terça-feira, 30 de março de 2010

Enfim, só.

É muito bom ter amigos, estar cercado de gente e estar em um relacionamento. O problema começa quando passamos a depender dos outros para construirmos nossa própria identidade. Por isso, tem gente que odeia ficar sozinho.

Eu as entendo. Vivemos num mundo totalmente projetado para fora, para os outros. São inúmeras propagandas mostrando o que você deve ter ou usar para ser aceito por um grupo. Várias redes sociais para nos mantermos conectados, nos comunicando, interagindo, compartilhando, nos fazendo presentes e nos dando a sensação de estarmos sendo ouvidos.

Mas eu fui uma dessas crianças que foi criada em silêncio. Minha casa era grande e vazia – mas não no sentido pejorativo. É que eu brincava muito sozinho e viajava com meus livros e figurinhas e fantasias. Estar sozinho nunca foi penoso. Pelo contrário! E isso faz com que, as vezes, eu me sinta sufocado pelas pessoas que não enxergam esse prazer. Esse povo expansivo ou meloso em excesso. A capacidade de se recolher está tão pouco trabalhada assim hoje em dia?

Conquistar intimidade consigo mesmo é uma das coisas mais preciosas que se pode desenvolver ao longo da vida. No meu caso começou muito cedo, mas nunca é tarde. Trocar a sensação de ausência do outro pela presença de si mesmo é algo que só pode fazer bem.

E isso não tem nada a ver com fobias sociais, reclusão dentro de casa ou ficar em posição de lótus repetindo mantras. Sabe aquele momento do dia em que você fica repassando tudo que aconteceu? Basta levar esses pensamentos, que geralmente aparecem antes de dormir ou na hora do banho, para os outros momentos do dia.

É muito fácil. A parte difícil é controlá-los para não virarem uma tagarelice sem fim. Você precisa é usar esse tempo para tomar decisões, buscar soluções, cultivar ideias, confrontar dúvidas e medos, descobrir certezas, descartar o que já não nos serve mais.

Um querida amiga deu a dica um dia desses: perguntar porque. Você chegará a lugares incríveis se for honesto com você mesmo. “Por que não ligo no primeiro encontro? Porque tenho receio de ele achar que 'ajoelhou tem que rezar'. Por que ele acharia isso? Porque eu fiz não sei o que...”. Esse jogo dos porquês é muito pessoal. Mas vale – e muito – experimentar, pois existem crenças enraizadas que não devem mais nos acompanhar e o primeiro passo para a transformação é identificá-las.

Voltando ao assunto, depois de um dia agitado, a necessidade de falar compulsivamente, trocar idéias, desabafar – como deve fazer sua mãe e, talvez, você também – pode até fornecer um alívio momentâneo, mas o estado de inquietação permanece – já reparou aquelas pessoas que só usam as redes sociais para reclamar da vida? Então, é por isso.

Portanto, nada como recolher-se um pouco e permitir que os últimos acontecimentos sejam processados cuidadosamente. Com o tempo, a mágica acontece: à medida em que nos permitimos, vez ou outra, nos recolher em nossa concha, mais nos conectamos com nosso próprio centro, nossa essência e, conseqüentemente, adquirimos uma visão mais abrangente do nosso mundo interior e, ao mesmo tempo, de nossa conexão com tudo o que é externo a nós.

A partir disso, nosso relacionamento com os outros e com a vida só tem a ganhar, pois se torna mais verdadeiro, paciente e maduro. Quanto mais preenchidos nos sentimos, mais temos a oferecer. E quanto mais oferecemos, mais recebemos em troca.

Para ouvir depois de ler: How High - Madonna


3 comentários:

Pedro disse...

vou passar a te pagar ao invés de pagar minha psicóloga, topa?

dayane. disse...

Quando eu era pequena, eu brincava sozinha também. Morava num condomínio só com gente velha e meus amiguinhos da escola moravam longe.

Realmente, acho que graças a isso eu aprendi a apreciar a solidão. As pessoas precisam aprender a hora de ficarem caladas e ficarem sozinhas, pensando. Por não fazerem isso, acabam fazendo só besteiras e, infortunadamente, afetando quem não tem nada a ver com isso.

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