"No olhar indiferente flutuava a quietude de paixões diariamente saciadas; e, através das maneiras discretas, transparecia a brutalidade peculiar ao domínio de coisas fáceis, nas quais a força se exercita e a vaidade se satisfaz, como governar cavalos de raça e conviver com mulheres perdidas". Ah, Gustave Flaubert! Quando você pega homens como esse e os compara com os que estão na TV ou na presidência, algo se contorce dentro de mim. Estamos todos perdidos.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Declaração
Eu sinto que ultimamente tenho compartilhado mais de mim. De certa forma, eu realmente sentia que era minha responsabilidade contribuir e ajudar e poder servir tudo que fosse possível às minhas próprias custas – mas pelos motivos errados. Agora eu enxergo os certos e verbalizo o que quero sempre que posso. Isso não me dá o que quero, mas uma sensação de ter tentado.
Uma parte da minha já antiga e decadente “seriedade” aconteceu pois eu me sentia mesmo sério e responsável. Mas outra parte era apenas a minha eterna oposição ao patriarquismo – e não só por causa da minha infância. Então, eu queria desesperadamente ser visto como alguém a ser levado a sério e tinha vergonha das minhas ignorâncias.
Claro que essa coisa da veleidade e da revolta ainda existem, mas eu escolhi tentar ser mais arredondado culturalmente para mostrar que minha masculinidade e meu poder não se perderam se eu estou sendo confuso ou vulnerável, engraçado, nojento... Pois há lugar para todas essas coisas. E eu venho tentado fazer o que eu prego e tentado parar de pregar e voltar a ser sem-vergonha: no sentido de abraçar e incluir e aceitar todas as partes de mim.
E eu ainda tenho os mesmos sonhos e medos. Medo de esquecer quem eu sou nos relacionamentos com as outras pessoas e me vender por pouco. De estar no meu leito de morte achando que não vivi, pois sempre estive pensando no futuro. Mas eu parei de igualar morrer com terminar. E continuo sonhando com leveza e equilíbrio. Em me lisonjear com alguém que se fascina por mim.
Pois a gente é rude quando é jovem e secretamente se acha inútil. E eu me achava inútil ainda, quando não estava sendo produtivo, pró-ativo e contra-fóbico. Mas nada é tão precioso, sabe? As coisas são sagradas, eu vejo Deus em tudo, mas a preciosidade que eu dava a certas coisas vinha do medo. Mas o maior problema sempre é aprender como lidar com as âncoras que tenho em mãos. Elas me deixam firme mas podem me fazer afundar. Não sei se as solto por completo ou se as recolho e saio navegando sem rumo.
*Texto escrito em novembro de 2006
Uma parte da minha já antiga e decadente “seriedade” aconteceu pois eu me sentia mesmo sério e responsável. Mas outra parte era apenas a minha eterna oposição ao patriarquismo – e não só por causa da minha infância. Então, eu queria desesperadamente ser visto como alguém a ser levado a sério e tinha vergonha das minhas ignorâncias.
Claro que essa coisa da veleidade e da revolta ainda existem, mas eu escolhi tentar ser mais arredondado culturalmente para mostrar que minha masculinidade e meu poder não se perderam se eu estou sendo confuso ou vulnerável, engraçado, nojento... Pois há lugar para todas essas coisas. E eu venho tentado fazer o que eu prego e tentado parar de pregar e voltar a ser sem-vergonha: no sentido de abraçar e incluir e aceitar todas as partes de mim.
E eu ainda tenho os mesmos sonhos e medos. Medo de esquecer quem eu sou nos relacionamentos com as outras pessoas e me vender por pouco. De estar no meu leito de morte achando que não vivi, pois sempre estive pensando no futuro. Mas eu parei de igualar morrer com terminar. E continuo sonhando com leveza e equilíbrio. Em me lisonjear com alguém que se fascina por mim.
Pois a gente é rude quando é jovem e secretamente se acha inútil. E eu me achava inútil ainda, quando não estava sendo produtivo, pró-ativo e contra-fóbico. Mas nada é tão precioso, sabe? As coisas são sagradas, eu vejo Deus em tudo, mas a preciosidade que eu dava a certas coisas vinha do medo. Mas o maior problema sempre é aprender como lidar com as âncoras que tenho em mãos. Elas me deixam firme mas podem me fazer afundar. Não sei se as solto por completo ou se as recolho e saio navegando sem rumo.
*Texto escrito em novembro de 2006
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
O problema dos livros
Tudo começa de maneira inocente: você está na casa do seu amigo ou amiga conversando despreocupadamente, e ele ou ela te fala o quanto aquele livro é legal. Você olha a capa do livro, olha a cara da pessoa, sente o peso do livro na mão e profere as famosas últimas palavras: - Posso levar?
Últimas palavras para o livro, é claro. Ele vai se juntar àquela gigantesca pilha que você deu o nome de "Livros que eu preciso ler urgentemente", cujo tamanho é o mesmo da vergonha que você sente ao olhar para ela. Você só sente vergonha maior quando olha para aquelas outras duas pilhas: a "Livros que eu preciso muito ler urgentemente mesmo" e "Livros que eu preciso ler e devolver senão não conseguirei mais me sentir um ser humano novamente". E eu deixo as pilhas perto da prateleira de livros que já li e isso causa, aposto, ciúmes entre eles.
Pegar emprestado livros que você sabe que não vai ler é um misto de querer abraçar o mundo (vou ler todos os livros legais que me recomendarem), de superestimar a própria capacidade de leitura (amanhã vou ler "Em Busca do Tempo Perdido", "O Tempo e o Vento" e uns dois ou três volumes da enciclopédia Barsa, antes do almoço) e de ter uma espécie de piedade desnecessária pela pessoa que está te oferecendo o livro emprestado (ele vai ficar magoado comigo se eu não aceitar; coitada, ela está oferecendo tão assim de coração).
Mas o pior é que nem são apenas os emprestados – mas é impressionante como meu semblante faz com que os outros pensem que presente perfeito pra mim seja sempre um livro. Tudo bem, gosto de ganha-los, mas parece que a pessoas entra na Leitura do Pátio, fecha o olho, rodopia e aponta pra uma prateleira. Daí tenho também uma pilha de livros que ganhei e nunca li. Dos que li, raros gostei. As minhas pilhas em casa estão cada vez maiores, quase do tamanho da minha irmã mais nova. Tenho a esperança que alguma mágica aconteça e que, durante uns três meses, meu dia tenha 576 horas, em vez de só 24h. Aí, sim, meu problema com os livros que não li estaria resolvido.

Últimas palavras para o livro, é claro. Ele vai se juntar àquela gigantesca pilha que você deu o nome de "Livros que eu preciso ler urgentemente", cujo tamanho é o mesmo da vergonha que você sente ao olhar para ela. Você só sente vergonha maior quando olha para aquelas outras duas pilhas: a "Livros que eu preciso muito ler urgentemente mesmo" e "Livros que eu preciso ler e devolver senão não conseguirei mais me sentir um ser humano novamente". E eu deixo as pilhas perto da prateleira de livros que já li e isso causa, aposto, ciúmes entre eles.
Pegar emprestado livros que você sabe que não vai ler é um misto de querer abraçar o mundo (vou ler todos os livros legais que me recomendarem), de superestimar a própria capacidade de leitura (amanhã vou ler "Em Busca do Tempo Perdido", "O Tempo e o Vento" e uns dois ou três volumes da enciclopédia Barsa, antes do almoço) e de ter uma espécie de piedade desnecessária pela pessoa que está te oferecendo o livro emprestado (ele vai ficar magoado comigo se eu não aceitar; coitada, ela está oferecendo tão assim de coração).
Mas o pior é que nem são apenas os emprestados – mas é impressionante como meu semblante faz com que os outros pensem que presente perfeito pra mim seja sempre um livro. Tudo bem, gosto de ganha-los, mas parece que a pessoas entra na Leitura do Pátio, fecha o olho, rodopia e aponta pra uma prateleira. Daí tenho também uma pilha de livros que ganhei e nunca li. Dos que li, raros gostei. As minhas pilhas em casa estão cada vez maiores, quase do tamanho da minha irmã mais nova. Tenho a esperança que alguma mágica aconteça e que, durante uns três meses, meu dia tenha 576 horas, em vez de só 24h. Aí, sim, meu problema com os livros que não li estaria resolvido.
Para ouvir depois de ler: Spineless - Alanis Morissette
domingo, 16 de dezembro de 2007
Um brinde a Amy Winehouse
Imagine uma moça magrinha que é a mistura da Janice, de “Friends”, com a Fran Fine, da série “The Nanny”. Agora cubra esta pessoa com tatuagens pin-ups e naivy e lhe dê o alcance vocal de Aretha Franklin, mas com a rouquidão sexy de Etta James. Pronto, você acabou de criar Amy Winehouse.
Nascida e criada numa família judia no subúrbio de Londres, Amy ganhou sua primeira guitarra quando era ainda uma garotinha. Ela e o irmão, Alex, até tentaram formar um grupo de rap. Seu pai era taxista e sua mãe farmacêutica, mas eles tinham um histórico de músicos de jazz na árvore genealógica. Ela já canta e toca há muito tempo, mas foi só depois de “Rehab”, uma bem-humorada e biográfica canção sobre overdose e reabilitação, que a moça apareceu nas paradas e conseguiu divulgar todo o seu trabalho - os álbuns “Frank” (2003) e “Back to Black” (2006).
Mas o negócio é o seguinte: Amy Winehouse, independente dessas coisas, é uma ótima artista. Tem uma ótima voz, boas letras e um super bom-humor – mesmo sóbria. E ela está lançando como aposta de vendas pro Natal seu primeiro DVD ao vivo, com as melhores canções dos dois álbuns. Novamente, ela não larga a birita durante o show todo, mas ela está uma delícia e cada segundo vale à pena de ver, rever e cantar junto. Chears!
Nascida e criada numa família judia no subúrbio de Londres, Amy ganhou sua primeira guitarra quando era ainda uma garotinha. Ela e o irmão, Alex, até tentaram formar um grupo de rap. Seu pai era taxista e sua mãe farmacêutica, mas eles tinham um histórico de músicos de jazz na árvore genealógica. Ela já canta e toca há muito tempo, mas foi só depois de “Rehab”, uma bem-humorada e biográfica canção sobre overdose e reabilitação, que a moça apareceu nas paradas e conseguiu divulgar todo o seu trabalho - os álbuns “Frank” (2003) e “Back to Black” (2006).
Mas o negócio é o seguinte: Amy Winehouse, independente dessas coisas, é uma ótima artista. Tem uma ótima voz, boas letras e um super bom-humor – mesmo sóbria. E ela está lançando como aposta de vendas pro Natal seu primeiro DVD ao vivo, com as melhores canções dos dois álbuns. Novamente, ela não larga a birita durante o show todo, mas ela está uma delícia e cada segundo vale à pena de ver, rever e cantar junto. Chears!
PS: O DVD chama “I Told You I Was Troube: Amy Winehouse Live in London”, vem com 20 – sim, eu disse vinte – músicas e ta custando em média 40r$. Tô super aceitando, ok?
domingo, 9 de dezembro de 2007
Digitei meu nome no Google
E apareceu, além de resultados de vestibulares e fóruns que eu nem lembrava que existiam – muito menos que participei -, muita bizarrice. O primeiro foi esse site aqui, de um projeto desenvolvido na faculdade que agora eu vejo e acho uma merda. Foi há muito tempo e eu não lembro o nome de metade das pessoas – mudei de turno.
O segundo é essa notícia de esportes aqui! “Gabriel Santos pode ser o último reforço do Galo”. Hilário. O terceiro deu num site recheado de fotos de carinhas lutando. Que eu me lembre nunca pratiquei luta livre – bom, não profissionalmente. Mas é que o webmaster do site é meu xará. Mas também achei esse, um hotsite sobre Yoga que fiz há um bom tempo também. Achei o máximo e hoje, ao reler, percebi alguns erros de português, mas faz de conta que eu não vi. Atualmente tem o blog com amigos e o blog da empresa também.
O segundo é essa notícia de esportes aqui! “Gabriel Santos pode ser o último reforço do Galo”. Hilário. O terceiro deu num site recheado de fotos de carinhas lutando. Que eu me lembre nunca pratiquei luta livre – bom, não profissionalmente. Mas é que o webmaster do site é meu xará. Mas também achei esse, um hotsite sobre Yoga que fiz há um bom tempo também. Achei o máximo e hoje, ao reler, percebi alguns erros de português, mas faz de conta que eu não vi. Atualmente tem o blog com amigos e o blog da empresa também.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Quem mexeu na literatura?
Não sou categoricamente contra livros de auto-ajuda. Acredito ser possível dar idéias para ajudar os leitores. Mas acho que, na verdade, só não sou um defensor ferrenho da extinção do gênero pois me divirto com títulos como esse. Eu vi num site um que se chama “Are You Your Mother?”.
É verdade, não são escritos com tanto apuro quanto um volume de Shakespeare ou Twain, mas eles vendem tanto que é certo que estão funcionando - ou pelo menos atraindo leitores. Afinal, quem não quer ler “Você Pode Influenciar Pessoas” ou “Como Vencer Discussões – Mesmo Estando Errado”? Quer dizer que podemos mandar e fazer todo mundo obedecer? Discutir com o chefe e receber um aumento? Tô dentro.
Porque, por mais canastrões que esses livros sejam, não são como aquele e-mails safados que chegam prometendo te ensinar inglês durante uma soneca. Os livros de auto-ajuda foram elaborados durante um bom tempo, em geral por psicólogos, médicos ou professores de renome e certificado na parede. Talvez não funcione para 100% das pessoas, mas se ajeitarem a vida de dois ou três, você não acha que já valeu?
Na verdade, acho que funcionam pois a pessoa já está pré-disposta à mudança, né? A mocinha tá cansada da vida e vê um livro desses, baratinho, na livraria do shopping: batata. Compra, lê, muda tudo, separa, viaja. E, se tudo der certo, em breve vira a famosa autora do best-seller “Descubra as Contas que Aquele Cachorro do Seu Ex Mantinha na Suíça".
Para ouvir depois de ler: Everybody Knows You Cried Last Night - The Fratellis
sábado, 1 de dezembro de 2007
Da arte de ver TV nas férias
Gente, já é dezembro. Que coisa, não? Será que ouso escrever que passou rápido? Passou, mas é muito clichê falar isso, né? Esquece então. O negócio é que o mês doze sempre vem acompanhado de algumas coisas muito boas. A comilança natalina, as promoções de celulares por 10 reais e as férias. Ah, as férias.
Eu geralmente não viajo e nesse dezembro-janeiro-fevereiro não será diferente, mas adoro e até prefiro – pois, afinal, que opção de viagem eu tenho nesse Brasil se eu odeio praia, sol, cachoeira, sítio, fazenda e samba? Adoro ficar em Belo Horizonte nas férias. Posso beber cerveja todo pôr-do-sol. Posso ir ao cinema nas terças-feiras! Posso acordar tarde. Em casa lendo. Em casa vendo TV.
O-ou! A TV. Eu não me responsabilizo se, em duas semanas de férias, eu já souber de cor todas as histórias daqueles programas imbecis que passam nos canais abertos de tarde. Por que é assim: eu vejo cerca de quatro horas de TV por semana (sim, apenas isso!). Todas elas usadas na TV por assinatura. Mas uma vez que você passa o dia inteiro em frente àquela caixa você perde o interesse.
Os senhores Hanna e Barbera fizeram pra lá de 150 desenhos espetaculares, mas o Boomerang passa 18 horas seguidas de "Dom Pixote". Todos os episódios de "Detetives Médicos", do Discovery, sempre começam com a frase "era um dia como outro qualquer na pacata cidade de...". O History Channel só fala sobre a Segunda Guerra Mundial, o People & Arts passa sempre o mesmo episódio de "Feira de Antiguidades" (ainda que o programa tenha 21 anos de acervo). A HBO exibe um monte de programinhas de bastidores antes de começar um filme e, quando ele começa, nunca é o filme do qual tratava o programinha. Já reparou nisso?
Então o lema dessas férias é: “Mexeu comigo? Mexeu com a Márcia!”.
Eu geralmente não viajo e nesse dezembro-janeiro-fevereiro não será diferente, mas adoro e até prefiro – pois, afinal, que opção de viagem eu tenho nesse Brasil se eu odeio praia, sol, cachoeira, sítio, fazenda e samba? Adoro ficar em Belo Horizonte nas férias. Posso beber cerveja todo pôr-do-sol. Posso ir ao cinema nas terças-feiras! Posso acordar tarde. Em casa lendo. Em casa vendo TV.
O-ou! A TV. Eu não me responsabilizo se, em duas semanas de férias, eu já souber de cor todas as histórias daqueles programas imbecis que passam nos canais abertos de tarde. Por que é assim: eu vejo cerca de quatro horas de TV por semana (sim, apenas isso!). Todas elas usadas na TV por assinatura. Mas uma vez que você passa o dia inteiro em frente àquela caixa você perde o interesse.
Os senhores Hanna e Barbera fizeram pra lá de 150 desenhos espetaculares, mas o Boomerang passa 18 horas seguidas de "Dom Pixote". Todos os episódios de "Detetives Médicos", do Discovery, sempre começam com a frase "era um dia como outro qualquer na pacata cidade de...". O History Channel só fala sobre a Segunda Guerra Mundial, o People & Arts passa sempre o mesmo episódio de "Feira de Antiguidades" (ainda que o programa tenha 21 anos de acervo). A HBO exibe um monte de programinhas de bastidores antes de começar um filme e, quando ele começa, nunca é o filme do qual tratava o programinha. Já reparou nisso?
Então o lema dessas férias é: “Mexeu comigo? Mexeu com a Márcia!”.
domingo, 25 de novembro de 2007
Saldo
Fiz 20 anos na semana que passou. Vinte. É incrível o tanto de coisa que já fiz e já passou por mim. É aliviante ver as coisas que quis e tive como fazer e não fiz. É patético lembrar de certas coisas, nostálgico de outras. Eu me sinto totalmente livre e, ao mesmo tempo, completamente atolado de planos. E certos planos são armadilhas. Mas apesar de todo o inferno (astral) que passei e passou, apesar das decepções e choros, dos tapas e socos e dores, também houve música, e amores, e cócegas e cicatrizações.
domingo, 18 de novembro de 2007
Já está escutando os sinos natalinos?
Pois é. Nem eu. Mas não é isso que as lojas querem que a gente responda. Porque se depender delas, o Natal começou lá pelo dia primeiro de novembro. Acontece que o calendário que eu e você conhecemos – aquele de 365 dias divididos por 12 meses – não é o adotado pelo comércio. O calendário deles é bem diferente.
Funciona assim: o ano para eles começa no final de dezembro, pós-Natal, quando chega o carregamento de roupas brancas, taças de champagne e cartazes com o ano seguinte escrito e estampado em letras brilhantes. Isso vai até o dia 2 de janeiro, quando a decoração de Reveillon dá lugar à decoração de Carnaval. Essa, por sua vez, dura bastante: acaba só lá por março. Máscaras de bailes antigos e confete em todas as vitrines desse meu Brasil.
Aí chegam os ovos de Páscoa de todos os tipo. E fica todo mundo morrendo de claustrofobia nas Lojas Americanas escolhendo qual vai querer e se decepcionando com o que ganha. Mas nem bem o coelhinho passou e já é substituído por tudo o que é relacionado com mães. Daí dá-lhe rosas vermelhas enfeitando as vitrines, juntamente com a palavra “Mãe” escrita em letras bem bregas, itálicas e com glitter.
Mamãe nem bem abriu o presente e tudo vira decoração de namorados. Corações bregas, ursinhos de pelúcia bregas e lingeries provocantes bregas tomam conta dos estabelecimentos. Dia dos Namorados é de longe a data mais comercial na minha opinião.
Passou o 12 de junho, é a vez do papai. Gravatas, maletas e, óbvio, a palavra “Pai” escrita em letras bem bregas. Logo depois vem o dia das crianças e as propagandas incrivelmente toscas da Brinkel que divide sua compra em até oito – sim, eu disse oito – vezes sem juros.
Por isso, enquanto os pais ainda estão devendo, aparece um panetone aqui, um pinheirinho ali, uma música da Simone acolá e mal você se dá conta de que o Natal chegou – e ainda estamos em outubro. Então, dá-lhe a overdose até o dia 26 de dezembro quando, como vimos anteriormente, começa o ano novo na cabeça dos lojistas.
A lei dos pisca-piscas funciona ao contrário: podem falhar, mas nunca tardam.
Funciona assim: o ano para eles começa no final de dezembro, pós-Natal, quando chega o carregamento de roupas brancas, taças de champagne e cartazes com o ano seguinte escrito e estampado em letras brilhantes. Isso vai até o dia 2 de janeiro, quando a decoração de Reveillon dá lugar à decoração de Carnaval. Essa, por sua vez, dura bastante: acaba só lá por março. Máscaras de bailes antigos e confete em todas as vitrines desse meu Brasil.
Aí chegam os ovos de Páscoa de todos os tipo. E fica todo mundo morrendo de claustrofobia nas Lojas Americanas escolhendo qual vai querer e se decepcionando com o que ganha. Mas nem bem o coelhinho passou e já é substituído por tudo o que é relacionado com mães. Daí dá-lhe rosas vermelhas enfeitando as vitrines, juntamente com a palavra “Mãe” escrita em letras bem bregas, itálicas e com glitter.
Mamãe nem bem abriu o presente e tudo vira decoração de namorados. Corações bregas, ursinhos de pelúcia bregas e lingeries provocantes bregas tomam conta dos estabelecimentos. Dia dos Namorados é de longe a data mais comercial na minha opinião.
Passou o 12 de junho, é a vez do papai. Gravatas, maletas e, óbvio, a palavra “Pai” escrita em letras bem bregas. Logo depois vem o dia das crianças e as propagandas incrivelmente toscas da Brinkel que divide sua compra em até oito – sim, eu disse oito – vezes sem juros.
Por isso, enquanto os pais ainda estão devendo, aparece um panetone aqui, um pinheirinho ali, uma música da Simone acolá e mal você se dá conta de que o Natal chegou – e ainda estamos em outubro. Então, dá-lhe a overdose até o dia 26 de dezembro quando, como vimos anteriormente, começa o ano novo na cabeça dos lojistas.
A lei dos pisca-piscas funciona ao contrário: podem falhar, mas nunca tardam.
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Os Strokes já têm 8 anos.
Por que alguém chegou e me disse que a única banda que tinha acompanhado desde o começo era Strokes. E eu pensei “aff, cala a boca – Strokes começou, tipo, ontem”. Aí depois parei pra pensar e, tsc tsc, eles são de 99. Noventa e nove! Aquela bandinha junkie tá caminhando pra uma década de existência já, minha gente.

Top 5 motivos pra gostar de Strokes
Eles são competentes: É, eles são todos filhos de empresários milionários e podiam viver assim, ser playboys e não trabalhar nunca. Tudo bem que ter uma banda de rock não é lá muito trabalho, mas uma vez que ela faz sucesso é preciso ser objetivo e organizado. Coisa que eles, mesmo bebendo e fumando no palco por exemplo, conseguem ser – nunca ouvi falar de um show que tenha sido uma merda.
Eles são bem-humorados: Pode ser the beer speaking, mas eles têm muito senso de humor – e eu acho isso fundamental em todas as pessoas. Os clipes de “Someday” e “Juicebox” mostram isso muito bem - além das performances ao vivo, atitudes com fãs e letras.
Eles são retrôs: Ver o clipe de “Someday”, por exemplo, é quase voltar aos anos 70. As carinhas junkie, os cabelos desgrenhados, as botinhas, os all stars, as calças justas e os casacos jeans. O estilo Strokes de se vestir foi muito importante nos anos 2000: enquanto David Beckham fazia heteros se vestirem como gays, os Strokes faziam os gays se vestirem como roqueiros.
A bateria é boa: Acho que muita gente concorda quando digo que uma das coisas mais marcantes das músicas dos Strokes é a bateria. As batidas são rápidas e agradáveis. Sem contar que Fabrizio Moretti é um dos caras mais bonitos que já passou por esse planeta. Deusquebenza.
O vocalista dança: No comecinho do clipe de “You Only Live Once”, o vocalista Julian Casablancas canta fazendo caretinhas e dançando de um jeito muito bonitinho. Eu sei que pareço uma pré-adolescente falando isso, mas é que, tirando a voz, antes desse clipe eu não via charme nenhum nele.
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