia votar em um porque o outro não prestava – e vice-versa. Nenhum deles tinha propostas de governo interessantes sob nenhum ponto de vista.

Conversas sobre qual deles era o melhor ganhavam proporções grandes e viravam discussões pra lá de pessoais, como se a vida da pessoa fosse depender daquilo.

Tem gente que diz que, se 50% dos votos forem anulados, as eleições são canceladas e outras, com outros candidatos, precisam ser marcadas. Tem gente que diz que isso é balela e que, se todo mundo anular e apenas uma pessoa votar, seu candidato vence. Mas o fato é que tanto faz. Anulei meu voto e não foi por nenhum desses motivos.

Ao contrário do que pode parecer para alguns quando digo que anulei meu voto, acho política uma coisa séria. Séria até demais. Tirei meu título de eleitor com 16 anos e sempre fiz campanha para o meu candidato. O negócio é que, em 2008, eu não tinha um. E votar no menos pior não é o suficiente. Quando o assunto é política, prefiro ficar parado do que dar um passo no caminho errado.

Eleições obrigatórias viram uma piada por aqui. Indecisos votam no que está mais bem colocado nas pesquisas e acha que votar no que vai perder também é perder – como se fosse um jogo.

Não fiz questão de divulgar isso por aí, de estimular que outros anulassem seus votos, nem nada disso. Só senti vontade de dizer que anular o voto não é necessariamente sinônimo de alienação política. Aliás, muitas vezes, pode ser o oposto disso.

Para ouvir depois de ler: American Life - Madonna

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A favor de HSM (mas só um pouco)

Amanhã estréia nos cinemas o novo filme da turma do High School Musical. Trata-se de nada menos que a maior franquia da Disney no momento. O primeiro filme foi um tiro no escuro que deu certo e o segundo confirmou que o sucesso era ainda maior. Os moços e moças da série estão estampados desde roupas até copos, passando por revistas e álbuns, e renderam mais até hoje que Wall-E, por exemplo.

É uma chatice, claro. Não gosto de filmes musicais – muito menos dos que tem uma lição no final. Mas, ei, eu não sou o público alvo desse filme. O elenco do High School Musical (e de outras séries, filmes e bandas da Disney, como Jonas Brothers e Hannah Montanna) tem sido perseguido por ser muito bem comportado.

Como irmão mais velho de uma fã, confesso que preferia ver minha irmã ouvindo The Clash ou até mesmo Green Day (ou até Avril Lavigne!) que os teens do Jonas Brothers, mas fazer o quê? Os caras usam um anel no dedo que simboliza que eles são puros e que vão perder a virgindade apenas depois do casamento. Uma cafonice sem precedentes, mas ninguém pode negar que é um bom valor pra ser passado para crianças e pré-adolescentes. Nem vou discutir se eles estão falando a verdade e muito menos se todos os fãs farão o mesmo, mas acho revolucionário ser polêmico por ser comportado.

Os ídolos do pop saem por aí sem calcinha, pintam o cabelo de rosa, ficam sem depilar o suvaco, chupam gente dentro do banheiro de boates, são acusados de pedofilia. Fica tudo tão banal, que nem choca mais. No meu tempo não era assim, não. E, pelo visto, os tempos da minha irmã também não estão sendo.

Para ouvir depois de ler: Arco-Íris – Xuxa

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Esse texto não é sobre Madonna e Guy Ritchie

Onde há fumaça há fogo, dizem. E os boatos de que Madonna e Guy Ritchie iam se separam estavam aí há muito tempo. A adoção de David Banda, órfão do paupérrimo país africano Malauí, foi interessante e bonita e tudo, mas não parecia uma versão pós-menopausa do famoso golpe da barriga pra segurar o casamento? Enfim, ontem, a porta-voz da cantora confirmou as fofocas da separação.

Analisando o casamento deles, dá pra sacar como era tenso. Além de cada um ser de um país diferente – alguém teve que ceder e se mudar – haviam filhos em casa e fotógrafos nas janelas. Mas eu realmente acho que a gota d’água foi a carreira. Imagine como é ser casado com Madonna.

Sem desmerecer Guy Ritchie, poxa. “Snatch” é um dos filmes mais legais que já vi. Mas nos últimos sete anos – tempo que eles foram casados – cada um foi para um lado. Com sua recente turnê, por exemplo, Madonna não para de ser mencionada e exaltada e sair de cada país varrendo milhões de dólares, enquanto Ritchie reeditou “Revolver”, um bom filme feito em 2005, pra ver se consegue algum trocado nas bilheterias britânicas – pois o fracasso nos Estados Unidos foi inacreditável.

Não há amor e Cabala no mundo capaz de abstrair isso. Por mais legal que fosse estar junto, devia ser humilhante pro machão do Ritchie viver às custas da esposa. Vão dizer que essa situação dava poder à Madonna, pode ser, mas se ela realmente amava o cara, nada mais nobre do que não se importar com o dinheiro que ele trazia para casa – principalmente pois já tem muito dinheiro no banco, né?

O namorado de uma amiga disse que o amor dele era “eterno enquanto durasse”. Expliquei pra ela que isso não quer dizer que é limitado. Pelo contrário. Enquanto existir, será eterno. Pois esse “eterno” é infinito. Tamanho, não duração. Que dure um mês, dois, um ano, sete. Todo esse texto foi pra dizer que acho que jogar todas as suas fichas em um relacionamento já é , por si só, a maior prova de amor que existe.

Para ouvir depois de ler: Miles Away - Madonna

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Serve pra quê?

Já parou pra pensar pra quê servem redes sociais tipo o Orkut? Eu tenho uma teoria! Não sei se é uma teoria minha ou se é uma dessas que a gente ouve e concorda tanto que acha que é nossa, mas aqui vai: é uma festa.

Sim, simples assim. Orkut é uma festa. E existem vários tipos de festa e é você quem faz a sua. Suas fotos e comunidades servem de decoração e seus amigos são os convidados. Já viu gente que o Orkut todo é sobre música japonesa? Comunidades sobre j-rock, amigos que ouvem j-rock, álbum com fotos de bandas de j-rock. Alternativinhos tem fotos artísticas, capas de livros e filmes, poucas comunidades, avatares abstratos. Vegetarianos tem um "V" verde na foto, animais morrendo no álbum. E os “playboy pegador” têm 300 amigas e 300 fotos sem camisa. É assim, você que manda no seu Orkut, na sua festinha.

O negócio é que outrora era só Orkut. Hoje o número de redes sociais existentes é inacreditável! Fotolog é uma rede social? Talvez. É como se existisse uma empresa de vigilância, pois o critério de escolha das fotos publicadas é muito individual – apesar de quase inexistir. Uma das redes mais chatas é o Flickr. Deu um foco e uma luz indireta naquele gato pulguento, taca a foto no Flickr. Também é útil para ver gente feliz de férias em lugares exóticos e maravilhosos aos quais você jamais irá. No MySpace só tem emo, nem comento. Mas é bom pra ter bandas como suas amigas. Second Life foi criada por pessoas que não têm uma, er, First Life. O Hi-5 é uma lenda urbana. Todo mundo recebe 50 convites, mas ninguém tem. Ai, preguiça.

Apesar disso, eu gosto muito das que faço parte, sabe? Me mantém em contato com gente que quero estar e que, sem Orkut e Twitter, não sei como ia fazer – gente que mora muito longe e tals. Mas é aquela história: se não fosse isso, ia ser outra coisa... Mas seria o que?

Para ouvir depois de ler: The Rembrandts - I'll Be There For You

domingo, 5 de outubro de 2008

Antropologia com Richard Gere

Já vou adiantar três coisas: a) esse texto contém spoilers do novo filme de Richard Gere; b) esse post não é sobre o filme de Richard Gere, c) alguém que lê esse blog se importa com Richard Gere?

Como uma boa mulher divorciada, minha mãe é fã de Richard Gere. E ela me convenceu a ver o novo filme do cara, “Noites de Tormenta”, sob a proposta de pagar meu ingresso e me levar pra comer no Subway depois. Aceitei, claro.

É um programa divertido para ela, afinal seu segundo maior ídolo vai estar em uma tela de três metros – o ídolo número um é George Clooney. Apesar de ir ao cinema sozinho ser muito chato, não quis sentir que estava fazendo um favor ao acompanhá-la. Decidi que eu ia me divertir e me deixar gostar do filme. O filme tem uma trilha sonora legal, cheia de jazz, mas é uma bomba. Mentira, nem é tão ruim. Mas tem uma história de amor cretininha, vários clichês e uma choradeira sem fim – principalmente pois não tem um final feliz. O número de gente chorando ao meu redor não está escrito.

Isso me fez reparar as outras pessoas no cinema. Interessante. Éramos o único “mãe e filho”. O restante era casal de namorados e grupo de amigas. Trata-se de um filme sobre dois divorciados que se isolam do mundo no mesmo lugar. De certa forma, um filme sobre esperança, sobre futuro. E não é isso que todo mundo nas poltronas estava querendo? Os casais querem ser felizes juntos e as solteiras de meia-idade querem ouvir que é possível recomeçar.

De fato. Nunca é tarde pra amar de novo nem cedo demais para acreditar no pra sempre. Fiquei tocado com isso. Quem diria, ein, Richard Gere?

Para ouvir depois de ler: All is Full of Love - Björk

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vontade de ver filme de terror

Eu sempre tive uma queda por filmes de terror. Mas é estranho reparar como minha fascinação pelo gênero passou. Não sou grande fã de “Jogos Mortais”, por exemplo. Mas “A Profecia”, “Brinquedo Assassino” e “A Noite dos Mortos-Vivos” são filmes que eu sempre quero assistir se estiver passando.

Quando eu era criança eu precisava implorar pra meus pais me deixarem ver algum deles. Quando finalmente consegui permissão para alugar “O Exorcista”, lembro de ter pedido ao balconista da locadora: “Se eu não tiver coragem de colocar no vídeo-cassete, deixa eu devolver sem pagar?”. A resposta foi negativa, claro.

As noites do SBT eram cheias de zumbis comendo miolos e seqüestradores de crianças que usavam máscaras de palhaços. E “A Hora do Pesadelo”? Um molestador de crianças é queimado vivo por um grupo de vizinhos e volta para assustar as crianças em seus sonos? Genial. Isso que é argumento de filme!

E “Sexta-Feira 13”? Outro clássico toda hora lembrado. Fui pesquisar e foram feitos nada menos que 10 fucking filmes com o psicopata Jason. O cara é fera: com seu macacão, máscara de hockey, facas ou serras, ele sai matando tudo que vê pela frente. Os roteiristas bem tentam inventar uma historinha, mas tanto faz. A gente quer mesmo susto e sangue.

Tudo recomeçou com a trilogia “Pânico”. Eu era um pré-adolescente e achava o máximo aquelas histórias de serial-killer, máscaras e longas explicações no final – sem contar as várias referências que eram feitas a outros filmes. Depois veio “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado”, “Lenda Urbana” e vários outros dos quais meu favorito deve ser “A Bruxa de Blair”. Rodado em VHS e apresentado como uma história real.

Me deu uma vontade louca de rever todos esses clássicos de terror hoje...

Para ouvir depois de ler:
Thriller - Michael Jackson

domingo, 21 de setembro de 2008

Vi Madonna

Eu criei um outro blog (sim, mais um). Eu realmente não sei a quem isso pode interessar, mas resolvi ir narrando minhas aventuras rumo ao show de Madonna em dezembro. Postagens lá serão raras, ficarão mais constantes com o tempo, mas tem muita coisa a ser contada. Clique aqui para conhecer e fique a vontade para comentar e passar para outras pessoas :)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Seu sexo é verde?

Viu isso? O Greenpeace mexicano lançou uma cartilha para fazer a vida sexual daqueles que estão preocupados com o meio ambiente. "Cuidar da terra nunca foi tão erótico", diz o texto. O genial é que, por mais bizarro que isso possa parecer, as dicas fazem sentido e deviam mesmo ser postas em prática.

O primeiro mandamento diz que, pra economizar energia e diminuir a liberação de CO2, sexo com as luzes apagadas é melhor. E a gente concorda. O tato fica mais aguçado e aquela pinta esquisita que você tem, cadê? Ninguém vê.

O texto segue falando até da procedência da madeira com que é feita a cama e os instrumentos sado-masoquistas: estes materiais devem possuir certificados ambientais que garantam que venham de processos de extração sustentável de madeira. Só não dá pra imaginar o cara perguntando sobre certificados ambientais pro balconista da sex shop, né?

A melhor parte é a que diz respeito à água. O Greenpeace recomenda banhos em conjunto para evitar o desperdício.

Comidas afrodisíacas são abordadas no segundo mandamento da ONG. Se o casal acha legal isso, que use frutas como o guaraná, cerejas e framboesas com procedência orgânica e livres de pesticidas. Ostras, mariscos e camarões, também considerados iguarias, não são recomendados pois a pesca destes animais está destruindo os oceanos.

Os lubrificantes íntimos também são abordados. Segundo dizem, melhor preferir produtos à base de água, tipo KY, e nunca de petróleo, como a vaselina. "Grandes empresas petrolíferas estão destruindo o planeta. Não permita que se metam debaixo de seus lençóis", diz a ONG. O texto destaca também que a saliva ainda é muito útil para resolver o assunto. Ui.

Gente, adorei. Não acharam o máximo isso? Espero que todos vocês aí já estejam fazendo sua parte. O Greenpeace subiu no meu conceito. Depois desceu. Subiu de novo, devagarinho. Aí depois foi de ladinho.

Para ouvir depois de ler: Turn My Way - New Order

domingo, 7 de setembro de 2008

Invasão nerd

Há um bom tempo eu percebo isso. Óculos de aro grosso, coletes xadrezes ou listrados, cabelos bagunçados. Vestir-se como nerd está na moda. Mas não é camisa pólo toda abotoada, com jaleco, canetas no bolso e gravata borboleta. Afinal, ninguém é assim de verdade, só no filme “A Revolução dos Nerds”. Bom, era isso que eu pensava. Mas larguem seus bonequinhos de “Star Wars”. Estreou ontem a segunda temporada do reality-show “The Beauty and the Geek”, meu novo programa de TV favorito.

É assim: uns nerds muito dos sem noção fazem dupla com perfeitas bimbo-girls, aquelas gostosonas pra lá de burras. A intenção é que elas fiquem mais inteligentes e eles mais sociáveis. A dupla que fizer isso melhor, no final, sai com a bolada de 250 mil dólares.

Trata-se, portanto, de um experimento social! E, vou te contar, dá medo. Tem um cara que resolve um cubo mágico, sem olhar, em 12 segundos! Tem uma moça que disse que acha que seu QI é 3,5. Outro me chega e tenta impressionar seis loiras peitudas dizendo “Eu sou presidente do Clube de Xadrez”. Meu favorito é Josh Herman (foto). Formado em psicologia e cinema, ele mal consegue ficar perto de uma mulher. Gagueja e começa a suar. Hilário. De tão nervoso, não conseguiu dormir no mesmo quarto que sua dupla e foi dormir no chão, dentro do armário.

A intenção parece ser mostrar que ninguém é melhor que ninguém ali – o que causa situações muito engraçadas. Na primeira tarefa do game, um simples jogo de perguntas e respostas, elas não sabiam que existe mais de um tipo de parafuso ou quem é John Kerry. E eles não sabiam coisas como quem é o pai dos filhos de Britney Spears ou quem venceu o primeiro American Idol.

A série é produzida por ninguém menos que Ashton Kutcher e parece que está indo bem. Lá fora está em seu quinto ano já. Independente de quem ganhar, o legal é ir acompanhando as mudanças, vou tentar. Recomendo.

Para ouvir depois de ler: Charmless Man - Blur

domingo, 24 de agosto de 2008

Quero ver esse filme



Decidi que ia ler “Ensaio Sobre a Cegueira” quando vi o vídeo do autor, o português José Saramago, chorando depois de assistir a adaptação do cineasta Fernando Meirelles para o livro. Para quem não sabe, eles narram um misterioso surto de cegueira que invade uma cidade e leva os primeiros infectados para quarentena – mas há ali, em segredo, uma mulher capaz de enxergar.

Hoje faz mais ou menos uma semana que terminei o romance e ainda estou digerindo. Falando o máximo possível sem contar demais, o final é tenso, pois quando faltam cinco páginas para o fim o caos ainda não está acabando. E foi me dando um medo de ser um daqueles finais fáceis, todo mundo se mata ou “ah, era tudo um sonho”. Mas não foi o caso.

Como acontece com boa parte dos livros e filmes, o final não influenciou muito na minha opinião sobre o todo. Mesmo se “Ensaio...” tivesse acabado com o despertar de um sonho, teria valido à pena. As páginas anteriores propõem muita reflexão e os personagens são interessantíssimos de acompanhar.

Li uma entrevista com Meirelles semana passada. Nela, o diretor compara as duas obras. “Muitas pessoas leram o livro e gostaram, portanto, o filme é perfeito para frustrar 75% dos espectadores”. Afinal, certas idéias e personagens não entraram no longa-metragem. Ele diz que ficou com medo de ficar um filme muito metafórico. Quem leu sabe que o livro dá margem para um blockbuster cine-catástrofe e o diretor não quis seguir esse caminho, ainda bem.

Teve crítica falando que o filme é deprimente e outra falando que é o melhor longa dos últimos cinco anos! “O que me assustou [no livro] era a fragilidade humana. Como a gente assume o que não é e vive de aparência”, disse o cineasta. E também foi isso que mais me chamou atenção. Se Meirelles conseguiu colocar isso no filme, já sei que vou gostar.

Meirelles teve muitos problemas para finalizar o trabalho, um caos digno daquele narrado pela película. Ele fez um blog para contar essas aventuras e confessou lá que a fotografia foi muito inspirada em quadros de Rembrandt, alguns dadaístas, cubistas... Para ver os trailers do filme, clique aqui e aqui.

O filme “Ensaio Sobre a Cegueira” (“Blindness”), da produtora brasileira O2 Filmes, da japonesa Bee Vine Pics e da canadense Rhombus Media, estréia no Brasil dia 12 de setembro. No elenco estão Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga e Danny Gloover. E, rapaz, como estou a fim de ver esse filme...

Para ouvir depois de ler: Björk - I've Seen It All

domingo, 17 de agosto de 2008

Sobre almas gêmeas

Um episódio do seriado “Sex and the City” me intrigou. Questionada se John era sua alma gêmea, Carrie começou a pensar, antes, no conceito de alma gêmea. Afinal, tem gente que acredita e tem gente que não. E isso já dá margem pra discussão.

Diz-se que todo mundo vem ao mundo destinado a uma pessoa, que vai lhe completar e viver feliz para sempre com você. Portanto, a ironicamente fácil tarefa que nos resta é achar tal pessoa. Mas começam as dúvidas logo aí. Se você não encontrar, significa que não será feliz com mais ninguém? E se você acha que encontrou e não dá certo? E como assim destinado a uma pessoa? A alma gêmea da moça precisa ser um homem, então. Funciona assim? Lésbicas não têm alma gêmea? E, se tanto faz o sexo, o que acontece se a alma gêmea de um cara hetero for outro cara? E se sua alma gêmea vir a falecer?

Eu acredito em amor à primeira vista, mas não em almas gêmeas. Aliás, acredito em amor de alma gêmea. Por que não importa se você é apaixonado pelo fulano desde o colegial ou desde ontem, pra relação dar certo é preciso esforço. E se todos se esforçarem o suficiente, vai dar tudo certo. E serão almas gêmeas. Não tem dessa de metade que completa o outro. Todo mundo já está completo e deve ter maturidade para se fazer pronto para compartilhar o que acumulou e se sentir bem ao receber a sabedoria alheia também.

É aquele caso de amar por amar. Depois de um tempo, as coisas físicas saem de cena. Você deixa de amar o bom-humor, o visual, o fogo na cama. Tudo está lá, faz parte, é agradável, mas não são mais essas coisas o combustível da relação. Amor em nível de alma é isso, beira o incondicional. Almas gêmeas não se acham, são construídas.

Para ouvir depois de ler: Incomplete – Alanis Morissette

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

The one and only

Este ano Madonna completa 25 anos de carreira e, amanhã, cinquentinha de idade. A importância dela é inegável. Todo mundo conhece uma música e, se acha que não foi influenciado por ela, com certeza foi por alguém que foi influenciado. Madonna inventou caminhos diferentes para a música pop e apertou botões na sociedade.

Madonna, vestida de noiva, mostrava a calcinha na MTV enquanto Michael Jackson levava a nomoradinha pra ver um filme de terror; ela é sinônimo de música pop com atitude. Um álbum com mais, outro com menos, o convite a reflexão está lá. Além disso, ela revolucionou a história do videoclipe e da maneira de montar shows ao vivo. Já falei sobre isso em um post que escrevi no aniversário do ano passado. Não vou falar que ela é gostosa e está toda em cima, não é sobre isso essa data, certo? Em sua discografia oficial, de “Madonna” (1983) a “Hard Candy” (2008), tem de tudo. Pop, rock, electro, acústico, rap, jazz, blues, house, musicais, baladas, midtempo. Não há cafetão por trás de Madonna, ela está no controle e, em seus discos e shows, entende de tudo – mixagem, sistemas de som, iluminação.

Se não for pra admirar a sua música, que seja seu dom para os negócios ou sua persona. Mesmo quem não curte Madonna precisa saber como ela é a voz de uma geração, um espelho transparente – as pessoas mudam com ela e ela muda com o mundo. Ela prova com graça e sem pretensões que é possível ser tudo ao mesmo tempo: sexy, casada, espiritualizada, ambiciosa, bonita, mãe, engraçada, perfeccionista. E essa capacidade de unir coisas distintas com harmonia me faz admirá-la. Eu tento ser assim, pois ela prova que é possível. Sem falar que gosto bastante das músicas também. Estamos todos de parabéns.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Panelinha Sessão da Tarde

E não estou falando da panelinha de brigadeiro ou de pipoca que você fazia pra acompanhar o filme não.

Qual é o critério pra um filme passar na Sessão da Tarde? Bom, um deles é ter sido lançado há, no mínimo, 10 anos. Vira mexe e vemos grupos de crianças – que agora são adultas ou já morreram – buscando tesouros; aquele grandalhão cuidando de um jardim de infância; aquele loirinho sozinho em casa ou Brooke Shields com 15 anos de idade na “Lagoa Azul”.

Você não tem a impressão de que são sempre as mesmas pessoas? Eu imagino o Steve Martin lendo um contrato que traz uma cláusula pequena, parágrafo único, sobre Sessão da Tarde. Porque eles devem ganhar dinheiro com isso, né? Pode-se dizer que, se cai um centavo na conta bancária do ator cada vez que ele apronta confusões na tarde da Globo, boa parte da fortuna de Eddie Murphy veio daqui.

Me emprestaram o DVD de “Os Goonies” e ouvi reclamações dele não ter uma versão dublada. Taí outro requisito da Sessão da Tarde: filme dublado. Afinal, sempre são comédias, romances, infantis ou tudo junto. Impressionante como “Esqueceram de Mim” fica diferente no idioma original. E a voz dublada do Bruce Willis, que ótima? E a da Whoopi Goldberg!?

Por falar em “Goonies”, o roteiro é de Chris Columbus. Ele é o diretor de “Esqueceram de Mim” e do primeiro filme da série do bruxo Harry Potter. Os sensacionais “Uma Babá Quase Perfeita” e “Gremlins” também são dele. “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, aliás, faz dez anos em 2009. Em breve está passando depois do Vídeo Show e o ciclo se fecha. Essa era a panelinha que eu queria apontar. Chris Columbus domina a Sessão da Tarde! Tá, mentira. Temos que levar em conta “Meu Primeiro Amor”, “Edward Mãos de Tesoura” e “Indiana Jones” também. Mas seja na produção ou no elenco, parece que é sempre o mesmo povo. Vou pesquisar isso...

domingo, 3 de agosto de 2008

Sábado com Fernanda Takai

Sabe o programa “Tira Onda”, do canal de TV por assinatura Multishow? O conceito é simples: com câmeras escondidas ao seu redor, uma personalidade se disfarça de pessoa comum, por assim dizer. Juliana Paes tirou onda como balconista de livraria, Daniele Suzuki como caixa de supermercado. É a primeira vez que o programa vem a Minas Gerais e a gravação será com Fernanda Takai. Saio correndo atrasado e paro no Mercado Central, aqui em Belo Horizonte. Acho o pessoal e ouço as instruções. Vou ser assistente de produção do programa.

Fernanda Takai chega, sempre simpática e sorridente. Diz “obrigada” a todos que passam e gritam elogios e depois conversa com as produtoras do programa. No total somos cerca de 16 pessoas, sendo que mais da metade veio do Rio de Janeiro. Fernanda vai se passar por uma atendente de uma loja que vende ervas e raízes.

Primeiro foi preciso, com muito custo, esvaziar um corredor para Fernanda gravar uma passagem – a abertura do programa onde ela se apresenta e diz onde está. Essa não é uma tarefa fácil levando em conta que o Mercado Central é um dos lugares que mais passa gente nessa cidade. E era uma da tarde de sábado! Mas ainda não era essa a parte mais difícil.

Vimos onde estavam as câmeras e, sem interferir no fluxo natural dos clientes da loja, precisaríamos pegar a autorização do uso de imagem de todas as pessoas que passassem na frente delas! E forem bem lá umas mil pessoas, no mínimo. Algumas simpáticas, outras super grossas, fomos tentando recolher permissões durante toda a gravação, que durou cerca de duas horas.

Todo mundo super cansado, mas feliz com o término da gravação. Deu tudo certo no final – sempre dá – e agora é hora de todos almoçarem juntos (às quatro da tarde). Não foi fácil pegar uma mesa pra vinte pessoas no Casa Cheia – o restaurante do Mercado Central que ganhou o concurso Comida Di Buteco desse ano. Sentados, pedimos o prato vencedor: almôndegas de carne de sol com molho de abóbora e queijo, arroz com brócolis e alho e batatas fritas.

Abraços e beijos e “prazer em conhecer” pra todo mundo. Levanto, vou pra casa e minhas pernas doem. Mas foi um sábado muito interessante. Bem diferente e, na maior parte dos momentos, divertido.

Para ouvir depois de ler: Diz Que Fui Por Aí - Fernanda Takai

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Abalou Gotham em chamas



Se você não assistiu "Batman - O Cavaleiro das Trevas" saiba que está dentro de uma minoria ameaçada de extinção. A bilheteria vai muitíssimo bem obrigado e dando sinais de ultrapassar a de “Titanic”. Boa parte da culpa disso é a vontade do pessoal em ver o ator Heath Ledger em seu último papel – ele morreu em janeiro.

Ledger interpreta, e muito bem, o vilão Coringa. Tem gente por aí dizendo que melhor que o Jack Nicholson, mas não dá pra comparar. O Coringa do "Batman", de 1989, é outro. Ele é mais cômico, mais seguro e mais caricato.

O Coringa do filme de Christopher Nolan, o de Heath Ledger, é bem mais psicótico. Ele surta como se a violência e o terror fossem as respostas mais imediatas ao bom-mocismo fajuto, ao heroísmo oportunista e a todos os truques que sustentam o sistema corrupto, excludente e repressor que reina em Gotham City – e por outros lugares fora da tela também.

O vilão se vitimiza contando versões para suas cicatrizes no rosto. A história da violência paterna, em uma família disfuncional, é usada como justificativa para sua fúria, desesperança e ação suicida de destruir tudo a sua volta. Ele vive no gueto, na marginalidade, não tem amigos, não tem amantes e nem capangas.

"Why so serious?" (por que você está tão sério?), repetida pelo Coringa como a pergunta perversa de seu pai antes de mutilá-lo, já é uma das frases do ano e estampa camisetas, pôsteres, nicks de MSN e perfis de Orkut. Antes de ver o filme achei isso estranho. Como ver um filme de herói e sair amando o vilão? É que Coringa não é tão categórico assim e o filme não é de herói. Batman e Coringa fazem um filme sobre a dicotomia das ações e dos desejos das pessoas, mostrando como todo mundo é igual diante de certos sentimentos.

Para ouvir depois de ler: The Hives - Tick-Tick-Boom

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Com vergonha do Orgulho

No último final de semana aconteceu a Parada do Orgulho Gay. Muita gente veio me perguntar o motivo de eu não ter ido. É que eu acho aquilo uma super bobagem. Há todo o lado político, claro. Mas eu prefiro ter orgulho aqui em casa do que lá.

A campanha da Passeata deste ano era a favor do projeto de lei que transforma a homofobia em crime. Acho ótimo, apoio. Mas vai ver quem estava lá e tinha conhecimento disso. Perguntei pra amigos que foram e poucos sabiam. E os que sabiam não souberam me dizer de quem é o projeto de lei, de onde o cara é, onde precisa aprovar. É um circo, a maior parte das pessoas vai pela farra e pela pegação. Eu não me reconheço nisso. Se há algo que eu apoio é quebrar o preconceito de que todo gay é promíscuo, usa rosa, ouve Cher, têm glamour, purpurina e arrasa. Aí chega a Parada e mostra o contrário. Me dá um pouco de vergonha, sabe? Eu não me identifico com nada ali.

O argumento de muitos é o de que é importante mostrar pro mundo que “nós existimos”. Mas gays sempre existiram, mainstream ou underground. Não é melhor validar sua existência com você mesmo? Organizar uma passeata gigantesca pros outros verem é reafirmar que é eles que têm o poder.

Não sei se estou certo, mas é isso que penso. Eu não uso blusas com arco-íris, mas eu não tenho vergonha de ser gay, não nego se me perguntam. Pra quê me importar com isso? As pessoas que realmente precisam saber disso já sabem, estou satisfeito. Sou a favor da aprovação dessa lei, do casamento gay, da adoção de crianças por casais homossexuais, porém organizar shows com um travesti vestido de Amy Winehouse não vai trazer isso mais rápido.

Para ouvir depois de ler: Katy Perry - I Kissed a Girl

sábado, 19 de julho de 2008

Um Obama pra chamar de seu

Seria uma baita idiotice eu dizer que fiquei interessado em saber mais sobre Barack Obama pois descobri que ele ouve Rolling Stones? Ah, e também Earth, Wind & Fire, Bruce Springsteen, Bob Dylan, Sheryl Crowe e Jay-Z. Claro que sair por aí falando que tipo de música você ouve é bom, te aproxima de quem tem um gosto parecido e, logo, o candidato democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos já tinha o apoio de vários músicos. “Músicos são mais inclinados à idéia de mudança”, disse o presidenciável à revista Rolling Stone desse mês.

As opiniões dele me chamaram bastante atenção. O apoio de músicos e o fato de ser negro levam a perguntas sobre as letras de rap e hip-hop. Barack é categórico ao afirmar que, por definição, o rock é a música da rebeldia. Se ele não for criticado, não está fazendo seu papel. Rappers são bons homens de negócios, mas é injusto culparem o estilo por destruir valores familiares sozinho.

Ele tem um plano de investimentos a longo prazo em combustíveis e geradores de energia alternativos que deverá reduzir a emissão de carbono dos Estados Unidos em 80% até 2050 se seguido à risca. Obama teve the fucking balls de basear sua campanha em questões ambientais e sociais. São os assuntos mais delicados de se tratar. “Durante o período em que os republicanos tinham a maioria no Congresso, as empresas petrolíferas literalmente escreviam a legislação energética e as empresas de medicamento as do setor”, disse. E quem viu “Fahrenheit 9/11” (Michael Moore, 2004) sabe que isso existe mesmo – é tudo uma grande jogo de interesse pessoal e há lobistas por todos os lados. “Estamos basicamente num governo New Deal em uma economia do século 21. Precisamos de um upgrade”. Fazer lobby é muito lucrativo, Obama vai pisar no pé de big guys, mas é agora ou nunca, né?

Outra questão delicada onde Obama permanece calmo é o casamento gay. Ele não estabelece relações simplistas entre grupos (“Porque é fácil cair em um concurso sobre vitimização”, diz) mas acredita em uniões civis que garantam todos os direitos. Assim, mesmo que a sociedade ainda tenha problemas em aceitar isso – por questões variadas – já há um consenso, pelo menos, no que diz respeito a coisas como benefícios de seguro social e visitas em hospitais. Com esse consenso crescendo, logo logo o restante muda. A cultura está mudando.

Barack Obama está se saindo o pai do otimismo. Ele acredita no povo norte-americano mais que o próprio povo talvez. Mas é que, pela primeira vez em tempos, querem saber mais para onde o presidente vai levar o país do que querem saber sobre “o” presidente, e sua vida e blá blá blá. Acho incrível isso. Eu tirei meu título de eleitor no dia seguinte ao meu aniversário de 16 anos e tenho soltado suspiros atrás da urna eletrônica quando percebo que estou votando no candidato menos pior. Quero um Obama aqui. Eu super votaria nele.

Para ouvir depois de ler: Bruce Springsteen - The Rising

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Jaquissom Jonata Gladyson da Silva, liberal de esquerda


No blog de um amigo, achei um teste para checar suas direções políticas. Eu acho que escolas deviam ter programas de inclusão no mercado de trabalho para o jovem recém-formado, sou contra pena de morte, a favor do aborto e de gays adotarem crianças. Também não acho que devia ter ensino religioso nos colégios. Acho que quem tem condições financeiras de ter acesso a cuidados médicos mais avançados devia tê-lo, mas também não acho que os impostos são baixos para os ricos. Então o meu deu isso, liberal de esquerda. Quem quiser fazer também, eis o link.

Num teste bem diferente, você escolhe seu grau de pobreza e vê qual é seu nome de pobre. O meu é Jaquissom Jonata Gladyson da Silva. Saiba o seu aqui.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Saramago sim e amém.

Passou uma mulher perto de mim no shopping e olhou pra vitrine da livraria. Ela viu uma edição de “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, com uma folha colorida sobre a capa que dizia “Livro que inspirou o filme de Fernando Meirelles”. E ela disse com desdém: “Ah, agora que vai ter filme, todo mundo vai querer ler”.

Sim, muita gente vai querer ler antes do filme. Outros depois. Mas não são motivos válidos? Querer ler Saramago é um feito num país onde nem tantas pessoas lêem. Os dados mostram que 53% das pessoas alfabetizadas gostam de ler, mas sempre tem o jovem que só lê livros recomendados pela escola e o pessoal que só lê a Bíblia.

Acho cínico isso. Dizer que brasileiro não lê e depois criticar que, quando lê, é só Paulo Coelho. Enfim. Insistir que a única coisa boa nas prateleiras é Machado de Assis e Guimarães Rosa é uma perda de tempo. Eles são geniais, existem outros exemplos, mas eu não tenho preconceitos com a nova geração da literatura, sabe? Há espaço pra todo mundo de todos os tempos e gêneros. Bruna Surfistinha, Sidney Sheldon, Fernanda Young, Candace Bushnell, Nick Hornby, José de Alencar, Conan Doyle. Escolha o que você quer ler, você é livre!

Mas não me venha com essa. Não interessam os motivos que levaram alguém até um livro, interessam? O que importa é o resultado, o que aquela experiência de leitura veio a somar ou não na sua vida, no seu caráter. Deus sabe que motivos muito imbecis me levaram a livros pra lá de geniais.

Para ler depois de ler: Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Eu acabei de nascer

As pessoas com boas notas não tinham vida social e as que tinham vida social não tinham boas notas. Essa máxima era a desculpa que eu usava para ser infeliz à minha analista. Afinal de contas, no colégio, eu não tinha nenhuma dessas duas coisas. Ainda tenho dúvidas se tê-las teria me feito feliz, mas não é essa a questão. A questão é que eu não tinha pois não queria, acho.

Pensa comigo. Eu não vou responder, mas imagine o meu conceito de vida social na quinta série. Porque eu não bebia, não saía, não usava nenhuma droga nem fazia sexo – e já vieram me dizer que existiam boatos que eu fazia essas coisas todas e as vezes juntas. Ai, ai. Então, vida social de quinta série eu tinha sim. Ia ao cinema, ia ao McDonald’s, matava aula pra comer chocolate. Não acho que havia algo errado nisso.

Eu me achava maduro demais para as pessoas ao redor. No mesmo dia que fui à escola sem ter dormido pois virei a madrugada terminando de ler “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, ouço pessoas comentando sobre a última entrevista da Sandy. Ô preguiça. E pra alguém que aprendeu inglês sozinho, freqüentava sebos e usava o cabelo partido de lado, havia algo de político e anárquico em ter notas baixas.

A verdade é que a vida ficava mais fácil mantendo a expectativa de todos baixa. Ainda fica. Minha arma quando crescendo era já parecer estar crescido. E só confesso isso pois constatei que minha arma para negar que cresci é parecer estar crescendo. Eu não estou correndo atrás de nada que perdi, não acho que perdi nada, mas sim que há espaço para tudo.

Ler fofocas de celebridades não anula Edgar Morin. Minha inteligência não está perdida se estou sendo infantil ou nojento. Há hora e lugar para ser sério. E, como eu já disse antes, acho que aquela seriedade e importância que eu dava pras coisas quando era mais nova vinha do medo. Hoje ela vem de um lugar diferente, do reconhecimento. Que irônico: eu escolhi ler livros sobre pessoas, ao invés de interagir com elas, para poder ser levado a sério. Agora eu pouco ligo. Como disse Dr. Seus, seja quem você é e diga o que você pensa. Afinal, os que interessam não se importam e os que se importam não lhe interessam.

Eu achei que tinha me tornado adulto ali, às sete e vinto cinco da manhã e na última frase de “Os Miseráveis”. Que bobagem. Eu acabei de nascer...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Fazendo as pazes com o futebol – não com os fãs

Futebol no Brasil é uma coisa incrível. E quando eu era criança e ativista anti-futebol me irritava com isso. A tevê dizia na Copa do Mundo que “o futebol unia todos em uma só paixão” e eu ficava indignado pois fazia questão de ficar fora disso. Não via jogos, não comemorava gols. No primeiro jogo do Brasil no Japão, eu estava no MSN e meu nick era “Vamos lá Holanda [acho que era a seleção rival], corte o mal pela raiz”.

Sabe como de repente Los Hermanos virou a banda mais chata do mundo por ter fãs chatos? É isso que aconteceu com o futebol pra mim. Dia de jogo da seleção é quase feriado. As pessoas não têm pressa na rua e atrasos ou saídas adiantadas são perdoadas. Será que isso é só por aqui? Até na fala das pessoas – se algo não foi pra frente, “ficou no zero a zero”; se você faz muitas coisas você “chuta, corre e cabeceia”.

Mas eu tenho me aventurado nos esportes ultimamente. Não jogando, claro. Sou uma negação em todos que já tentei praticar. Mas assisti algumas três partidas dos playoffs da NBA e tenho vontade de escrever sobre isso desde então. Gente, aquilo que é esporte! Eu confundo os nomes das equipes, não sei quem são as estrelas de cada time, mas me vi torcendo na frente da TV. Eu sinto que eles dominam muito a técnica do que estão fazendo e que dão tudo de si mesmo.

Então tá. Eu entendo a paixão do povo pelo futebol. Mas assim, precisam de limites. Geral com fones ouvindo um jogo de futebol durante a aula e a professora pergunta quanto está o placar! Onde já se viu isso? Cadê o bom senso? No banco de reservas esperando pra entrar em campo, eu torço.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Pharrell, vem cá, me explica?



Que tal o novo CD do trio N*E*R*D? Então, saiu “Seeing Sounds”, terceiro trabalho deles, e eu tenho tido problemas pra parar de ouvir. Eu não sei explicar muito bem. Queria conversar com o Pharrell sobre isso, acho que a culpa é dele.

N*E*R*D – pronuncie soletrando – significa no-one ever really dies (ninguém morre de verdade). Trata-se de um trio formado por Shay Haley (bateria, percussão e vocais), Chad Hugo (violão, piano, baixo e saxofone) e Pharrell Williams (vocais principais, piano, teclado, guitarra, percussão).

Caso você não esteja ligando o nome à pessoa, Pharrell e Shay são os moços que formam a dupla The Neptunes, responsável pela produção de umas boas músicas de Justin Timberlake, Gwen Stefani e de Britney Spears pré-surto. Pharrell também produziu as melhores faixas no último de Madonna, “Hard Candy”.

Apresentações feitas, vamos ao ponto: que CD bom! Os moços são excelentes em criar letras divertidas com pinceladas de seriedade. É pop, é hip-hop, é urbano, é moderno - mas tem espaço pra malabarismos vocais, baladas e solos de guitarra. O primeiro single é legal, mas não faz jus ao álbum.

Destaque pra “Windows” e “Anti-Matter”. Vontade de sair pulando pela casa sempre que ouço. Ainda não passei elas pro meu MP3 player com medo de eu não conseguir me controlar e sair dançando pela rua. Sério. “Happy” e “Know About It” também me dão essa sensação, e a última tem ar anos 80 gostoso. A balada de refrão forte “Love Bomb” também é interessante. É daqueles CDs que você passa um tempo ouvindo só três músicas, depois outras três... E no final vê que curte ele todo.

Pharrell, meu filho, como assim? O que você tem? Tudo que esse moço toca vira ouro é? Francamente... Toca aqui.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sexo, cidade e bastante chororô



E lá vou eu enfrentar uma fila gigante pra ver “Sex and the City – O Filme” no final de semana de estréia. Deduzi que o longa teria um final surpreendente e que alguém ia acabar me contado durante a semana, então decidi ir ver logo - e nem tinha. A fila se divide em cinco tipos de pessoas: a) grupinhos de patricinhas, b) grupinhos de coroas; c) casais gays; d) casais playboy + patricinha e e) eu sozinho.

O começo do filme faz um resumão do que aconteceu durante a série na vida de cada uma delas, usando até cenas do seriado mesmo. É interessante. O filme tem umas piadas boas e uma cenas quentes boas, mas me decepcionou um pouquinho. Eu não fiquei satisfeito com o desfecho na TV, então porque estaria com o filme, já que ele começa onde a série terminou?

O que acontece é o seguinte: a série terminou com todo mundo bem. Aí fizeram um filme com o final feliz do seriado sendo quebrado e reconstruído. Pronto. 130 milhões de dólares a mais para Sarah Jessica Parker right there. Não me arrependi de ver o longa-metragem exatamente pelos motivos que fizeram muitos se arrependerem: tem menos sexo no filme. Ele está lá, claro, mas o filme tenta falar mais de amor e outros sentimentos do tipo. Achei uma tentativa... bonitinha. A comédia se transforma em drama e esse virou o ponto alto do filme pra mim – e pra todos que já passaram por algo semelhante àquilo.

Mas a melhor parte é que esse chororô todo devia ter me feito baita mal, mas eu saí do cinema leve e feliz, vendo como o que eu tenho comigo é diferente daquilo tudo que estava ali na tela. Eu estou feliz onde estou com quem estou e ansioso para o nosso futuro juntos.

Para ouvir depois de ler: CocoRosie - By Your Side

sábado, 7 de junho de 2008

- Senhor Gabriel?

Ai, pronto. Telemarketing. Tenho exatos dois segundos pra pensar em algo. Não, é engano. Ele está no banho. Ele não está. Mas algo se contorce dentro de mim, minha mente dá uma volta completa e eu só consigo dizer:

- É ele.

Pronto. A Cláudia, da Oi, vai pentelhar no meu ouvido duas horas agora. Entretanto, para meu espanto (e pra fazer uma rima básica no texto), a proposta soa interessante e é exposta rapidamente. Prometo que entrarei no site para checar detalhes da promoção e que dou minha resposta definitiva no dia seguinte, quando ela me ligasse.

Ela liga. Eu digo que não vi o site ainda. “Sabe, Cláudia, eu estou atolado de trabalhos na faculdade e não tô tendo tempo pra nada”. Ela diz que entende e pergunta se pode retornar a ligação, mais uma vez, no próximo dia. Afirmo que sim, claro, boa tarde, obrigado.

Ela liga e, desta vez, eu estou no banho. Minha irmã atende. Ela liga outra vez no dia seguinte. “Cláudia, você não vai acreditar! Eu não vi o site ainda”. Ela compreende e diz que me ligará na manhã de sexta. Chega a fatídica manhã e, pasmem, eu esqueci de olhar o site. Talvez já antecipando isso, Cláudia torna-se agressiva comigo.

- Senhor Gabriel? Estou ligando para confirmar o agendamento dos serviços.

Quando ia dizer que não tinha agendado nada, ela me interrompe e diz:

- Eu sei que o senhor não agendou nada ainda. Quis dizer o seguinte: caso você opte pelos serviços, a instalação poderá ser feita ainda hoje.

Uau, Cláudia é tão preocupada e precavida. Explico novamente o caso. Eu pago a internet e outra pessoa paga a TV por assinatura. Eu preciso ver com ela se é vantajoso trocar. Ela entende e diz que liga buscando uma resposta definitiva na segunda-feira.

Adivinha se eu já olhei o site.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os sabores de Alanis.

Vazou há um tempo o novo CD de Alanis Morissette, “Flavors of Entanglement”. Acho que a novidade no caso é Guy Sigsworth, que já produziu Seal, Björk e Madonna. Mas impossível fazer comparações entre eles. Tem gente achando esse álbum dançante, mas é que está sonoramente mais alegre. Tem uns loops, um toque de drum’ n’ bass em algumas músicas, mas a Alanis de sempre continua ali – ou não, pois a moça está sempre mudando.

“Citizen Of The Planet” é obscura e bela, fala sobre não ter lugar fixo e como isso é confuso mas pode ser bom. “Underneath” tem um ar do álbum anterior “So-Called Chaos”. Instrumentos acústicos com guitarra bem marcada e gritos no refrão, achei alegre. “Versions Of Violence”, uma das faixas seguintes, experimenta com vozes e tem uma letra bem séria. Achei “In The Praise Of The Vulnerable Man” uma das mais bonitas. Adoro as declarações de amor dela. Fala sobre algo que precisamos dar importância: a capacidade da pessoa ao nosso lado se permitir ser vulnerável e agradece-la por isso. O ritmo é alegre e dá vontade de cantar junto.

“Moratorium” parece ter ganhado camadas eletrônicas que não foram originalmente planejadas, mas que caíram bem ali. “Torch” tem uma letra tão linda, que não consigo decidir entre ela e a de “Tapes” – que fala sobre auto-estima e auto-sabotagem; arrepio ouvindo. O álbum termina com “Incomplete”, uma música mais positiva, com malabarismos no coral, efeitos bonitinhos e uma letra genial! Me dá a oportunidade de gritar e cochichar, amo isso em Alanis. Talvez minha favorita.

Na edição de luxo do CD, teremos mais seis faixas. Entre elas, destaque para “On The Tequila” e “Orchid”. A primeira é um depoimento de felicidade aos amigos e a segunda tem uma letra doce e profunda e a voz dela esta mais bonita que nunca. Não entendi ainda porque essas ficaram de fora das 11 canções originais pro CD.

As pessoas querem que ela volte a ser bitchy como no primeiro álbum. “Jagged Little Pill” é maravilhoso, mas imitar aquilo seria dar um passo pra trás. Alanis está mais atenta, delicada e filosófica que nunca. É muito bom ver como ela amadureceu. Acho que pois isso quer dizer que o mesmo aconteceu comigo.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A arte da tradução

Sempre achei que títulos de filmes americanos, no Brasil, são um caso à parte de qualquer discussão. Do desafiador da lógica “Meu Primeiro Amor 2” ao estraga-prazeres “E o Marido era o Culpado”, esses tradutores me tiraram do sério. E eu sempre achava que, na verdade, os títulos originais é que eram geniais demais. Daí nada em português ia ficar melhor mesmo.

Quer um exemplo? O novo filme de Wong Kar Wai se chama “Um Beijo Roubado” por aqui. Uma bosta de título, convenhamos. Pode indicar comédia romântica, sessão da tarde e pornô. Título original: “My Blueberry Nights”.

O diretor do filme ia usar torta de morango na história – então ele possivelmente se chamaria “My Strawberry Nights”. Mas ele perguntou à Norah Jones, sua atriz principal, qual a torta que ela mais odiava – e ela disse que era a de blueberry. Então ele mudou tudo e fez a pobre comer quilos e quilos de torta de... mirtilo. Sim, a tradução de blueberry é mirtilo.

Foi quando me dei conta! Pensa bem, esse filme poderia se chamar “Minhas Noites de Mirtilo”. Isso faz que até mesmo um título totalmente estúpido, como “Um Beijo Roubado”, pareça bom. Traduções literais nos títulos são ruins, manter o nome original e colocar um subtítulo também é ridículo, mas colocar um nome completamente diferente, às vezes, dá certo.

domingo, 18 de maio de 2008

Mate o entrevistado

Além de só comer miojo de galinha caipira ou tomate, ser leitor assíduo da revista “Caras”, e só me sentir confortável naquelas meias baratinhas das Lojas Americanas, tenho uma face pouco conhecida. Eu fui produtor de TV.

Ok, eu tenho 20 anos, não trabalhei na Globo. Mas ter passado sete meses fazendo matérias e produzindo um programa semanal de entrevistas foi pra lá de punk rock – nos sentidos bom e ruim da coisa. A vontade de assassinar uma boa dúzia de convidados não tá escrito. Aqueles que, por mais que a TV já tenha completado 57 anos, ainda não entenderam o procedimento de aparecer nela. Pensando nisso, me ocorreu de fazer uma lista com as duas regras óbvias. Foram instituídas lá em mil novecentos e Hebe-Camargo-Menina, mas alguns insistem em esquecer:

Fique na cadeira!
Nada de cadeiras que giram, pois o telespectador fica mareado com aquele balanço. Mete lá um sofá ou um banquinho de madeira. O fio do microfone passa por trás e deixa tudo certinho pro convidado sentado. O problema é que, depois de uma hora de entrevista, o sujeito esquece que tá na TV, fica confortável, e esquece que o apresentador despediu de você de mentirinha. Você ainda precisa ficar ali sentado pra gente fazer cenas de corte e te desconectar do microfone. Mas eles ouvem o “obrigado pela participação” e se levantam! Grrrr!

Não bote a mão no microfone!
A haste do microfone devia dar choques de 220 volts em quem encostasse ali sem ser repórter. Porque ô mania que essa gente tem de querer afagar o instrumento de trabalho do jornalista ou tomá-lo da mão dele. Quando é microfone de lapela (aqueles que ficam na gola) convidados são mestres em dar umas boas expirações altas ou encostar a mão toda hora nele, causando o famoso xugstaramrram no áudio.

Ai, ai. TV só é bom do lado de fora. E olhe lá!

sábado, 10 de maio de 2008

Não vi Homem de Ferro ou Speed Racer bebe leite.

E essa nossa vida de modernos, ein? Existem milhares de estilos musicais e gêneros de filmes mas, de alguma forma, não me parece suficiente isso. Agora há a pressão do quando também. As coisas que você vê, lê e ouve te definem de certa forma e, as vezes, também suas companhias. Mas que merda é essa: “Já ouviu o novo CD do The Fulaninhos?”. Eu respondo perguntando: “Já saiu?” e me lançam um olhar de desprezo enquanto me dão um tapa verbal: “Mas já vazou faz tipo três dias!”.

Então lá vai: Não, eu não baixei o CD dos Fulaninhos. Eu tenho baixado menos músicas ultimamente ou priorizado músicas mais antigas – e antiga quer dizer pré-anos 70, não 2005. Não, eu não vi “Homem de Ferro”. Tenho dúvidas sobre a credibilidade da história que só quero responder no conforto da minha sala, vou esperar o DVD e não me importo se “todo mundo já viu”.

Sabe, tenho o direito de decidir o quando. Tanto que acabei de ver “Speed Racer”, o novo filme dos moços de “Matrix”. Eu assistia o desenho animado nas minhas madrugadas de Cartoon Network – mescladas com “Sexy Time” do MultiShow, claro. Tinha altas expectativas e o filme não é ruim, mas talvez elas é que fosse altas demais. O caso foi que, ao invés de ver um filme de ação punk rock, me vi diante de um filme infantil com lição moral no final, com discursos pró-família unida jamais será vencida. Speed Racer comemora uma vitória bebendo leite! Mas não posso negar: foi divertido.

Para ouvir depois de ler: Get Rythm - Johnny Cash

domingo, 4 de maio de 2008

Promessas do meio do ano.



Acordei desesperado por jazz. Pensei em ouvir Norah Jones, precisava de canções calmas. Mas coloquei Jamie Cullum. Ele é novinho, mistura jazz e pop e rock de uma forma gostosa e as letras são legais. Aí começou a tocar “Next Year, Baby”, uma canção que fala sobre promessas de ano novo. E percebi que não fiz nenhuma.

Acho que estava cansado de não cumpri-las. Mas vou mudar isso agora. Sim, estamos em maio, mas eis o que quero fazer até o final do ano: esse ano eu quero beber menos. Gastar menos com coisas supérfluas. Quero ir mais vezes ao cinema. Quero tirar minha carteira de motorista. Quero fazer mais tatuagens, ler mais romances, fazer mais amigos. Comer mais doces, receber mais carinhos e trocar sussurros.

Para ouvir depois de ler: Next Year, Baby - Jamie Cullum

domingo, 27 de abril de 2008

Amor de irmão é uma piada.

Quem tem irmãos ou convive com gente pequena deve saber: crianças são capazes de inventar as brincadeiras mais nonsenses da paróquia. E o legal é que, apesar do amplo repertório comum – com jogos do tipo esconde-esconde, taco, chá de bonecas e afins – toda criança teve suas brincadeiras particulares. Como as minhas com Isabela.

Como muitos sabem, Isabela nasceu quando eu tinha seis anos e era a estrela da casa. Foi duro ter de dividir o posto com um bebê que parecia um queijo branco. No conviver, a pessoa absorve um pouco de você e a identificação foi aparecendo e fomos ficando o mais amigos que podemos ser com essa diferença de idade.

Tínhamos, por exemplo, mania de inventar música pra todas as coisas. Quando nossa mãe fazia um pudim, tinha uma musiquinha. Quando pegávamos elevador, tinha outra. Era muito engraçado.

Nosso quintal tinha uma cratera quadrada gigante que meu pai gostava de chamar de “buraco onde vamos construir uma piscina”. Um dia, munido de cubinhos de chiclete, fazia bolas com eles e cuspia dentro desse buraco. Um a um, logo havia uma pequena plantação de bolas vazias e vermelhas dentro da piscina. Chamei Isabela e disse: “Tá vendo aquilo? São ovos de aliens”.

Hoje nosso catálogo de piadas internas é tão vasto que, num almoço em família, peguei meu avô dizendo pra minha mãe: “Eu não entendo nada que eles conversam”. Claro que não. Uma conversa nossa, em dias de bom-humor, envolvem falas de filmes, séries, rimas, trocadilhos e musiquinhas.

Explicação? Até hoje não achei. Mas são memórias inexplicáveis que só me fazem sorrir.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Um álbum saboroso!

“Hard Candy”, o novo CD de Madonna, vazou na internet no final de semana e me causou dois alívios. Primeiro pois eu estava muito curioso e agora, finalmente, ouvi as canções. Segundo pois pude ouvir e concluir: ele é bom!

Estou bem aliviado pois, quando vi a capa, eu não acreditei. Achei estranha. Quando ouvi o primeiro single, “4 Minutes”, eu morri: é uma música estranha, com uma letra pra lá de fraca, com buzinas e featuring Justin Timberlake.

Mas o álbum tem um conceito e letras muitos mais profundas do que as que esperamos de um CD dance. Ele começa com “Candy Shop”, uma canção fraca mas gostosa que abre o track list. Aí vem “Give it 2 Me”, uma música produzida pelos Neptunes. Nada de sexual na canção, ok? Fala sobre “deixa comigo que eu dou um jeito, ninguém vai me deter”. Super animada e serve direitinho em qualquer pista de dança. Será o segundo single, aposto.

“Heartbeat”, como disse uma amiga minha, é bem legal por ser moderna e, ao mesmo tempo, bem Madonna. Uma música bonita sobre o prazer de dançar e uma ponte muito legal. Depois vem “Miles Away”, produzida pelo Timbaland. Bem eletrônica mas com violões, fala sobre amor à distância. Ela canta nuns agudos e sobe umas notas como ela nunca fez antes. Nota 10, linda música.

Destaque pra “Incredible”, uma canção sobre como você só percebe o quanto as coisas estavam ótimas quando elas ficam ruins. Começa rápida, desacelera e anima de novo. É melancólica, mas dançante. Aí vem “Beat Goes On”, do Kanye West com Neptunes, bem diferente da versão que vazou, mais dançante e com mais malabarismos vocais. Depois tem “Dance 2tonight”, com back vocais do Justin. Dançante e sóbria, tem um ar oitentista e lembra “Kiss” do Prince.

“Spanish Lesson”, a próxima canção, é diferente do resto do álbum – que é redondinho – e tem umas batidas quebradas. É como se Madonna tivesse sido produzida pelo Gogol Bordello aqui. Ela fala umas coisas em espanhol, mas o conceito da música, em resumo, é “dance sem se importar com a letra”. A próxima chama-se “Devil Wouldn’t Recognize You” e é genial - pudera, Madonna prometeu essa canção em "American Life" e depois no "Confessions" e a faixa nunca era finalizada de uma forma que a deixasse satisfeita. A letra é mais pessoal, o clima é um pouco mais pesado, bem menos dançante. Lembra “Cry Me A River”, do Justin. A canção fala sobre como podemos ser prepotentes, achando que estamos fazendo o suficiente, salvos e que nem o diabo nos reconheceria.

Eu adorei “Hard Candy”. Estava com medo de Madonna se perder com esses produtores, mas isso não aconteceu - ela sabe o que faz e esse CD prova isso de uma forma deliciosa. Pharrell Williams subiu no meu conceito! Agora até já acostumei com a capa. A primeira frase de "Voices" pergunta: "quem é o mestre e quem é o escravo?". E "Madonna" é a resposta pras duas perguntas.