Passou uma mulher perto de mim no shopping e olhou pra vitrine da livraria. Ela viu uma edição de “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, com uma folha colorida sobre a capa que dizia “Livro que inspirou o filme de Fernando Meirelles”. E ela disse com desdém: “Ah, agora que vai ter filme, todo mundo vai querer ler”.Sim, muita gente vai querer ler antes do filme. Outros depois. Mas não são motivos válidos? Querer ler Saramago é um feito num país onde nem tantas pessoas lêem. Os dados mostram que 53% das pessoas alfabetizadas gostam de ler, mas sempre tem o jovem que só lê livros recomendados pela escola e o pessoal que só lê a Bíblia.
Acho cínico isso. Dizer que brasileiro não lê e depois criticar que, quando lê, é só Paulo Coelho. Enfim. Insistir que a única coisa boa nas prateleiras é Machado de Assis e Guimarães Rosa é uma perda de tempo. Eles são geniais, existem outros exemplos, mas eu não tenho preconceitos com a nova geração da literatura, sabe? Há espaço pra todo mundo de todos os tempos e gêneros. Bruna Surfistinha, Sidney Sheldon, Fernanda Young, Candace Bushnell, Nick Hornby, José de Alencar, Conan Doyle. Escolha o que você quer ler, você é livre!
Mas não me venha com essa. Não interessam os motivos que levaram alguém até um livro, interessam? O que importa é o resultado, o que aquela experiência de leitura veio a somar ou não na sua vida, no seu caráter. Deus sabe que motivos muito imbecis me levaram a livros pra lá de geniais.
Para ler depois de ler: Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago







