segunda-feira, 27 de abril de 2009

Eu não uso relógio de pulso

“Você não usa relógio de pulso?” dizem todos assustados ao meu redor quando essas palavras saem da minha boca.

Eu passo meus dias na frente de uma tela de computador que tem um relógio ali do lado. Quando estou longe dele, meu celular está perto de mim, caso eu queira saber as horas. Mas é que raramente eu quero. Não da forma que os outros olham.

Não me atraso com frequência a compromissos – se é que os tenho – mas é uma coisa meio política. Eu não uso pois eu não quero usar. Embora eu passe um tempo considerável planejando meu futuro – a longo, médio e curto prazo – eu tento não pensar no passado e constantemente as pessoas olham as horas para saberem quantas já passaram, nunca quantas virão. O tempo é muito mais percebido pela sua escassez que pelo seu excesso e eu tento combater isso dentro da minha inocência.

O último relógio que ganhei era feio, mas eu andava com ele mesmo assim. Apesar de tudo que disse, não sou contra eles, os objetos relógio de pulso. Alguns são bonitos e tudo. O meu não era, mas estava lá.

- Cadê ele? - me perguntou a pessoa que me deu de presente.

- Ah, dei para o mendigo da rua perto do meu trabalho. Ele vivia me perguntando as horas.

Passou da hora de parar de bobagens.

2 comentários:

rafael disse...

'para ouvir depois de ler': a dança das horas - amilcare ponchielli.

priscila disse...

É real que a grande massa olha sempre para o dito cujo "relógio de pulso"como aquele que sempre informa o já passou não o que ainda virá.Temos que perceber o quanto de único está ainda na virgindade das horas que virão!E realmente o Sr.Relógio atrapalha um pouco.