sábado, 13 de dezembro de 2008

Os gays, as crianças e os adultos

Acabei de assistir “Madagascar 2” com minha irmã mais nova. E foi ela mesma quem reparou e me disse depois da sessão: “Quanta piada de gay, né?”.

De fato. A nova comédia animada da DreamWorks tem tiradas fantásticas e um genial humor visual (não vou dizer “físico” pois não são atores reais). Entre os trocadilhos e piadas infames, muitas têm referencias gays. Não são explícitas nem de mau gosto, mas não é paranóia, elas estão lá.

Quer um exemplo? O filme começa contando a infância do leão Alex. No flashback, vemos que o nome completo dele é Alicay e que ele não era aceito pelo pai, pois preferia ficar brincando com borboletas e dançando ao invés de lutar com outros leões.

Em outro momento, um marsupial que chega dançando usando um biquíni de duas peças, provoca os outros perguntando quem se sentiu atraído por ele antes de sua verdadeira identidade ter sido revelada.

Bizarro? Na verdade não.

A população gay está crescendo e buscando seus direitos. Apesar de ainda existir muito preconceito e desinformação (caso não sejam sinônimos), muitas coisas estão sendo esclarecidas e, em busca de seus direitos, casais homossexuais estão sendo mais bem aceitos. Dessa forma, casar e ter filhos tem sido uma opção. Na verdade, legalmente ou não, isso tem acontecido desde sempre.

“Madagascar 2” está longe de ser uma tentativa de esclarecer qualquer aspecto em relação ao tratamento dado aos gays, mas o filme atinge muita gente (no Brasil, ele já contabilizou 220 mil espectadores no final de semana da pré-estréia) e isso é uma mudança interessante na hora de fazer humor para crianças.

Afinal, quem nunca suspeitou de Scar, o tio do Simba em “O Rei Leão”, Piu-Piu, He-Man, Velma, Snarf dos Thundercats, Robin ou Shun, o Cavaleiro dos Zodíacos de armadura rosinha?

Quando alguém fala sobre filhos de casais homossexuais todo mundo já pensa em adoção, inseminação artificial, barriga de aluguel. Mas nem sempre é assim. Pais e mães ao redor do mundo se divorciam e encontram a felicidade ao lado de alguém do mesmo sexo todos os dias. Como as crianças vêem isso? Legal ver gente preocupada com o tema.

Falando nisso, viram que a Proposta 8 passou? Ela torna o casamento entre gays novamente ilegal na Califórnia, um retrocesso inacreditável. Campanhas contra sua aprovação (que contaram com apoio de gente como Cynthia Nixon, Steven Spielberg, Brad Pitt e Angelina Jolie) não foram suficientes. Uma pena.

Como disse a cantora Melissa Etheridge no programa da Oprah, não é que todo gay queira casar, é que eles tem que ter a opção. “Nosso país tem uma linha muito tênue entre igreja e estado. Um país que oferece liberdade religiosa é maravilhoso. Se você acredita que vou para o inferno pelas coisas que faço, okay. Você tem o direito de acreditar nisso e tem seus direitos civis”. Ou seja, quem não acredita não tem? Que maluquice é essa?

Para ouvir depois de ler: Why It's So Hard? - Madonna

6 comentários:

Glauce Lucas disse...

Acredito que possa me alongar demais no meu post, mas não quero deixar de comentar algumas coisas.

As vezes me pergunto até onde estamos evoluindo ou regredindo em diversos assuntos. O homossexualismo é um deles. Muitos direitos estão sendo alcançados, muitos comportamentos estão sendo aceitos. Mas eu ainda vejo muito preconceito e muitas vezes por parte de pessos bem informadas. O preconceito brasileiro dá medo porque ele é negado. Isso se aplica ao homossexualismo e também ao racismo, para dar apenas dois bons exemplos. Eu sempre estive cercada de comentários de mal gosto no trabalho, na faculdade, na vida. E eles sempre vem acompanhados da frase "não que eu tenha preconceito". Já começa errado.

Eu apóio muito que assuntos como esse sejam abordados em filmes como esse, visto por crianças. Mas também me pergunto até onde isso ajuda. Vou dar um outro exemplo, baseado em um texto que li hoje: um professor de filosofia do ensino médio de SP está sendo acusado de doutrinar e manipularseus alunos por falar sobre vegetarianismo e veganismo em suas aulas. E me pergunto se isso também não pode acontecer ao abordarmos o homossexualismo. Porque impor que uma pessoa coma carne desde quando ela nasce é "normal". Da mesma forma que impor o heterossexualismo também sempre foi "normal" ("anormal" é ser gay, não é?). Sei que são assuntos bem diferentes, mas tem em comum o fato de ir contra a maioria.

Eu ainda acredito em um mundo que aceite melhor muitas coisas e acredito que as crianças são esse futuro, mas educação e valores vem dos pais e os pais atuais ainda estão muito longe de se livrarem de seus preconceitos e desinformação...

=***

Alfredo Souza disse...

Fiquei com orgulho de vc ter escrito esse texto. Ótimo!

Fernz disse...

Heeeey!!! Que textos mais gostosos de ler! Voce escreve de maneira agradavel, sem pedantismo, sem mirabolancias! rs

Adorei mesmo!

Favoritei vc.

Bjos

Serginho Tavares disse...

de fato não entendi como essa lei não passou na california
logo a california??????????? ser moderninho de fora pra dentro é muito cômodo!

Diego! disse...

Os americanos são mesmo cheios de contrastes!

Até...

Mila disse...

Olá, Gabriel,

Gostei do seu blog e principalmente desse texto, sobre Madagascar.

Ainda não assisti a animação e pretendo assisti-la para comprovar o que foi escrito por vc.

Bjim!