domingo, 4 de novembro de 2007

Legalizar é o começo ou o fim?

Alguém aí viu “Tropa de Elite”? Acredito que sim. É o filme mais falado nesse meu Brasil. Não virou meu favorito, mas achei bem interessante. A parte que eu mais gostei é ele ter levantando uma discussão (que, aliás, já cansei de ter) sobre legalização das drogas.

Nesses meus 19 anos já fui a lugares onde poderia ter escolhido qualquer coisa pra usar. Foram inúmeras possibilidades de experimentar alguns dos poucos tipos de drogas que conheço. Aliás, se há alguma ignorância de que me orgulho é a de não ter usado nenhuma na minha vida. Não é uma experiência que quero ter. Não por me opor em termos morais – conheço muita gente que usa, usou e tals – mas não é pra mim.

Tem uma cena que um policial atira em um traficante e pergunta para um estudante que está no morro quem o matou. Depois de insistirem numa resposta o cara olha para os policiais e diz “Sei lá, um de vocês”. E ele responde: “‘Um de vocês’ o caralho! Foi você! Você que financia o tráfico!”.

Achei isso poderoso pois, de uma forma ou de outra, é verdade. Sempre me vi tentando ser neutro mas não dá mais. É preciso que o usuário também entenda a responsabilidade dele na engrenagem toda. Se há tráfico, violência, assaltos e et ceteras, é porque existem compradores, não? Não consigo mais fingir entender ou não me chatear com pessoas usando uma blusa da Zoomp com estampa de cannabis...


“Quantas crianças vamos perder pro tráfico pra que o playboy possa fumar um baseado?”

4 comentários:

Rafael Costa disse...

aliás, o que farão os traficantes se todos deixarem de consumir ou se for legalizado?

eles ficarão desempregados. será que entrarão no supletivo pra virar trocador de ônibus? ou simplesmente vão encontrar uma outra forma (ilegal, criminosa) de conseguir dinheiro fácil?

Ricardjones disse...

É é isso aí, concordo em gênero e grau.

Glauce disse...

Também concordo, Gabriel. O usuário não é o problema todo, mas faz parte com certeza. E também acho difícil fingir entender algumas coisas!

"Se você não faz parte da solução, faz parte do problema."

Beijos!

Luiz Hippert disse...

Essa discussão é a discussão do óbvio. Traficante tem arma? Aí ficam questionando de onde vem a arma. Pôxa, uma ou outra pode ser roubada, mas claro que a maioria foi comprada. Se foi comprada, foi com dinheiro, e esse dinheiro veio de onde? O povo é assim, de manhã faz passeata pela paz, de noite sobe o Morro do Macaco Molhado. Santa hipocrisia...