domingo, 18 de novembro de 2007

Já está escutando os sinos natalinos?

Pois é. Nem eu. Mas não é isso que as lojas querem que a gente responda. Porque se depender delas, o Natal começou lá pelo dia primeiro de novembro. Acontece que o calendário que eu e você conhecemos – aquele de 365 dias divididos por 12 meses – não é o adotado pelo comércio. O calendário deles é bem diferente.

Funciona assim: o ano para eles começa no final de dezembro, pós-Natal, quando chega o carregamento de roupas brancas, taças de champagne e cartazes com o ano seguinte escrito e estampado em letras brilhantes. Isso vai até o dia 2 de janeiro, quando a decoração de Reveillon dá lugar à decoração de Carnaval. Essa, por sua vez, dura bastante: acaba só lá por março. Máscaras de bailes antigos e confete em todas as vitrines desse meu Brasil.

Aí chegam os ovos de Páscoa de todos os tipo. E fica todo mundo morrendo de claustrofobia nas Lojas Americanas escolhendo qual vai querer e se decepcionando com o que ganha. Mas nem bem o coelhinho passou e já é substituído por tudo o que é relacionado com mães. Daí dá-lhe rosas vermelhas enfeitando as vitrines, juntamente com a palavra “Mãe” escrita em letras bem bregas, itálicas e com glitter.

Mamãe nem bem abriu o presente e tudo vira decoração de namorados. Corações bregas, ursinhos de pelúcia bregas e lingeries provocantes bregas tomam conta dos estabelecimentos. Dia dos Namorados é de longe a data mais comercial na minha opinião.

Passou o 12 de junho, é a vez do papai. Gravatas, maletas e, óbvio, a palavra “Pai” escrita em letras bem bregas. Logo depois vem o dia das crianças e as propagandas incrivelmente toscas da Brinkel que divide sua compra em até oito – sim, eu disse oito – vezes sem juros.

Por isso, enquanto os pais ainda estão devendo, aparece um panetone aqui, um pinheirinho ali, uma música da Simone acolá e mal você se dá conta de que o Natal chegou – e ainda estamos em outubro. Então, dá-lhe a overdose até o dia 26 de dezembro quando, como vimos anteriormente, começa o ano novo na cabeça dos lojistas.

A lei dos pisca-piscas funciona ao contrário: podem falhar, mas nunca tardam.

3 comentários:

/Lika disse...

Verdade verdadeira. Meu susto foi maior quando visitei uma amiga e tinha uma ÁR-VO-RE DE NA-TAL na casa dela. É incrível. Essas festividades tão próximas só me fazem sentir velha e pobre. Dia desses eu ganhava assinaturas da revista CAPRICHO no dia das crianças e esse ano eu trabalhei no feriado, ou seja: velha. E quando eu penso que o próximo salário vai ter que dar pra comprar os MALDITOS (mentira, eu curto paca) presentes de natal, eu vejo o tanto que eu sou... pobre. Mas a graça é toda essa, afinal, as pessoas só trabalham e tal para poderem rolar no chão e fazer chafariz de dinheiro no meio das lojas com decorações péssimas no shopping.

Por falar nisso, vamos fazer compras? =*

Mariana disse...

Bem, eu espero ansiosamente a época das festas qdo dá o mês de julho por exemplo. Qdo chega dezembro eu só fico deprimida e me dá um aperto enorme no coração pq janeiro tá vindo e é o mês mais monotono do ano se você não vai viajar.

Ruth Lemos disse...

natal é calidade de vide